Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Moça, arranca as rosas, não esperes até manhã.
Corta-as sem parar, desenfreadamente,
sem te deteres a pensar se são boas ou más.
Que não reste nenhuma. Acaba com os roseirais
que encontrares pelo caminho e deixa os espinhos
para tuas colegas do colégio. Desfruta
da luz e do ouro enquanto puderes e entrega
tua beleza a esse deus rechonchudo e melancólico
que passeia pelos jardins instilando veneno.
Goza lábios e línguas, arrebenta-te de prazer
com quem se deixar e não deixes que o outono
te surpreenda com a pele ressequida e sem um homem
(pelo menos) devorando as formas da tua alma.
E que a negra morte tente roubar o que viveste.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 28/08/2018

“Collige, virgo, rosas”

Niña, arranca las rosas, no esperes a mañana.
Córtalas a destajo, desaforadamente,
sin pararte a pensar si son malas o buenas.
Que no quede ni una. Púlete los rosales
que encuentres a tu paso y deja las espinas
para tus compañeras de colegio. Disfruta
de la luz y del oro mientras puedas y rinde
tu belleza a ese dios rechoncho y melancólico
que va por los jardines instilando veneno.
Goza labios y lengua, machácate de gusto
con quien se deje y no permitas que el otoño
te pille con la piel reseca y sin un hombre
(por lo menos) comiéndote las hechuras del alma.
Y que la negra muerte te quite lo bailado.

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