Tag: Manuel António Pina
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Manuel António Pina – Eugénio de Andrade no seu leito de morte

“Eugénio de Andrade no seu leito de morte”, um poema de Manuel António Pina
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Manuel António Pina – Extrema-unção

Um poema tocante sobre a inevitabilidade da morte e a preparação para a despedida. O autor expressa a pressa e o cansaço do protagonista, em contraste com as tarefas práticas e cerimônias que antecedem o fim. A obra convida à reflexão sobre a vida e a morte.
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Manuel António Pina – Quinquagésimo ano

“Quinquagésimo ano”, de Manuel António PIna: são muitos dias que passam, e o tempo avança sem pressa. A vida e a literatura se entrelaçam, tornando-se uma só. Restam memórias e livros, mas a busca por sentido continua.
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Manuel António Pina – Café do molhe
Perguntavas-me(ou talvez não tenhas sidotu, mas só a tinaquele tempo eu ouvia) por que a poesia,e não outra coisa qualquer:a filosofia, o futebol, alguma mulher?Eu não sabia que a resposta estavanuma certa estrofe deum certo poema deFrei Luis de Léon que Poe (acho que era Poe)conhecia de cor,em castelhano e tudo.Porém se o soubesse de…
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Manuel António Pina – Corpo Presente

Toda a casa suspenderaa respiraçãoincapaz de contertamanha desproporção, e eu próprio desapareceraalgures na sala, entre a tua vida e a tua morte.Atenderam o telefonefalando baixo, temendo que regressassecada coisa do teu lugarsem estar prontos aindapara a tua solidão. Faltava muitopara podermos perceber,muitos passos para chegarmosaonde sempre estivéramos: mais perto do tédio do que da esperança,da…
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Manuel António Pina – Sexta-feira Santa

A conversa era sobre Deus,embora o teólogo estivesse inclinadoa pensar que fosse sobre outra coisa,pois era hora de jantar.Pegou num cigarro e perguntou às senhoras se podia fumar.Tinha devorado o pargo com honesto apetitee elogiava as virtudes do cozinheiro.Só Deus, algures, chorava sobreos despojos da sua pequena criatura na travessaa caminho da copa, antes da…
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Manuel António Pina – Café Orfeu

Nunca tinha caídode tamanha altura em mimantes de ter subidoàs alturas do teu sorriso. Regressava do teu sorrisocomo de uma súbita ausênciaou como se tivesse lá ficadoe outro é que tivesse regressado. Fora do teu sorrisoa minha vida pareciaa vida de outra pessoaque fora de mim a vivia. E a que eu regressava lentamentecomo se…
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Manuel António Pina – Numa Estação de Metrô

A minha juventude passou e eu não estava lá.Pensava em outra coisa, olhava noutra direção.Os melhores anos da minha vida perdidos por distração! Rosalinda, a das róseas coxas, onde está?Belinda, Brunilda, Cremilda, quem serão?Provavelmente professoras de Alemãoem colégios fora do tempo e do espa- ço! Hoje, antigamente, ele tê-las-iaamado de um amor imprudente e impudente,como…
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Manuel António Pina – As vozes

A infância vempé ante pésobe as escadase bate à porta – Quem é?– É a mãe morta– São coisas passadas– Não é ninguém Tantas vozes fora de nós!E se somos nós quem está lá forae bate à porta? E se nos fomos embora?E se ficamos sós? REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 12/02/2019 Mais…
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Manuel António Pina – A Canção dos Adultos

Parece que crescemos mas não.Somos sempre do mesmo tamanho.as coisas que à volta estãoé que mudam de tamanho. Parece que crescemos mas não crescemos.São as coisas grandes que há,o amor que há, a alegria que há,que estão a ficar mais pequenos. Ficam de nós distantesque às vezes já mal os vemos.Por isso parece que crescemose…