Moça, colhe as rosas, não esperes a manhã.
Corta-as sem hesitar, sem comedimento,
sem parar para pensar se são boas ou más.
Que não reste nenhuma. Poda os roseirais
que encontrares pelo caminho e deixa os espinhos
para tuas colegas do colégio. Desfruta
da luz e do ouro enquanto podes e consagra
tua beleza a esse deus rechonchudo e melancólico
que passeia pelos jardins espalhando veneno.
Goza lábios e línguas, deleita-te
com quem permitir, e não consintas que o outono
te surpreenda com a pele seca e sem um homem
(pelo menos) devorando a essência de tua alma.
E que a negra morte roube o que viveste.
Trad.: Nelson Santander
REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em 28/08/2018
“Collige, virgo, rosas”
Niña, arranca las rosas, no esperes a mañana.
Córtalas a destajo, desaforadamente,
sin pararte a pensar si son malas o buenas.
Que no quede ni una. Púlete los rosales
que encuentres a tu paso y deja las espinas
para tus compañeras de colegio. Disfruta
de la luz y del oro mientras puedas y rinde
tu belleza a ese dios rechoncho y melancólico
que va por los jardines instilando veneno.
Goza labios y lengua, machácate de gusto
con quien se deje y no permitas que el otoño
te pille con la piel reseca y sin un hombre
(por lo menos) comiéndote las hechuras del alma.
Y que la negra muerte te quite lo bailado.

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