Amalia Bautista – A pesagem do coração

Que ninguém por tua culpa tenha passado fome, tenha sentido medo ou frio. Que ninguém tenha deixado de viver por tua culpa, nem temido a morte, nem desejado morrer. Que nenhuma pessoa tenha dito o teu nome com pavor ou olhado o teu rosto com desprezo. Que os outros te chorem quando partires. Assim o … Continue lendo Amalia Bautista – A pesagem do coração

Amalia Bautista – S.O.S.

Protege-me do medo e das sombras defende-me de todas as tristezas, exila de minha vida o desconsolo, se puderes, com teu amor, se não com o fim do mundo ou com a minha morte. Trad.: Nelson Santander S.O.S Protégeme del miedo y de las sombras, defiéndeme de todas las tristezas, destierra de mi vida el … Continue lendo Amalia Bautista – S.O.S.

Amalia Bautista – Noite de São João

Que queimaremos esta noite, quantas velhas feridas daremos nós às chamas, de que nos livraremos para não o recordar nem sequer dos piores pesadelos diurnos? Que lançaremos nós ao fogo ou em que fogueiras limparemos a vida para nos renovarmos, para o tempo que reste, para o que consigamos roubar a tantas mortes? Chega a … Continue lendo Amalia Bautista – Noite de São João

Amalia Bautista – Nu de Mulher

Para ti nunca passei de um bloco de mármore. Esculpiste nele o meu corpo, um corpo de mulher branco e formoso, em que não viste nada a não ser pedra e o orgulho, isso sim, do teu trabalho. Nunca imaginaste que eu te amava e que tremia quando, docemente, me modelavas os seios e os … Continue lendo Amalia Bautista – Nu de Mulher

Amalia Bautista – Ver o Sol

Era tudo mentira e me convenço no momento mais inoportuno. O amor não era amor. Eram os beijos uma maneira de saciar a sede. As carícias, o modo de nos guiarmos no meio da noite. Ouço agora a voz da tristeza: se pretendes ver o sol, deves à contraluz contemplar um ovo semicozido. Trad.: Nelson … Continue lendo Amalia Bautista – Ver o Sol

Amalia Bautista – Contra ‘Remedia Amoris’

Não sou desse género de mulheres incapazes de amor e de ternura. Odeio o sacrifício e repugna-me a vaidade que nasce da violência, mas sei o que é valor e o que é sangue. Quero ser a mulher de um mercenário, de um poeta ou mártir, vai dar ao mesmo. Porque sei olhar nos olhos … Continue lendo Amalia Bautista – Contra ‘Remedia Amoris’

Amalia Bautista – Nada Sabemos

Nunca saberemos se os enganados são os sentidos ou os sentimentos, se viaja o comboio ou a nossa ânsia, se as cidades mudam de lugar ou se todas as casas são a mesma. Nunca saberemos se quem nos espera é quem deve esperar-nos, nem sequer quem temos de esperar no meio de uma plataforma fria. … Continue lendo Amalia Bautista – Nada Sabemos

Amalia Bautista – Os Teus Olhos

Quando já se esgotaram os caminhos que a razão poderia aconselhar-nos abrem-se os teus olhos: com eles tudo volta a inundar-se da luz escura que dá sentido ao mundo e à minha vida. Trad.: Inês Dias Tus Ojos Cuando se han agotado los caminos que la razón podría aconsejarnos se abren tus ojos, y con … Continue lendo Amalia Bautista – Os Teus Olhos

Amalia Bautista – O Anjo Perplexo

Nunca houve deus, nem virgens, nem santos, nem ídolo que proteja, nem oração que console; nunca houve milagres ou maravilhas, nem a salvação da alma, nem a vida eterna; nem palavras mágicas, nenhum bálsamo eficaz contra a dor que não desaparece nunca; nem luz do outro lado das sombras, nem saída do túnel, nem esperança. … Continue lendo Amalia Bautista – O Anjo Perplexo

Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorrer é um viaduto por sobre uma rodovia do qual dá medo de olhar, porque o abismo implacável me chama. Agora que morreu a esperança como um pássaro jogado de seu ninho por irmãos mais fortes. Agora que é noite todo dia, inverno todo ano e as semanas só … Continue lendo Amalia Bautista – Agora