Ellen Bass – Experimento de empatia

A cientista coloca cada rato
em sua própria caixa de vidro
e reproduz por trinta segundos
“What a Wonderful World.”
Nos últimos três segundos ela aplica um choque em um dos ratos.
Isto é seguido por noventa pulsações de silêncio.
E então o ciclo recomeça.

Enquanto ela descreve o experimento
não posso deixar de pensar
em como isso soa familiar – um minuto de
Louis Armstrong cantando
e no seguinte –
alguma febre ou soçobro, algum erro irreal.
E me sento segurando uma colher,
incapaz de leva-la à boca, incapaz
de largá-la.

Esta linhagem de ratos descende

de um circo no século XIX. Seus ancestrais
balançavam-se em trapézios de fitas de cetim
e saltavam através de minúsculos anéis de fogo.
Agora, nenhuma dessas habilidades pode salvá-los.

E olha só que coisa:
o rato que não leva o choque,
que apenas observa,
também entra em pânico. Isso é empatia.
Sentir o que outra criatura sente.

Mas às vezes é demais pedir
para que uma pessoa habite
a estranha região de um coração alheio.

Certa vez, empanturrada de dor,
disse a um amigo,
Só pare um pouco e imagine
que isso está acontecendo com você.

Ele olhou para frente
e disse: eu não quero.

Trad.: Nelson Santander

BASS, Ellen. “Experiment in Empathy”. In:_____Indigo. EUA: Copper Canyon Press, April 07, 2020.

Miniantologia Poética – 30

Experiment in Empathy

The scientist places each rat
in its own glass box
and for thirty seconds he plays
“What a Wonderful World.”
In the last three seconds, he shocks the rat.
This is followed by ninety beats of silence.
And then the cycle begins again.

As she describes it to me
I can’t help thinking
how familiar this is – one minute
Louis Armstrong singing
and the next –
some fever or wreck, some impossible mistake.
And I sit holding a spoon,
unable to lift it to my mouth, unable
to put it down.

This strain of rats descends 

from a circus in the 1800s. Their ancestors
swung on satin-ribboned trapezes
and leaped through tiny rings of fire.
Now, none of those skills can save them.

Feling what another creature feels.

And here’s the thing:
a rat who isn’t shocked,
who only watches,
panics too. That is empathy.

But sometimes it’s too much to ask
a person to inhabit
the strange region of a foreign heart.

Once, when I was in a glut of pain,
I said to a friend,
Just take an hour and imagine
this is happening to you.

She looked straight ahead
and said, I don’t want to.

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