Ósip Mandelstam – O ar foi todo bebido e o pão, corrompido…

O ar foi todo bebido e o pão, corrompido.
Cicatrizar as feridas é tão custoso!
O jovem José, ao Egito vendido,
Não poderia estar mais desgostoso!

Os beduínos, sob a abóboda estrelada,
A cavalo, e de olhos semicerrados,
Concebem sagas improvisadas
Sobre seu dia vagamente vivenciado.

De quase nada precisam que lhes dê alento:
Um perdeu sua aljava no arenoso chão;
Outro trocou de cavalo – os eventos
Se dissipam como a cerração;

E se alguém canta uma canção
Com verdade, de peito aberto,
Tudo desaparece – nada resta senão
As estrelas, o espaço e o bardo!

Trad.: Nelson Santander

Отравлен хлеб, и воздух выпит...

Отравлен хлеб, и воздух выпит.
Как трудно раны врачевать!
Иосиф, проданный в Египет,
Не мог сильнее тосковать!

Под звездным небом бедуины,
Закрыв глаза и на коне,
Слагают вольные былины
О смутно пережитом дне.

Немного нужно для наитий:
Кто потерял в песке колчан,
Кто выменял коня — событий
Рассеивается туман.

И, если подлинно поется,
И полной грудью, наконец,
Все исчезает — остается
Пространство, звезды и певец!

Um comentário sobre “Ósip Mandelstam – O ar foi todo bebido e o pão, corrompido…

  1. […] N. do T.: “What Remains” é uma versão do poeta, romancista, tradutor e crítico literário americano Reginald Gibons para o poema “Отравлен хлеб, и воздух выпит…” (“O ar foi todo bebido e o pão, corrompido…”), de Ósip Mandelstam, que traduzi e publiquei neste blog no último sábado (Aqui). […]

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