Czesław Miłosz – Encontro

Ao amanhecer, cruzávamos os campos congelados em uma carroça.
Uma asa vermelha se ergueu da escuridão.

E subitamente uma lebre atravessou a estrada.
Um de nós apontou para ela com a mão.

Isso foi há muito tempo. Hoje, nenhum deles vive,
Nem a lebre, nem o homem que fez o gesto.

Oh, meu amor, onde estão, para onde vão?
O clarão daquela mão, vestígio de movimento, rumorejar de cascalhos.
Pergunto não por tristeza, mas com admiração.

Wilno, 1936

Trad.: Nelson Santander

N. do T.: poema originalmente escrito em polonês e traduzido para o inglês pelo próprio autor e Lillian Vallee.

Encounter

We were riding through frozen fields in a wagon at dawn.
A red wing rose in the darkness.

And suddenly a hare ran across the road.
One of us pointed to it with his hand.

That was long ago. Today neither of them is alive,
Not the hare, nor the man who made the gesture.

O my love, where are they, where are they going?
The flash of a hand, streak of movement, rustle of pebbles.
I ask not out of sorrow, but in wonder.

Wilno, 1936

Mary Oliver – Encontrando a raposa

Quando encontrei a raposa hoje – um ouro
tão vivo em seus olhos –
nenhuma de nós
se moveu, embora apenas

uma de nós tenha sido imediatamente tomada
de admiração. Suas patas estavam
apoiadas em seu movimento
de brusca parada,

suas orelhas, para frente apontadas,
a fim de ouvir como minha língua poderia ser,
mas eu não disse
nada, não havia palavra para a

esperança que eu tinha de que
pudéssemos ser amigas. Atrás dela,
a encosta, depois, a floresta,
e, além, todo o universo.

Fiquei imóvel como uma rocha.
Eu não sabia o que fazer.
Então eu pensei, bem,
por que não tentar?
, e

estendi minhas mãos em sinal
de amizade, e instantaneamente,
com um cortante latido, uma negativa
muito decisiva,

em suas patas pequenas e elegantes,
ela voltou a subir a encosta
e voou para aquele outro
mundo.

Trad.: Nelson Santander

Meeting the Fox

When I met the fox today – such living
gold in its eyes –
neither of us
moved though only

one of us was instantly taken up with
admiration. Its legs were
braced in their motion
of sudden stop,

its ears were pricked forward
to hear what my language might be,
but I said
nothing, there was no word for the

hope I had that we
could be friends. Behind it
the hillside, then the woods,
then the entire universe.

I stood as still as a rock.
I didn’t know what to do.
Then I thought, oh well,
why not try, and I

held out my hands
in friendship, and instantly,
with a sharp bark, a very
decisive negative,

on its narrow and elegant feet,
back up the hillside
and into that other world
it flew.

Eiléan Ni Chuilleanéin – A serenata de Hofstetter

A serenata de Hofstetter
(Máire Ní Chuilleanáin1 1944-1990)

Senti a corrente de ar há pouco, enquanto digitava os números –
a data de sua morte, ocorrida há vinte e cinco anos;
estamos em maio, mas a noite clara está ficando mais fria,
o denso fardo se abriu e a dor se disseminou
ao longo desses anos desconhecidos para ela2, e se eu for
procura-la, devo desenrolar e esticar o fio
que ela nos deixou, que se enovela ao longo da tortuosa fronteira,
vagueia por entre os suportes de partituras, acima e abaixo
dos timbales e do grande baixo deitado de lado,
mas se afasta, deixa para trás a sala de concertos
e a apanha no início, quando ela tinha onze anos, e
dela emergiu pela primeira vez aquela linha pura de som que aumenta
num crescendo, sem nunca pousar duas vezes no mesmo lugar,
recobra o fôlego e depois flui tão linear quanto
sua própria respiração, suave como a linha de um tecelão
para frente e para trás traçando. Ela serpenteia e salta outra vez,
o dedo em arco crava as unhas na nota, mas ela transborda.

Ela tinha onze anos. Mil anos antes,
ela poderia ter-se casado com um imperador, ela estava certa
de que seria capaz de consentir na hora, enquanto as notas a envolviam, e
ela continuava tocando à medida que seus olhos se abriam; como as palavras,
como a longa serpente nadando contra a corrente, como o tempo,
a linha a trouxe consigo, a corda e o arco, até
o momento em que vi a respiração abandonar o seu corpo, e o silêncio começou.

Trad.: Nelson Santander

N. do T.:

  1. Máire Ní Chuilleanáin, a quem o poema é dedicado era irmã da poeta, tendo falecido precocemente, aos 46 anos de idade. Era musicista e violinista da Orquestra Filarmônica de Londres.
  2. O pronome pessoal “she” (“ela”), referindo-se à irmão da poeta, aparece oito vezes no poema (sete, na tradução). Embora pareça repetitivo, há uma intencionalidade nesse redizer, que visa a demonstrar a força que a ausência da irmã exerce sobre a autora.

