Tag: Augusto de Campos
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William Butler Yeats – A torre

1O que farei com esta absurdidade,Esta caricatura, coração?Decrepitude atada à minha idadeComo à cauda de um cão?Jamais terei sentidoTão grande, tão apaixonada, tão incrívelA fantasia, nem houve olho e ouvidoQue mais quisessem o impossível –Não, nem quando menino, com inseto e anzol,Ou mais humilde verme, no alto de Ben Bulben,Eu tinha a desfrutar todo um…
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Rainer Maria Rilke – A Morte da Amada

Da morte ele sabia quase nada:que nos toma e nos cala de repente.Como a amada não fora arrebatada,antes se desprendera docementedo seu olhar para a morada escura,e como percebeu que à outra vidacomo uma lua plena a formosurada visitante fora concedida,dos mortos se tornou tão familiarque os viu como parentes através dela;deixou os outros a…
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François Villon – Balada dos Enforcados

Irmãos humanos, imploro vossa piedade aos condenados. Que Deus vos perdoe, que a Virgem Maria nos ampare e que Jesus nos livre do Inferno. Não zombe, mas rogai por todos nós. Leia “Balada dos Enforcados”, de François Villon, na tradução de Augusto de Campos
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Anna Akhmátova – Cleópatra

Os palácios de AlexandriaCobriram-se de sombras suaves.Púschkin Ela já beijara os lábios de Antônio, sem vida,E chorava, de joelhos, ante Augusto, vencida…E os servos a traíram. Sob a águia de RomaAs trombetas ressoam. E o crepúsculo assoma. E chega o último escravo de sua beleza.Alto e solene, num sussurro, ele pondera:“Vão te levar para ele……
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Aleksandr Blok – Cleópatra

Cleópatra O museu triste da rainhaHá um, dois, três anos já se abriu.Bêbada e louca a turba ainda se apinha…Ela espera no túmulo sombrio. Jaz na sinistra caixaDe vidro, nem morta nem viva.Sobre ela a multidão salivaPalavras torpes em voz baixa. Ela se estende preguiçosamenteNo sono eterno a que se recolhera…Lenta e suave, uma serpenteMorde…
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Jorge Luis Borges – James Joyce (em três traduções)

Primeira tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques.Revisão de trad.: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz Em um dia do homem estão os diasdo tempo, desde o inconcebíveldia inicial do tempo, em que um terrívelDeus prefixou os dias e agonias,até aquele outro em que o ubíquo riodo tempo terrenal torne a sua fonte,que é o…
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Emily Dickinson – “Senti um Féretro em meu Cérebro…”

Senti um Féretro em meu Cérebro,E Carpideiras indo e vindoA pisar — a pisar — até eu sonharMeus sentidos fugindo — E quando tudo se sentou,O Tambor de um Ofício —Bateu — bateu — até eu sentirInerte o meu Juízo E eu os ouvi — erguida a Tampa —Rangerem por minha Alma comTodo o Chumbo…
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Emily Dickinson – “Morrer por ti era pouco…”

Morrer por ti era pouco.Qualquer grego o fizera.Viver é mais difícil —É esta a minha oferta — Morrer é nada, nemMais. Porém viver importaMorte múltipla — semO Alívio de estar morta. Trad.: Augusto de Campos REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 29/06/2018 Too scanty ’twas to die for you,The merest Greek could that.The living,…
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá nunca uma porta. Já estás dentro.E o alcácer abarca o universoE não tem anverso nem reversoNão tem extremo muro nem secreto centro. Não esperes que o rigor do teu caminhoQue fatalmente se bifurca em outro,Que fatalmente se bifurca em outro,Terá fim. É de ferro teu destino Como o juiz. Não creias na investidaDo…
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Marina Tzvietáieva – Um poema em duas traduções

Tentativa de ciúme –Trad.: Augusto de Campos Como vai você com a outra?Fácil, não é? — Um golpe de remo! —E de pronto a linha da costaSe foi e você já nem se lembra De mim, ilha flutuante(No céu, por certo, não no mar)!Almas! Almas! — antes amarComo irmãs, não como amantes! Como vai você…