Charles Bukowski – O Matador Sorri

as antigas namoradas ainda telefonam algumas do ano passado algumas do ano retrasado algumas de anos atrás é bom poder por um fim nas coisas que não funcionam também é bom não odiar ou mesmo esquecer a pessoas com quem você falhou. aprecio quando elas me dizem que estão tendo sorte com um homem sorte … Continue lendo Charles Bukowski – O Matador Sorri

Carlos Alberto Machado – Chegaste à Idade da Morte

Chegaste à idade da morte dos teus amigos também agora começas a distingui-los cai um e depois outro e tu apressas o passo desta vez vais discutir o terreno palmo a palmo não saberias o que fazer se a solidão se despovoasse.

Germana Zanettini – Leia Antes de Usar

não, aqui não há lugares reservados [de antemão já lhe adianto: nem adianta olhar para os lados] o ambiente não é climatizado os assentos não são flutuantes e máscaras de oxigênio não cairão sobre suas cabeças para sua segurança e conveniência informamos que a vida não vem equipada com saídas de emergência

Margareta Ekström – O Funeral

Na noite do funeral eles abraçaram-me, beijaram-me, mesmo esses que habitualmente não beijam. Apoiaram-me e perguntaram se precisava de soporíferos, estimulantes, um xerez ou companhia para a noite. Cada noite é um funeral mas ninguém vem para me abraçar. Ninguém pergunta como as coisas vão se preciso de companhia para a noite, um xerez, um … Continue lendo Margareta Ekström – O Funeral

Juan Luis Panero – Epitáfio diante de um Espelho

Dura há de ser a vida para ti, que tuas crenças sacrificastes a uma estranha honradez, para ti, cuja única certeza é tua memória e, por isso, teu sepulcro mais infausto. Dura há de ser a vida, quando os anos passarem e destruírem por fim a ilusória pátria da tua adolescência, quando vires, como hoje, … Continue lendo Juan Luis Panero – Epitáfio diante de um Espelho

Juan Vicente Piqueras – Nomes Apagados

A mente não é um lápis para tomar notas, É uma borracha. Marko Vesovič Meu pai foi pouco a pouco esquecendo a linguagem. E começou pelos nomes. O que seu cérebro primeiro esqueceu não foram os advérbios nem os pronomes nem os adjetivos, como seria plausível acreditar, nem os resíduos das preposições, mas os substantivos. … Continue lendo Juan Vicente Piqueras – Nomes Apagados

Diego Moraes – Já se passaram dez anos

Já se passaram dez anos Acabou a bateria do relógio que você me presenteou no natal que seu tio ficou bêbado de vinho dom bosco e disse na frente dos filhos e da esposa que era gay e viveria com um travesti búlgaro em Londres Já se passaram dez anos Os poemas que escrevi quando … Continue lendo Diego Moraes – Já se passaram dez anos

Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro, a que leva ao poder, a que esconde o mistério do amor; a que oculta o segredo insondável da felicidade, a que a vida te oferta para sempre no gozo de uma visão sublime. Abre todas as portas, sem te mostrares curioso, nem dar importância às … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Jorge de Sena – Suma Teológica

Não vim de longe, meu amor, nem sossobraram navios no alto mar, quando nasci. Nada mudou. Continuaram as guerras; continuou a subir o preço do pão; continuaram os poetas, uma vez por outra, a perguntar por ti. É certo que, então, imensa gente envelheceu instantânea e misteriosamente. Mas até isso, meu amor, se não sabe … Continue lendo Jorge de Sena – Suma Teológica