Lisel Mueller – Coisas

O que aconteceu é que nos sentimos solitáriosvivendo entre as coisas,por isso demos ao relógio um rosto,à cadeira um encosto,à mesa quatro pernas robustasque jamais sofrerão fadiga. Calçamos nossos sapatos que têm línguastão macias quanto as nossase penduramos linguetas dentro dos sinospara podermos ouvirsua linguagem emocional, e porque adoramos perfis elegantesa jarra recebeu boca,a garrafa … Continue lendo Lisel Mueller – Coisas

Lisel Mueller – Românticos

Românticos Johannes Brahms e Clara Schumann Os biógrafos modernos se preocupamem “o quão longe” foi sua terna amizade.Eles se perguntam o que exatamente significaquando ele escreve que pensa nela constantemente,seu anjo da guarda, amada amiga.Os biógrafos modernos fazem a rude e irrelevante indagaçãode nossa era como se o eventode dois corpos entrelaçados estabelecesse a medida … Continue lendo Lisel Mueller – Românticos

Lisel Mueller – Imortalidade

No castelo da Bela Adormecidao relógio bate cem anose a garota na torre volta ao mundo.O mesmo ocorre com os criados na cozinha,que nem sequer esfregam os olhos.A mão direita do cozinheiro, levantadahá exatamente um século,completa seu arco descendenteaté a orelha esquerda do ajudante de cozinha;as tensas cordas vocais do garotolibertam finalmenteo sofrido lamento aprisionado,e … Continue lendo Lisel Mueller – Imortalidade

Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntam como comecei a escrever poesia, eu falo da indiferença da natureza. Foi logo depois que minha mãe faleceu, um brilhante dia de junho no qual tudo florescia. Sentei-me em um banco de pedra acinzentado em um jardim carinhosamente cultivado, mas os lírios eram tão surdos quanto os bêbados adormecidos e as rosas … Continue lendo Lisel Mueller – Quando me perguntam