Ernesto Pérez Vallejo – Com vista para o interior

Não sou o melhor homem que já conheceste, nem tão bom quanto os que te restariam por explorar, nem sequer tenho estudos e minha voz falha diante de quem me olha nos olhos. Minha tristeza se acentua aos domingos mas, na verdade, é meu estado mais frequente. Às vezes sofro de ansiedade, e também de … Continue lendo Ernesto Pérez Vallejo – Com vista para o interior

Jeffrey Harrison – Nossa outra irmã

Nossa outra irmã                                                                                              para Ellen A coisa mais cruel … Continue lendo Jeffrey Harrison – Nossa outra irmã

Robert Creeley – O fim

Quando percebo o que as pessoas pensam de mim fico imerso em minha solidão. O cinza chapéu previamente adquirido enjoa. Não tenho mais nenhum propósito identificável. Uma sensação de estar sendo sufocado penetra em minha garganta. Trad.: Nelson Santander The End When I know what people think of me I am plunged into my loneliness. … Continue lendo Robert Creeley – O fim

David Mourão-Ferreira – Herança

Ouvir, ouvir de noite uma ambulância, E desejar que estejas a morrer; Fechar a porta à minha própria infância; Amigos, conhecidos, nem os ver; Quebrar nas mãos o aro da esperança; Mas de mim para mim depois dizer: "Calma! Quem nada espera tudo alcança..."; E guardar o revólver; e beber, A sós, o vinho que … Continue lendo David Mourão-Ferreira – Herança

Konstantinos Kaváfis – Vozes

Vozes queridas, vozes ideais daqueles que morreram ou daqueles que estão perdidos para nós, como se mortos. Eles nos falam em sonho, algumas vezes; outras vezes, em pensamento as escutamos. E, quando soam, por um instante eis que retornam os sons da poesia primeva em nossa vida, qual música distante que se perde noite afora. … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Vozes

Jorge Valdés Díaz-Vélez – O fotógrafo e a modelo

O tempo que foi sempre teu inimigo se deteve em tua imagem. Já és aquela garota do calendário, a princesa sem fábulas, o anjo que consigo pendurar em qualquer nuvem. De ouro e trigo a luz encaracolada em tua cabeça, a areia que acaba onde começa a linha de teu sexo. Estás comigo e não … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – O fotógrafo e a modelo

Adriano Nunes – Cantar é preciso

     para Antonio Cicero Cantar é preciso, Ainda que seja O vazio, o nada, A tristeza, a perda, O que quer que até Alcance a cabeça. Cantar e cantar, Mesmo que depois O existir se perca Na eterna estranheza Da cantiga, para Que o agora exerça A sua potência De luz, porque já Pouquíssimo importa Senão … Continue lendo Adriano Nunes – Cantar é preciso

Doug Dorph – Planeta esquecido

Peço à minha filha para nomear os planetas. "Vênus... Marte... e Plunis!", ela diz. Quando eu tinha seis ou sete anos, meu pai me acordou no meio da noite. Descemos até o playground e deitamos de costas no concreto em busca da chuva de meteoros anunciada na tv. Não me lembro de nenhum meteoro. Lembro-me … Continue lendo Doug Dorph – Planeta esquecido

Juan Vicente Piqueras – Lázaro se nega a ressuscitar

Um dia ouvi umas vozes que vinham de fora. Finalmente!, pensei, vozes de fora, vozes de outros que levam a luz dentro de si e que a soletram, que vem até mim do ar, e não de mim. Vozes que ao se aproximar eram sussurros. Passos que pararam diante da minha porta. Alguém disse: Aqui … Continue lendo Juan Vicente Piqueras – Lázaro se nega a ressuscitar

Joan Margarit – Último trem

Último trem Crematório de Collserola Se visses a chuva que enverniza o verde escuro e denso do jardim. Teu vagão solitário está chegando à sala espaçosa, sem adornos, nem mobiliário, nem nenhuma luminária, da Estación de Francia da morte. Só se ouve o murmúrio do motor que arrasta o peso da infância e da juventude … Continue lendo Joan Margarit – Último trem