Fleur Adcock – Para uma criança de cinco anos

Um caracol escala o peitoril da janelado seu quarto, depois de uma noite dechuva. Você me chama para ver,e eu explico que seria cruel deixa-lo lá: ele pode rastejar até o chão; devemos cuidar para que ninguém o esmague. Você entende e o carrega para fora, com mão diligente,para comer uma flor amarela.Vejo, então, que … Continue lendo Fleur Adcock – Para uma criança de cinco anos

Mark Wunderlich – Peônias

No pátio, as peônias rebentam em brancos corações,rebordos arredondados que desabrocham apenas para elas.Sua simplicidade, a lâmina disso, fende a manhã. Neste Brooklyn de pátios aureolados por arames farpadose roupas sujas balançando como bandeiras de rendição,vapor de resina flutuando até essas janelas, sombras viajando dos pulmões de um fumante,eu observo o helicóptero da polícia ameaçar … Continue lendo Mark Wunderlich – Peônias

Lisel Mueller – Românticos

Românticos Johannes Brahms e Clara Schumann Os biógrafos modernos se preocupamem “o quão longe” foi sua terna amizade.Eles se perguntam o que exatamente significaquando ele escreve que pensa nela constantemente,seu anjo da guarda, amada amiga.Os biógrafos modernos fazem a rude e irrelevante indagaçãode nossa era como se o eventode dois corpos entrelaçados estabelecesse a medida … Continue lendo Lisel Mueller – Românticos

Patricia Hampl – É assim que a memória funciona

Você está desembarcando de um trem.Uma noite úmida e vazia, o cheiro de cinzas.Uma rajada de vapor vinda da locomotiva rodopiaao redor da bainha do seu sobretudo, ao redorda mão que segura a valise de couro marrom,a mão que, há pouco, penteou para tráso cabelo e em seguida ajeitou o fedoradefronte a um espelho com … Continue lendo Patricia Hampl – É assim que a memória funciona

Howard Nemerov – Figuras de pensamento

Colocar a espiral logarítmica naConcha e no papel, e vê-las se encaixar,Observar a mesma ideia funcionarNa subida do piloto de caça, ajustando a mira Em seu alvo, preparando a matança,E no voo de certos insetos estrábicosQue não conseguem ver que voam para a morteMas têm que lançar nela seu olhar de esguelhaE dirigir-se, mas girando, … Continue lendo Howard Nemerov – Figuras de pensamento

William Blake – A mosca

Pequena Mosca, Teus jogos de estio Minha irrefletida Mão os destruiu. Pois como tu, Mosca não sou eu? E não és tu Homem como eu? Eu canto e danço e Bebo, até que vem Mão cega arrancar-me As asas também. Se é o pensamento Vida, sopro forte, E a ausência do Pensamento morte, Então eu … Continue lendo William Blake – A mosca

Linda Pastan – Chove sobre a casa de Anne Frank

Chove sobre a casade Anne Franke sobre os turistasamontoados sob a sombrade seus guarda-chuvas,sobre os perfeitamente silenciososturistas que prefeririam estarem outro lugarmas que aqui esperam em escadastão íngremes pelas quais eles devem subirpara alguma ocasiãono alto do sótão vazio,no banheiro pitoresco,no esqueletode uma cozinhaou no mapa —cada uma de suas setasuma farpa de arame —com … Continue lendo Linda Pastan – Chove sobre a casa de Anne Frank

Robert Morgan – Outono branco

Ela sempre gostou de ler, inclusivena infância, durante a Guerra da Secessão,e depois desenvolveu o hábito de ficar acordadajunto ao lampião perto da lareira depois que,concluída a faxina, o marido e os filhos iam dormir.Ela alimentou o vício nos anos durosda Reconstrução e mesmo depois queo seu marido morreu e ela foi forçada a prover … Continue lendo Robert Morgan – Outono branco

Leonard Nathan – Brinde

Houve uma mulher em Ithacaque chorou baixinho a noite todano quarto ao lado e desamparadome apaixonei por ela sob o mantode neve que se depositou em todos os telhadosda cidade, preenchendocada escura depressão. Na manhã seguinteno café do motelestudei todas as mulheres de rostosmaquiados. Teria sido a loira de meia idadeque brincou com a garçoneteou a … Continue lendo Leonard Nathan – Brinde

James Kirkup – Ursa Maior

Suspensa entre os álamos domesticados no fimda avenida familiar, a UrsaMaior, em sua rede iluminada, balança,como um portão abandonado que nem barra nem convida para entrar,e pendura no poste arqueado sua silhueta de sete pontas. Desenhada com a precisão de um problema desconhecidosolucionado na sala de aula mais alta do céu vazio,ela revela sobre o … Continue lendo James Kirkup – Ursa Maior