Tag: Ferreira Gullar
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Ferreira Gullar – Nova Concepção da Morte

Como ia morrer, foi-lhe dado o avisona carne, como sempre ocorre aos seres vivos; um aviso, um sinal, que não lhe veio de fora,mas do fundo do corpo, onde a morte mora, ou, dizendo melhor, onde ela circulacomo a eletricidade ou o medo, na medula dos ossos e em cada enzima, que veicula,no processo da…
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Ferreira Gullar – Filhos

A meu filho Marcos Daqui escuteiquando eleschegaram rindoe correndoentraramna salae logoinvadiram tambémo escritório(onde eu trabalhava)num alvoroçoe rindo e correndose foramcom sua alegriase foramSó entãome pergunteipor quenão lhes deramaioratençãose há tantose tantosanosnão os via criançasjá queagoraestão os trêscom maisde trinta anos. REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 28/03/2016
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Ferreira Gullar – Anoitecer em Outubro

A noite cai, chove manso lá fora meu gato dorme enrodilhado na cadeiraNum dia qualquer não existirá mais nenhum de nós doispara ouvir nesta salaa chuva que eventualmente caia sobre as calçadas da rua Duvivier REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 23/02/2016
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Ferreira Gullar -Aprendizado

Do mesmo modo que te abriste à alegria abre-te agora ao sofrimentoque é fruto delae seu avesso ardente. Do mesmo modo que da alegria foste ao fundo e te perdeste nela e te achaste nessa perda deixa que a dor se exerça agorasem mentirasnem desculpas e em tua carne vaporize toda ilusão que a vida…
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Ferreira Gullar – Galo Galo

O galono saguão quieto. Galo galode alarmante crista, guerreiro,medieval. De córneo bico eesporões, armadocontra a morte,passeia. Mede os passos. Pára.Inclina a cabeça coroadadentro do silêncio:— que faço entre coisas ?— de que me defendo ? Anda No saguão.O cimento esqueceo seu último passo. Galo: as penas queflorescem da carne silenciosae o duro bico e as…
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Ferreira Gullar – Voltas Para Casa

Depois de um dia inteiro de trabalhovoltas para casa, cansado.Já é noite em teu bairro e as mocinhasde calças compridas desceram para a portaapós o jantar.Os namorados vão ao cinema.As empregadas surgem das entradas de serviço.Caminhas na calçada escura.Consumiste o dia numa sala fechada,lidando com papéis e números.Telefonaste, escreveste,irritações e simpatias surgiram e desapareceramno fluir…
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Ferreira Gullar – Lições de um gato siamês

“Lições de um gato siamês”, um poema de Ferreira Gullar que explora a relação entre o tempo e a existência, revelando uma visão profunda sobre a eternidade e a efemeridade da vida.
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Ferreira Gullar – Fim

“Fim”, um poema de Ferreira Gullar sobre os últimos momentos silenciosos de uma vida que se encerra inesperadamente.

