Alison C. Rollins – Para quem me lê agora

Para quem me lê agora

depois de Jorge Luis Borges

Você é invulnerável.
A única constante é a mudança.
Tal repetição leva à nostalgia
do presente. Tenso e tímido
você recita este livro de cor. Às
cegas, você me confia à memória.
O calvo e impertinente filósofo
sabe que o caráter do homem é o seu destino.
Este poema – não vivo, mas os vestígios
de um construto conhecido como vontade.
Heráclito caminha sobre as águas na Líbia
ou: nenhum homem jamais entrou no mesmo rio duas vezes.
Desconfie de como o tradutor distorce
minhas palavras, estas ruínas que ele interpreta como
vivas. Por que você teme ser esquecido?
Saiba que de certa forma
você já está morto.

Trad.: Nelson Santander

To Whoever Is Reading Me

after Jorge Luis Borges

You are invulnerable.
The only thing constant is change.
Such repetition leads to nostalgia
for the present. Tense and timid
you recite this book by heart. Blind-
folded you commit me to memory.
The baldhead scallywag philosopher
knows that man’s character is his fate.
This poem – not alive, but the remains
of a construct known as will.
Heraclitus is walking on water in Libya
or: no man ever steps in the same river twice.
Be wary of how the translator twists
my words, these ruins he interprets as
alive. Why do you dread being forgotten?
Know that in some sense
you are already dead.

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