Inês Lourenço – Sala Provisória

Nunca se sabe quando estamos num lugar pela última vez. Numa casa que vai ser demolida, numa sala provisória que vai encerrar, num velho café que mudará de ramo, como página virada jamais reaberta, como canção demasiado gasta, como abraço tornado irrepetível, numa porta a que não voltaremos.

Inês Lourenço – Consoantes Átonas

Emudecer o afe[c]to português? Amputar a consoante que anima a vibração exa[c]ta do abraço, a urgência tá[c]til do beijo. Eu não nasci nos Trópicos: preciso desta interna consoante para iluminar a névoa do meu dile[c]to norte.

Inês Lourenço – Balada dos Amores Difíceis

Não me refiro aos trágicos Romeu e Julieta Tristão e Isolda, Pedro e Inês nem a alguns ignorados ícones como Yourcenar e Grace ou Rimbaud e Verlaine. Refiro-me aos que se buscam sem saber nada do fogo que arde sem se ver, órficos cantos, mas côncavos e convexos se combinam cruzando genes e transitórios tempos … Continue lendo Inês Lourenço – Balada dos Amores Difíceis

Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezo pelo que é transitório e finito. Não servirei senhor que possa morrer. Mas passamos a vida a amar todas as fragilidades das coisas que cessam. Há coisa mais breve do que um sorriso? Coisa mais curta que a alegria de um reencontro? Tudo o que amamos é passageiro e frágil ou as duas … Continue lendo Inês Lourenço – As Coisa que Cessam