Tishani Doshi – Poema de Amor

No fim, perderemos um ao outro para alguma coisa. Espero que para algo grandioso - morte ou desastre. Mas pode não ser dessa maneira. Pode ser que você saia para comprar cigarros uma manhã depois de termos feito amor e nunca mais retorne, ou eu me apaixone por outro homem. Pode ser uma lenta caminhada … Continue lendo Tishani Doshi – Poema de Amor

Emily Dickinson – “Morrer por ti era pouco…”

Morrer por ti era pouco. Qualquer grego o fizera. Viver é mais difícil — É esta a minha oferta — Morrer é nada, nem Mais. Porém viver importa Morte múltipla — sem O Alívio de estar morta. Trad.: Augusto de Campos Too scanty ’twas to die for you, The merest Greek could that. The living, … Continue lendo Emily Dickinson – “Morrer por ti era pouco…”

Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partir restará alguma coisa de mim no meu mundo – restará um fino rasto de silêncio no meio das vozes – um ténue sopro de branco no coração do azul – E numa noite de Novembro uma menina frágil à esquina de uma rua venderá braçadas de crisântemos e lá … Continue lendo Antonia Pozzi – Novembro

Jorge Luis Borges – Cambridge

Nova Inglaterra e a manhã. Dobro por Craigie. Penso (já pensei) que o nome Craigie é escocês e que a palavra crag é de origem celta. Penso (já pensei) que neste inverno estão os antigos invernos dos quais deixaram escrito que o caminho está prefixado e que já somos do Amor ou do Fogo. A … Continue lendo Jorge Luis Borges – Cambridge

Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto? Não os assustadores fantasmas do pensamento e da consciência. Não os longos corredores de hospitais com lâmpadas fluorescentes dia e noite. Nem sequer o tremor de irrealidade que permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janela e compreendes que tudo quanto vês … Continue lendo Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Alfredo Buxán – Lápide

Uma lágrima cai sobre a cal do solo, arde sob meus pés, consome na solidão minha solidão. Trad.: Nelson Santander     Alfredo Buxán - Lápida Una lágrima cae sobre la cal del suelo, arde bajo mis pies, abrasa en soledad mi soledad.  

Joan Margarit – Shostakovich. Sinfonia “Leningrado”

Lembras-te? Joana havia morrido. Íamos para o norte, tu e eu, no carro, para o apartamento junto ao mar, e ouvíamos esta sinfonia. Iniciamos a viagem em uma manhã luminosa e, dentro da música, o dia era de muros cobertos pelo gelo, vultos carregando sacos meio vazios e, no lago, trenós com cadáveres. Como uma … Continue lendo Joan Margarit – Shostakovich. Sinfonia “Leningrado”