Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ex libris

Eu reli novamente aqueles versosque falavam de amor e que lemosna noite em que ardeu Troia e nos perdemosno fundo de seus negros universos. Ouvi em cada folha os maciosrelevos de tua pele em que achamoshaver bebido ao sol em seus racemose ao mar que refletia em seus cicios fartos nossa ascensão ao precipício.Fareja-se a … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ex libris

Jorge Valdés Días-Vélez – O olival

"O olival", um poema de Jorge Valdés Días-Vélez Não direi a oração que se pronuncia em outras ocasiões como esta. Eu vim para enterrar-te. E o meu silêncio é o outro lugar para onde foste. Porque não há mais verdade do que a tua memória e nada a dizer que tu não saibas (...)

Jorge Valdés Díaz-Vélez – O fotógrafo e a modelo

O tempo que foi sempre teu inimigo se deteve em tua imagem. Já és aquela garota do calendário, a princesa sem fábulas, o anjo que consigo pendurar em qualquer nuvem. De ouro e trigo a luz encaracolada em tua cabeça, a areia que acaba onde começa a linha de teu sexo. Estás comigo e não … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – O fotógrafo e a modelo

Jorge Valdés Díaz-Vélez – Cruzeiro do Sul

Ardem as folhas do outono na umidade crepuscular de Buenos Aires. Contra um parque dividido por três colinas, a opacidade de sua beleza procura nas folhagens o olhar que acompanhou a luz. As lâmpadas douradas mantêm suas memórias e acendem sombras no gramado. Ao entardecer, se organizam o horizonte de troncos e o suave tato … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – Cruzeiro do Sul

Jorge Valdés Díaz-Vélez – Canção de fevereiro

Canção de fevereiro no peito do céu, palpitando Jaime Gil de Biedma Leve e triste, a tarde se retira contigo até o crepúsculo e as horas começam a doer nas dobras distantes do lençol. Subitamente a noite regressou e é difícil não pensar em teus efêmeros lábios ou nas altas regiões do teu corpo glorificando … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – Canção de fevereiro

Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ishmar

            para Martha Iga A maneira de pentear-te nua diante do espelho úmido do banheiro, de prender na palma teus cabelos para fazer correr a água e de agachar-te no meio de palavras que não entendo; o ato de secar tua pele, a forma de sentir com os dedos uma ruga que ontem não estava, ou … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ishmar

Jorge Valdés Díaz-Vélez – O material do relâmpago

Calculaste em detalhes cada passo, sutil, há muitos séculos. Finalmente teu marido viajou e as crianças foram dormir com os avós. Estás agora sozinha e eufórica voltaste-te a se maquiar e vestiste-te de preto rigoroso e perfumaste tua mínima porção de lingerie. Estás tremendo, dizes a ti mesma, mas nada te fará voltar atrás. Olhas … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – O material do relâmpago

Jorge Valdés Díaz-Vélez – S.T.T.R. Sit Tibi Terra Levis

Hoje recordo os mortos de minha casa Octavio Paz De todos os nossos mortos jamais nos esqueceremos do primeiro. O meu habita a raiz do outono, sob os álamos. Sua lembrança me oferece um arbusto, ao tempo em que se inclina com os braços abertos de outros dias. Lembro-me de sua estatura nas sombras a … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – S.T.T.R. Sit Tibi Terra Levis

Jorge Valdés Díaz-Vélez – Naquele agora

As chances de encontrar-te novamente eram remotas. Uma em um bilhão. E havendo infinitos lugares dispersos pelos números de um cálculo improvável, quem imaginaria que eu te veria naquela cantina, transformando-te na luz daqueles tempos felizes, ou isso quiseram crer, anos atrás, aqueles dois que fomos. Estavas ali, de repente e sem aviso prévio, com … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – Naquele agora