Hofstetter’s Serenade
(Máire Ní Chuilleanáin 1944-1990)

I felt the draught just now as I was keying in the numbers –
the date of her death, going on twenty-five years ago;
it is May but the bright evening is turning colder,
the tight bundle of grief has opened out and spread
wide across these years she knows nothing of, and if I go
in search of her I must unwind and stretch out the thread
she left us, so it twines like a long devious border
turning between the music stands, over and under
the kettledrums and the big bass lying on its side,
but it plunges away leaving the concert-hall behind
and catches her at the start, in the year she was eleven, when
it first rose out of her, the pure line of sound that grows
rising dipping never landing twice on the same spot, then
catching its breath and then flowing along as even
as her own breathing, smooth like a weaver’s thread
back and forth tracing. It weaves and it hops again,
the arched finger nails down the note but it overflows.

She was eleven years old. A thousand years before,
she could have been married to an emperor, she was sure
she was able to consent on the spot, as the notes wrapped around her, and
she went on playing as her eyes opened; like words,
like the long serpent that can only swim upstream, like time,
the line drew her along, the string and the bow, towards
the moment I saw the breath leaving her body, and the silence began.

Kerry Hardie – Navio da morte

                    para minha mãe

Observando-a, pela primeira vez,
virar-se para preparar o seu barco, minha mãe;
quando ficou claro que você tinha outros assuntos agora —
os assuntos do seu futuro —
fui inundada pela raiva.

Foi uma primeira sondagem,
um olhar lançado
sobre velas, remos, mastros,
como aquele olhar experiente que muitas vezes vi
perscrutando a mesa farta.

Como pode você planejar partir assim
quando finalmente estamos próximas o suficiente, se o vento está bom,
para ouvir o que a outra está dizendo?
Eu nunca imaginei que você faria isso, afastar-se,
no meio de uma frase, sua mão testando o cordame,

seu ouvido atento
aos pequenos estrondos das encrespadas ondas
na orla do mar da grande noite,
nem arrependida, nem receosa —
ansiosa apenas pela maré.

Trad.: Nelson Santander

Ship of Death

for my mother

Watching you, for the first time,
turn to prepare your boat, my mother;
making it clear you have other business now—
the business of your future—
I was washed-through with anger.

It was a first survey,
an eye thrown
over sails, oars, timbers,
as many a time I’d seen that practised eye
scan a laden table.

How can you plan going off like this
when we stand at last, close enough, if the wind is right,
to hear what the other is saying?
I never thought you’d do this, turning away,
mid-sentence, your hand testing a rope,

your ear tuned
to the small thunder of the curling wave
on the edge of the great-night sea,
neither regretful nor afraid—
anxious only for the tide.

Dan Gerber – No final de setembro

Certa estrela, da qual eu gostava,
desapareceu. É possível que
eu a tenha perdido. Esqueci
os nomes das nuvens e árvores e
rostos, como canções das quais
remanesce apenas uma duradoura melodia.
*
Pequeno riacho,
sob os salgueiros junto à minha cabana alugada —
mais minha do que qualquer outra que eu possa possuir —,
diga-me novamente o nome secreto
que você murmura enquanto estou sentado aqui sozinho,
sem decepções nem esperanças.

Trad.: Nelson Santander

In Late September

A certain star I’ve grown fond of
has gone missing. It’s possible
I’ve misplaced it. I’ve forgotten
the names of clouds and trees and
faces, like songs from which
only an abiding melody remains.
*
Little creek,
under the willows by my rented cabin—
more mine than any I could own—
tell me again the secret name
you murmur as I sit here alone,
without disappointment or hope.

J.C. Todd – Velhos Amigos, Aqui e Adeus

Ei, pervertida, ele diz, olhando-me, no funeral
de nossa amiga, causa da morte: um câncer nas
entranhas do cérebro no interior da estrutura óssea
que dava ao seu rosto tanta beleza. Durante a químio,
seu encanto se igualou aos reveses – seu couro cabeludo
à mostra e os músculos de sua mão esquerda muito fracos
para segurar um pincel. Ele a tranquilizava
no hospital, na ala de cuidados paliativos, ministrando-lhe
lascas de gelo, caldo vegano. Quando a fala dela serpeava
para além da compreensão, ele ouvia
a sequência de sons como se fosse um jazz selvagem demais
para o sentido humano – Sonny Rollins soltando-se
no sax ou Johnny Hodges uivando no seu
flugelhorn dourado. Estou implorando, Johnny gemeu
na noite fria e úmida, lenço azul alisando
o topo de sua cabeça através de um gorro de crochê branco,
implorando por perdão. Era o que eu precisava naquela
época, minha tristeza libertada pelas amarras e sexo
selvagem, a clareza subitamente mais importante
do que sua dor. Ainda pervertida?, ele perguntou. Na mão,
não posso esquecer, uma dose de uísque, sua superfície
intacta, mantida em perfeita tensão pela borda.
Seus olhos serenos, devolvendo meu rosto para mim, acalmavam,
como seu olhar havia feito em nosso ano turbulento e
novamente nesta primavera para nossa amiga que, eu ouvi,
reagiu ao seu toque, as pálpebras piscando abertas,
embora o nervo ótico estivesse machucado pela pressão
crescente do tumor, e a luz repentina ferisse seus olhos.

