Categoria: Charles Simic
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Charles Simic — Shelley

“Shelley”, um poema de Charles Simic em que a descoberta da poesia se entrelaça a uma noite chuvosa em Nova York, criando um cenário de estranheza e epifania, onde a voz do poeta romântico ecoa entre ruas desertas, figuras enigmáticas e vislumbres de um mundo à beira do delírio.
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Charles Simic – O dicionário

“O Dicionário”, um poema de Charles Simic que revela, entre palavras não ditas e luz matinal, a busca por significados ocultos na simplicidade do cotidiano.
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Charles Simic – Minha contenda com o Infinito

Eu preferia o fugaz,Como a lembrança de um gole de vinhoDe nobre safraNa língua, de olhos fechados… Quando me tocaste no ombro,Ó luz, inexprimível em teu esplendor,Em nada me ajudaste.Apenas prolongaste minha insônia. Estava absorto no espetáculo,Secretamente lamentando o fugidio:Todos os seus beijos e encantosProvisórios, de vida breve. Aqui, com o novo dia surgindo,E um…
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Charles Simic – O ausente

Alguém está chegando tarde em casa.A lâmpada deixada para ele na janelaArde à medida que o dia amanhece,E arderá ainda por muitos meses. Nossa pequena rua é escura à noite.As gaiolas são cobertas cedo.Os peixinhos dourados mal se mexem em seus aquários.Até mesmo as luzes da varanda estão apagadas, Deixando apenas a janela acesaPara as…
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Charles Simic – Na Biblioteca

Para Octavio Há um livro chamado“Um Dicionário dos Anjos”.Ninguém o abre há cinquenta anos,Eu sei, porque quando o fizAs capas rangeram, as páginasdesmancham-se. Nele descobriQue os anjos eram tão abundantesQuanto moscas. Ao entardecer, o céuCostumava ficar repleto deles.Você precisava agitar os dois braçosApenas para mante-los à distância.Agora o sol brilhaAtravés de altas janelas.A biblioteca é…
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Charles Simic – Medo

O medo passa de homem para homemInconscientemente,Como uma folha passa o seu estremecimentoPara outra. De repente, a árvore toda está tremendo,E não há nenhum sinal do vento. Trad.: Nelson Santander Fear Fear passes from man to manUnknowing,As one leaf passes its shudderTo another. All at once the whole tree is trembling,And there is no sign…
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Charles Simic – Igreja de madeira

É só uma choupana fechada com uma torreSob o céu de um verão escaldanteEm uma estrada secundária percorrida raramenteOnde as sombras de árvores grandesRoçam-se tranquilamente como forcas enfileiradas,E corvos privados de carniçaGrasnam uns com os outros sobre dias melhores. A congregação talvez ainda esteja em oração.Das fotos salpicadas, famílias de fazendeiros Enfileiradas com suas cabeças…
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Charles Simic – O altar

A estátua de plástico da VirgemEm cima de uma penteadeiraCom um espelho enegrecidoDe um salão de beleza de pesadelo. Dois seixos do túmulo de um astro de rock,Um pequeno e sorridente macaco de dar corda,Uma concha, uma moeda egípcia de bronze,E o canhoto vermelho de um ingresso de cinema. Uma mancha de luz solar na…
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Charles Simic – O dicionário

Talvez haja uma palavra em algum lugarpara descrever o mundo nesta manhã,uma palavra para o jeito como a primeira luzse deleita em perseguir as sombraspelas vitrines e entradas das lojas. Outra palavra para o modo como ela se detémsobre um par de óculos de aros finosque alguém deixou cair na calçadana noite passada e cambaleou…
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Charles Simic – Na Biblioteca

Para Octavio Há um livro chamado “Um Dicionário dos Anjos”. Não foi aberto por ninguém em cinquenta anos, Eu sei, porque quando o fiz As capas rangeram, as páginas desintegraram-se. Nele descobri Que os anjos já foram tão abundantes Quanto moscas. O céu ao entardecer Costumava ficar repleto deles. Você precisava agitar ambos os braços…