Mês: abril 2017
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Nelson Santander – Que a Terra lhe seja Leve

“Que a terra lhe seja leve”, uma crônica de Nelson Santander
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Carlos Drummond de Andrade – Os Gregorianos

Um amigo que tem consciência exacerbada do tempo confia-me que, depois de certo ponto (ele não usa a palavra idade), a vida já não oferece acontecimentos, e sim comemorações. — Por mais que o sujeito faça, não consegue realmente mover-se. Fica parado diante de formas movediças, como naquele romance do Zé Lins do Rego, que…
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Philip Larkin – Conversar na Cama

Conversar na cama devia ser mais fácil Dois deitados juntos — é desde há muito Um símbolo de duas pessoas sendo francas. Ainda que mais e mais tempo passe em silêncio. Lá fora, a intérmina inquietação do vento Amontoa e dispersa nuvens pelo céu. E cidades escuras se empilham no horizonte. Nada disso se importa…
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Philip Larkin – A Primeira Coisa

A primeira coisa Que entendi foi esta: Tempo é o eco de um machado Dentro da floresta. Trad.: Luiz Roberto Guedes
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Philip Larkin – A Igreja Indo-se…

Quando estou certo de que nada está ocorrendo, Eu entro, e se ouve um baque quando eu solto a porta. Mais uma igreja: bancos, panos, pedra, além dos Livrinhos; as juncadas secas, que se cortam Para o domingo; bronze e objetos a cobrir o Altar; um órgão impecável e pequeno; Silêncio tenso, de bolor, que…
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T. S. Eliot – Os Homens Ocos

“A penny for the Old Guy” (Um pêni para o Velho Guy) INós somos os homens ocosOs homens empalhadosUns nos outros amparadosO elmo cheio de nada. Ai de nós!Nossas vozes dessecadas,Quando juntos sussurramos,São quietas e inexpressasComo o vento na relva secaOu pés de ratos sobre cacosEm nossa adega evaporada Forma sem forma, sombra sem corForça paralisada,…
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Álvaro de Campos – Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado…
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José Saramago – Não me Peçam Razões

Não me peçam razões… Não me peçam razões, que não as tenho, Ou darei quantas queiram: bem sabemos Que razões são palavras, todas nascem Da mansa hipocrisia que aprendemos. Não me peçam razões por que se entenda A força de maré que me enche o peito, Este estar mal no mundo e nesta lei: Não…
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Fernando Pessoa – Autopsicografia

O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a…