Ferreira Gullar – Ano Novo

Ferreira Gullar – Ano Novo

Meia-noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta).

REPUBLICAÇÃO. Poema publicado no blog originalmente em 10/04/2016.

Visualizações: 1

Receba novos poemas no seu e-mail

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Uma resposta para “Ferreira Gullar – Ano Novo”

  1. […] daquele primeiro Réveillon com a namoradinha? O beijo e as promessas de amor eterno ao som das rolhas de Cidra Cereser […]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *