William Butler Yeats – A torre

1 O que farei com esta absurdidade, Esta caricatura, coração? Decrepitude atada à minha idade Como à cauda de um cão? Jamais terei sentido Tão grande, tão apaixonada, tão incrível A fantasia, nem houve olho e ouvido Que mais quisessem o impossível - Não, nem quando menino, com inseto e anzol, Ou mais humilde verme, … Continue lendo William Butler Yeats – A torre

Paul Verlaine – Arte poética

Arte Poética      A Charles Morice Antes de tudo, a Música. Preza Portanto o Ímpar. Só cabe usar O que é mais vago e solúvel no ar, Sem nada em si que pousa ou que pesa. Pesar palavras será preciso, Mas com algum desdém pela pinça: Nada melhor do que a canção cinza Onde o Indeciso … Continue lendo Paul Verlaine – Arte poética

Emily Dickinson – Poema 1.222

O Enigma decifrado Despreza-se com pressa — A Surpresa de Ontem Já não nos interessa — Trad.: Augusto de Campos Poem 1.222 The Riddle we can guess We speedily despise — Not anything is stale so long As Yesterday's surprise —

Rainer Maria Rilker – A Morte da Amada

Da morte ele sabia quase nada: que nos toma e nos cala de repente. Como a amada não fora arrebatada, antes se desprendera docemente do seu olhar para a morada escura, e como percebeu que à outra vida como uma lua plena a formosura da visitante fora concedida, dos mortos se tornou tão familiar que … Continue lendo Rainer Maria Rilker – A Morte da Amada

Tristan Corbière – Paisagem má

Praias de ossos. A onda estertora Seus dobres, som a som, na areia. Palude pálido. O luar devora Grandes vermes – é a sua ceia. Torpor de peste: somente a febre Coze… O duende danado dorme. A erva que fede vomita a lebre, Bruxa medrosa que se some. A lavadeira branca junta os Trapos surrados … Continue lendo Tristan Corbière – Paisagem má

Jules Laforgue – Penúltima palavra

O Espaço? – A vida Ida Sem traço. O amor? – Seu preço: Desprezo E dor. O sonho? – Infindo, É lindo (Suponho). Que vou Fazer Do ser Que sou? Isto, Aquilo, Aqui, Ali. Trad.: Augusto de Campos   Avant-dernier mot L'Espace? – Mon Coeur Y meurt Sans traces... La Femme? – J'en sors, La … Continue lendo Jules Laforgue – Penúltima palavra

Tristan Corbière – Epitáfio

Epitáfio Salvo os amorosos principiantes ou findos que querem principiar pelo fim há tantas coisas que findam pelo princípio que o princípio principia a findar por estar no fim o fim disso é que os amorosos e outros findarão por principiar a reprincipiar por esse princípio que terá findo por não ser mais que o … Continue lendo Tristan Corbière – Epitáfio

François Villon – Balada dos Enforcados

Irmãos humanos que ao redor viveis, Não nos olheis com duro coração, Pois se aos pobres de nós absolveis Também a vós Deus vos dará perdão. Aqui nos vedes presos, cinco, seis: Quanto era cara viva que comia Foi devorado e em pouco apodrecia. Ficamos, cinza e pó, os ossos, sós. Que de nossa aflição … Continue lendo François Villon – Balada dos Enforcados

Emily Dickinson – de “Não sou ninguém”

27 Poetas mártires — não clamam — A Dor em sílabas transmudam — Falam por eles seus poemas — Quando já estejam mudos. Pintores mártires — Não falam — Com sua Obra eles almejam Que quando já não sejam mais — Alguns busquem na Arte — a Paz — Trad.: Augusto de Campos The Martyr … Continue lendo Emily Dickinson – de “Não sou ninguém”