Hans Magnus Enzensberger – Anúncio de pedra

Perdem-se o cabelo, os nervos, vocês entendem, o tempo precioso, perde-se altura no posto perdido, brilho, sinto muito, não faz mal, por pontos, não me interrompam, perde-se sangue, pai e mãe, o coração perdido de Heidelberg, sem pestanejar perdem-se, de novo, os encantos da novidade, passe-se um esponja, os direitos civis, oh sim, a cabeça, … Continue lendo Hans Magnus Enzensberger – Anúncio de pedra

Hans Magnus Enzensberger – A Visita

Quando levantei os olhos da página em branco havia um anjo no quarto. Um anjo bastante comum presumivelmente de menor hierarquia. Você não pode imaginar, ele disse, o tanto que você é dispensável. Dos quinze mil tons de azul, ele disse, cada um faz mais diferença Do que tudo que você possa fazer ou deixar … Continue lendo Hans Magnus Enzensberger – A Visita

Hans Magnus Enzensberger – Discurso pós-jantar em um noivado

Este eu, um invólucro que, contanto que ninguém o abra, parece compacto, regular como um Kinder ovo, quase apetitoso. Só por dentro é escuro. Quem sabe o que estará esperando por você lá. Obsessões, sem dúvida, hábitos enferrujados, medos incompreensíveis, truques de segunda mão, desejos infantis. Que você deseje tê-la, esta caixa de presente, beira … Continue lendo Hans Magnus Enzensberger – Discurso pós-jantar em um noivado

Hans Magnus Enzensberger – Hábitos

Quantas vezes Platão assoou o nariz, e São Tomás de Aquino tirou os sapatos, quantas vezes Einstein escovou os dentes, e Kafka ligou e desligou a luz, antes de enfim chegarem ao que lhes cabia fazer? Semanas sem fim, feitas as contas, levamos abotoar e desabotoar camisas, procurar os óculos ou, tomada a decisão, novamente … Continue lendo Hans Magnus Enzensberger – Hábitos