Donizete Galvão – Solitude

Donizete Galvão – Solitude
Juntos, em solitude.
Cada qual com sua chaga.
Cada qual com sua cruz.
Dois corpos ardentes tão próximos,
separados pela geografia
que a mágoa desenha.
Entre os braços,
interpõem-se
desertos, salinas e dunas.
O amor morreu?
Não. Condenou-se.
Soterrou-se em veios
de duro e negro minério.
Duas árvores cujas raízes
trançaram-se rumo ao fundo.
Que frutos falhos e ásperos
nessas mãos antes tão íntimas,
que, mesmo durante o sono,
permanecem bem fechadas.
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