Mês: março 2017
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Guillaume Apollinaire – A Ponte Mirabeau

Na Ponte Mirabeau, desliza o Sena E nossos amores E a memória acena: Alegria vem sempre após a pena Vem a noite, soa a hora Os dias vão, eu me demoro As mãos nas mãos, fiquemos face a face Enquanto abaixo Pela ponte dos nossos braços, passa. De olhar eterno a onda tão lassa. Vem…
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José Ángel Buesa – Ela Amará a Outro Homem

“Ela amará a outro homem”, poema de José Ángel Buesa Ela amará a outro homem. Eu estarei longe, caminhando para o olvido. E pode ocorrer que alguém lembre meu nome, mas ela fingirá não tê-lo ouvido. (…)
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Adriano Espínola – “Lamas” – Bar e Restaurante

A Horácio Dídimo À noite todos os lépidos são larápios, todos os otários são notórios, todas as lânguidas são lésbicas todas as cópulas são cédulas, todos os lúcidos são trágicos todos os bêbados são sábios.
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Charles Bukowski – Feras Saltando Através do Tempo

Van Gogh escrevendo para seu irmão pedindo tintas Hemingway testando seu rifle Céline fracassando como médico a impossibilidade de ser humano Villon expulso de Paris por ser um ladrão Faulkner bêbado pelas sarjetas da cidade a impossibilidade de ser humano Burroughs assassinando sua mulher com um tiro Mailer apunhalando a sua impossibilidade de ser humano…
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Wislawa Szymborska – As Cartas dos Mortos

Lemos as cartas dos mortos como deuses impotentes, mas deuses assim mesmo, porque conhecemos as datas posteriores. Sabemos quais dívidas não foram pagas. Com quem as viúvas rapidamente se casaram. Pobres mortos, mortos cegos, enganados, falíveis, canhestramente previdentes. Vemos as caretas e os sinais feitos pelas costas. Capturamos o som de testamentos sendo rasgados. Sentados…
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Wislawa Szymborska – Bodas de Ouro

Devem ter sido diferentes um dia, fogo e água, diferindo com veemência, sequestrando e se doando no desejo, no assalto à dessemelhança. Abraçados, apropriaram-se e expropriaram por tanto tempo, que nos braços restou o ar translúcido depois do relâmpago. Um dia a resposta antecipou a pergunta. Uma noite adivinharam a expressão do olhar do outro…
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Wislawa Szymborska – Natureza-morta com um Balãozinho

Em vez da volta das lembranças na hora de morrer quero ter de volta as coisas perdidas. Pela porta, janela, malas, sombrinhas, luvas, casaco, para que eu possa dizer: Para que tudo isso. Alfinetes, este e aquele pente, rosa de papel, barbante, faca, para que eu possa dizer: Nada disto me faz falta. Esteja onde…
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Wislawa Szymborska – Nada Duas Vezes

Nada acontece duas vezesnem acontecerá. Eis nossa sina.Nascemos sem práticae morremos sem rotina. Mesmo sendo os piores alunosna escola deste mundão,nunca vamos repetirnenhum inverno nem verão. Nem um dia se repete,não há duas noites iguais,dois beijos não são idênticos,nem dois olhares tais quais. Ontem quando alguém falouo teu nome junto a mimfoi como se pela…
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Wislawa Szymborska – A Cada Cem Pessoas

A cada cem pessoas: sabem de tudo e muito melhor do que os outros: – cinquenta e duas. ficam inseguras a cada passo: – quase todas as outras. estão prontas a ajudar desde é claro que isso não lhes tome muito tempo: – quarenta e nove, o que já não é mau. são sempre boas…
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Jaroslav Seifert – Vi Apenas uma Vez

Vi apenas uma vez um sol tão ensanguentado. E nunca mais Descia funesto sobre o horizonte e parecia que alguém havia escancarado as portas do inferno. Perguntei pelo observatório astronômico e hoje sei o porquê. O inferno, conhecemos: está em toda parte e caminha sobre duas pernas. …