Bertrand Russell – de “No que acredito”

"Acredito que ao morrer apodrecerei e nada do meu eu sobreviverá. Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenho tremer de terror à ideia do aniquilamento. A felicidade não se torna menos verdadeira por ter que chegar ao fim, e o pensamento e o amor não perdem o seu valor por não durarem para … Continue lendo Bertrand Russell – de “No que acredito”

Rodrigo da Silva – Chegará um dia em que o seu coração parará de bater

Chegará um dia em que o seu coração parará de bater. A sua pupila dilatará. A sua pele ficará pálida e a sua temperatura corporal esfriará. Você ficará inteiramente esquálido; e então roxo. O seu sangue se tornará mais ácido com o acúmulo de dióxido de carbono. E as suas células começarão a se dividir, … Continue lendo Rodrigo da Silva – Chegará um dia em que o seu coração parará de bater

Henry Scott Holland – [A morte não é nada]

A morte não é nada. Ela não conta. Eu apenas passei para a sala vizinha. Nada aconteceu. Tudo permanece exatamente como sempre foi. Eu sou eu, e você é você, e a velha vida que vivemos carinhosamente juntos permanece intocada, inalterada. O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda o somos. Chame-me … Continue lendo Henry Scott Holland – [A morte não é nada]

Oscar Wilde – Da vaidade

"Por que você chora?”, perguntaram as Oreiades. “Choro por Narciso”. “Ah, não nos espanta que você chore por Narciso”, continuaram elas. “Afinal de contas, todas nós sempre corremos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza”. “Mas Narciso era belo?”, quis saber o lago. “Quem … Continue lendo Oscar Wilde – Da vaidade

Philip Roth – Patrimônio (excerto 2)

Ele morreu três semanas depois. Durante uma provação de doze horas, que começou pouco antes da meia-noite de 24 doutubro de 1989 e terminou logo após o meio-dia, ele lutou por cada sorvo de ar com uma erupção impressionante, uma derradeira exibição da tenacidade férrea que havia demonstrado ao longo da vida. Algo digno de … Continue lendo Philip Roth – Patrimônio (excerto 2)

Philip Roth – Patrimônio (excerto)

"Quando se visita uma sepultura, todo mundo tem pensamentos mais ou menos iguais, que, abstraída a questão da eloquência, não diferem muito daqueles que Hamlet expressou ao contemplar o crânio de Yorick. Há muito pouco para se pensar ou dizer que não seja uma variante de “Ele me carregou nos ombros mil vezes”. Num cemitério, … Continue lendo Philip Roth – Patrimônio (excerto)

Henri Michaux – Nós dois ainda

1948 Música do fogo, tu não soubeste tocar. Lançaste sobre a minha casa um pano negro. O que é este opaco em toda a parte? É o opaco que tapou o meu céu. O que é este silêncio em toda a parte? É o silêncio que calou o meu canto. * De esperança tinha-me bastado … Continue lendo Henri Michaux – Nós dois ainda

Nelson Santander – Mudança Singular

Resolvi mudar o blog. De hoje em diante, além de umas perfumarias que fiz na página, o blog passará a se chamar "singularidade". Por quê? Primeiro, porque o nome anterior era muito feio. A ideia de criar um blog para divulgar poemas (principalmente), textos, vídeos, traduções e outras coisas de que gosto, veio meio de … Continue lendo Nelson Santander – Mudança Singular

Machado de Assis – Último Capítulo (excerto)

"Há entre os suicidas um excelente costume, que é não deixar a vida sem dizer o motivo e as circunstâncias que os armam contra ela. Os que se vão calados, raramente é por orgulho; na maior parte dos casos ou não têm tempo, ou não sabem escrever. Costume excelente: em primeiro lugar, é um ato … Continue lendo Machado de Assis – Último Capítulo (excerto)