Trad.: Nelson Santander

Old Friends, Here and Gone

Hey, kinky, he says, checking me out at our friend’s
memorial, cause of death a cancer in
the folds of brain inside the bony structure
that gave her face such beauty. During chemo
her grace grew equal to reversals – her scalp
bared and the muscles of her left hand too weak
to hold a watercolor brush. He had soothed
her in the hospital, the hospice, spooning
ice chips, vegan broth. When her speech meandered
beyond understanding, he had listened to
the streams of sound as if to a jazz too wild
for human sense – Sonny Rollins breaking loose
on sax or Johnny Hodges yowling through his
golden flugelhorn. I’m beggin’, Johnny moaned
one clammy night, blue handkerchief mopping
the crown of his head through a white crochet cap,
beggin’ for mercy. That’s what I’d needed back
then, my sadness set free by restraints and rough
sex, the clarity of sudden more essential
than its pain. Still kinky, he asks. In the hand
I can’t forget, a dram of scotch, its surface
undisturbed, held in perfect tension by the rim.
His eyes, calm, returning my face to me, calmed,
as his gaze had done in our turbulent year and
again this spring for our friend who, I have heard,
rallied at his touch, eyelids blinking open,
although the optic nerve was bruised by the tumor’s
mounting pressure, and sudden light hurt her eyes.

Matthew Olzmann – Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor

Então, eis o que eu tenho, as razões pelas quais nosso casamento
pode funcionar: porque você usa rosa, mas escreve poemas
sobre lápides e balas. Porque você grita
com suas chaves quando as perde, e ri,
ruidosamente, de suas próprias piadas. Porque você sabe empunhar uma pistola,
estripar um porco. Porque você memoriza canções, mesmo jingles
de trinta anos atrás, e as entoa quando inspira.
Você tem mãos macias. Porque quando nos mudamos, o conteúdo
do que você embalou ficou escrito dentro das caixas.
Porque você acha os cisnes superestimados e meio estúpidos.
Porque você me levou até a estação ferroviária. Você me levou
para Minneapolis. Você me levou para Providence.
Porque você sublinha tudo o que lê, e circula
as coisas que acha importantes, e coloca estrelas ao lado
das coisas que acha que eu deveria considerar importantes,
e escreve notas marginais sobre todas as pessoas
com quem você está irritada e meu nome quase nunca está lá.
Porque você fez aquela receita de carne de porco que achou
no livro de culinária da Frida Kahlo. Porque quando leu
aquele ensaio sobre Rilke, você sublinhou tudo,
exceto a parte onde Rilke diz que amar significa negar-se a si mesmo
e ser consumido pelas chamas. Porque quando as luzes
estão apagadas, as cortinas, fechadas, e um lençol adicional pregado
nas janelas, você ainda acredita que alguém do lado de fora
pode vê-la. E um dia, cinco verões atrás,
quando você não podia colocar gasolina em seu carro, quando sua geladeira
estava tão vazia — sem sequer restos e condimentos —,
havia ali uma única garrafa de 500 ml de Mountain Dew,
que você pagou com seu último maldito centavo
porque uma vez me ouviu dizer que eu gostava.

Trad.: Nelson Santander

Mountain Dew Commercial Disguised as a Love Poem

So here’s what I’ve got, the reasons why our marriage
might work: Because you wear pink but write poems
about bullets and gravestones. Because you yell
at your keys when you lose them, and laugh,
loudly, at your own jokes. Because you can hold a pistol,
gut a pig. Because you memorize songs, even commercials
from thirty years back and sing them when vacuuming.
You have soft hands. Because when we moved, the contents
of what you packed were written inside the boxes.
Because you think swans are overrated and kind of stupid.
Because you drove me to the train station. You drove me
to Minneapolis. You drove me to Providence.
Because you underline everything you read, and circle
the things you think are important, and put stars next
to the things you think I should think are important,
and write notes in the margins about all the people
you’re mad at and my name almost never appears there.
Because you made that pork recipe you found
in the Frida Kahlo Cookbook. Because when you read
that essay about Rilke, you underlined the whole thing
except the part where Rilke says love means to deny the self
and to be consumed in flames. Because when the lights
are off, the curtains drawn, and an additional sheet is nailed
over the windows, you still believe someone outside
can see you. And one day five summers ago,
when you couldn’t put gas in your car, when your fridge
was so empty—not even leftovers or condiments—
there was a single twenty-ounce bottle of Mountain Dew,
which you paid for with your last damn dime
because you once overheard me say that I liked it.

