Robyn Sarah – Rebitados

É possível que as coisas não fiquem melhoresdo que estão agora, ou como imaginamos que estejam.É possível que já tenhamos ultrapassado o meio agora.É possível que tenhamos cruzado as Grandes Águassem sabe-lo, e que agora estejamos do outro lado. Sim, acho que já as atravessamos. Agora estamos recebendo ingressos, e eles não são ingressos para … Continue lendo Robyn Sarah – Rebitados

Una Mannion – Sepultado agachado

Eles deslocam a terra com pequenas espátulas e pincéis epor toda a semana as focas entoam um refrão desolado como se fosse para você.Primeiro, o pé de uma pequena criança,movimentos lentos do pincel em seus ossinhos,sua forma na vala, ganhando definição, um lento nascimentono canto do campo à beira da água. Você está deitado de … Continue lendo Una Mannion – Sepultado agachado

Lisel Mueller – Imortalidade

No castelo da Bela Adormecidao relógio bate cem anose a garota na torre volta ao mundo.O mesmo ocorre com os criados na cozinha,que nem sequer esfregam os olhos.A mão direita do cozinheiro, levantadahá exatamente um século,completa seu arco descendenteaté a orelha esquerda do ajudante de cozinha;as tensas cordas vocais do garotolibertam finalmenteo sofrido lamento aprisionado,e … Continue lendo Lisel Mueller – Imortalidade

Jeanne Marie Beaumont – Receio que sim

Está começando a chover?O cheque foi devolvido?Estamos sem café?Vai doer?Você pode perder seu emprego?O vidro quebrou?A bagagem foi extraviada?Vai ficar na minha ficha?Você está perdendo muito dinheiro?Alguém ficou ferido? O trânsito está pesado?Eu tenho que tirar minhas roupas?Vai deixar uma cicatriz?Você tem que ir?Isso sairá nos jornais?Meu tempo já acabou?Veremos o substituto?Afetará a minha visão?Todos … Continue lendo Jeanne Marie Beaumont – Receio que sim

Frank O’Hara – Animais

Você já se esqueceu de como éramos quando éramos de primeira linhae o dia vinha gordo com uma maçã em sua boca não vale a pena se preocupar com o Tempo mas nós tínhamos alguns truques nas mangase dobramos algumas esquinas afiadas todo pasto parecia nossa refeiçãonão precisávamos de velocímetrospodíamos gerenciar coquetéis sem gelo e … Continue lendo Frank O’Hara – Animais

Ellen Bass – O panorama geral

Eu tento ver o panorama geral.O sol, língua ardenteque nos lambe como uma mãe encantada por sua nova cria, se consumirá.Tudo é transitório.Pense no meteoro que aniquilou os dinossauros.E antes disso, nos vulcõesdo Permiano — todas aquelas samambaias e répteis, tubarões e peixes ósseos queimados —que foram extintos em uma escalaque faz com que nossas … Continue lendo Ellen Bass – O panorama geral

Ada Limón – O fim da poesia

Chega de ósseos e pássaro e girassole calçados de neve, bordo e brotos, sâmara e sementes,chega de chiaroscuro, chega de portanto e profeciae estoicos estancieiros e fé e pai nosso e acimade todos, chega de parças e peito*, tez e deusque não esquece e corpos estelares e pássaros congelados,chega de vontade de prosseguir e de … Continue lendo Ada Limón – O fim da poesia

Louise Glück – Encruzilhada

Corpo meu, agora que não viajaremos juntos por muito mais tempo,começo a sentir uma nova ternura por ti, muito crua e pouco familiar,como a lembrança que tenho do amor quando eu era jovem — amor que foi tantas vezes tolo em seus objetivosmas nunca em suas escolhas, suas intensidadesMuito exigido com antecedência para muito que … Continue lendo Louise Glück – Encruzilhada

Philip Larkin – Canções de amor na velhice

Ela guardou canções, tomavam pouco espaçoE as capas lhe eram belas:Uma que apanhou sol e de matizes baços;Uma cheia de círculos de jarra d´água;Uma colada, num “acesso de ordem” dela,E colorida, pela filha – aguar-daram assim, até que em sua viuvez asAchou, procurando algo, e pôs-se dessa vez a Reaprender como cada acorde, obedienteE franco, … Continue lendo Philip Larkin – Canções de amor na velhice