Mary Oliver – Gansos selvagens

Você não tem que ser bom.
Você não precisa atravessar o deserto de joelhos,
por cem milhas, penitenciando-se.
Você só tem que deixar o animal macio do seu corpo
amar o que ele ama.
Fale-me sobre o desespero, o seu, e eu lhe direi o meu.
Enquanto isso, o mundo continua.
Enquanto isso, o sol e os translúcidos seixos da chuva
movem-se por entre as paisagens,
sobre as pradarias e os ciprestes mais profundos,
as montanhas e os rios.
Enquanto isso, os gansos selvagens, altos no límpido ar azul,
estão voltando para casa novamente.
Quem quer que você seja, não importa o quão solitário esteja,
o mundo se oferta à sua imaginação,
clama por você como os gansos selvagens, ríspido e emocionante –
incessantemente anunciando o seu lugar
na família das coisas.

Trad.: Nelson Santander

 

Wild Geese

You do not have to be good.
You do not have to walk on your knees
for a hundred miles through the desert repenting.
You only have to let the soft animal of your body
love what it loves.
Tell me about despair, yours, and I will tell you mine.
Meanwhile the world goes on.
Meanwhile the sun and the clear pebbles of the rain
are moving across the landscapes,
over the prairies and the deep trees,
the mountains and the rivers.
Meanwhile the wild geese, high in the clean blue air,
are heading home again.
Whoever you are, no matter how lonely,
the world offers itself to your imagination,
calls to you like the wild geese, harsh and exciting –
over and over announcing your place
in the family of things.

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