Categoria: David Mourão-Ferreira
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David Mourão-Ferreira – Soneto do cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosãoDe tantas sensações contraditórias;A sórdida mistura das memórias,Tão longe da verdade e da invenção; O espelho deformante; a profusãoDe frases insensatas, incensórias;A cúmplice partilha nas históriasDo que os outros dirão ou não dirão; Se é sem dúvida Amor a cobardiaDe buscar nos lençóis a mais sombriaRazão de encantamento e…
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David Mourão-Ferreira – Praia do Paraíso

Era a primeiraVez que nus os nossos corposApesar da penumbra à vontade se olhavamSurpresos de saber que tinham tantos olhosQue podiam ser luz de tantos candelabrosEra a primeira vez cerrados os estoresSó o rumor do mar permanecera em casaE sabias a sal, e cheiravas a limosQue tivesses ouvido o canto das cigarrasHavia mais que céu…
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David Mourão-Ferreira – Ladainha dos Póstumos Natais

Ladainha dos Póstumos Natais, um poema de David Mourão-Ferreira sobre o Natal
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David Mourão-Ferreira – E por vezes

E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos. E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos E por vezes fingimos que lembramos E por vezes lembramos que por…
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David Mourão-Ferreira – Testamento

Que fique só da minha vida um monumento de palavras Mas não de prata Nem de cinza Antes de lava Antes de nada Daquele nada que se aviva quando se arrisca uma viagem por entre os pântanos da ira além do sol das barricadas Ou quando um poço que cintila parece o tecto de uma…
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David Mourão-Ferreira – Herança

Ouvir, ouvir de noite uma ambulância, E desejar que estejas a morrer; Fechar a porta à minha própria infância; Amigos, conhecidos, nem os ver; Quebrar nas mãos o aro da esperança; Mas de mim para mim depois dizer: “Calma! Quem nada espera tudo alcança…”; E guardar o revólver; e beber, A sós, o vinho que…
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David Mourão-Ferreira – Soneto do cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosão De tantas sensações contraditórias; A sórdida mistura das memórias, Tão longe da verdade e da invenção; O espelho deformante; a profusão De frases insensatas, incensórias; A cúmplice partilha nas histórias Do que os outros dirão ou não dirão; Se é sem dúvida Amor a cobardia De buscar nos…
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David Mourão-Ferreira – Praia do Paraíso

Era a primeira Vez que nus os nossos corpos Apesar da penumbra à vontade se olhavam Surpresos de saber que tinham tantos olhos Que podiam ser luz de tantos candelabros Era a primeira vez cerrados os estores Só o rumor do mar permanecera em casa E sabias a sal, e cheiravas a limos Que tivesses…