Werner Aspenström – Depois de ouvir Mozart o dia todo

As árvores se despem e se vestem
repetidamente,
como em um casamento.
Os gansos selvagens vão para o sul, e depois para o norte.
Você conhece a natureza, conhece as artes.
Como Mozart o socorre?
O rebanho cinzento de pequenos estudantes se afastou
por sob as tílias
e o rebanho cinzento de pequenos estudantes retornou.
Música é tempo cultivado.
O tempo não fecha as cicatrizes do tempo.

Trad.: Nelson Santander (a partir da tradução do sueco para o inglês feita por Malena Mörling e Jonas Ellerström)

After having played Mozart all day

The trees undress and dress
repeatedly,
as in a marriage.
The wild geese head south, head north.
You know nature, you know the arts.
How does Mozart help you?
The gray flock of school children wandered off
below the linden trees
and the gray flock of school children returned.
Music is cultivated time.
Time does not heal time’s wounds.

Joaquin Zihuatanejo – Exame final para o meu pai

1. Verdadeiro ou falso. Na noite em que abandonou a mim e minha mãe você hesitou antes de segurar a maçaneta.

2. Se um ônibus deixa a cidade a 100 km por hora para lugar nenhum em particular, e um homem naquele ônibus deixou seu único filho para trás na escuridão dessa cidade, quantos quilômetros serão necessários para que esse filho esqueça como são e com o que se parecem as mãos de seu pai?

3. Na noite em que nos abandonou, quantos corações você partiu?

A. um, o meu

B. um, o de minha mãe

C. dois, o meu e o de minha mãe

D. três, o meu, o de minha mãe e o seu

4. Verdadeiro ou Falso. Em algumas espécies do reino animal, quando um membro masculino dessa espécie abandona sua prole, ele é condenado ao ostracismo, espancado e, em alguns casos, morto.

5. No espaço abaixo, defina os termos longe, genitor e progenitor.

6. Na noite em que seu pai morreu, o que diria a Deus se tivesse algo a dizer?

7. Quando sobrevivemos nove dias seguidos antes que o cheque da previdência social chegasse, com um saco de milho e uma panela cheia de vontades que tinham gosto de feijão, você sentia o fogo na ponta de seus dedos toda vez que minha mãe suspirava enquanto virava a tortilha na chama acessa?

8. Por causa do seu sangue, passei todos os dias de minha vida envolto por uma pele clara demais para ser parda e escura demais para ser branca. Eu costumava odiar isso em mim, até que finalmente passei a amar. O que você ama e odeia em você?

9. Quando jovem você:

A. nunca amou uma jovem e bela mulher parda.

B. amou uma jovem e bela mulher parda.

C. amou muitas jovens e belas mulheres pardas

D. amava apenas a ideia de jovens e belas mulheres pardas

10. Liste cinco coisas pelas quais você é verdadeiramente grato e cinco coisas das quais você verdadeiramente se arrepende.

11. A mãe de um famoso poeta americano disse certa vez: “Mães [solteiras] são quase sempre homens melhores do que os homens.” O que você acha disso?

12. Sem usar as palavras “Eu” ou “sinto muito”, no espaço fornecido escreva uma carta de desculpas para minha mãe.

13. Em uma escala de um a dez, sendo um nada difícil e dez bastante difícil, quão desafiador você acha que é para um guerro1 crescer no lower east side2?

14. Quando criança, seu filho se lembra de ouvir seus tios bêbados sussurrando com vozes abafadas, não destinadas aos seus ouvidos, que provavelmente você não era o pai daquela criança. Há algo que gostaria de dizer a eles?

15. Complete a frase:

“Meu filho, se eu tivesse apenas uma coisa para lhe dizer seria __________”

E uma última pergunta para concluir o teste:

Curaria ou partiria seu coração se eu lhe dissesse

Eu o perdoo?

Trad.: Nelson Santander

N. do T.:

1. Guerro é uma gíria hispânica usada para denominar uma pessoa (normalmente homens jovens) de pele clara e/ou loira, na maioria das vezes de forma depreciativa

2. o Lower East Side é um bairro da cidade de Nova York com grande diversidade racial, mas composto, em sua maioria, por hispânicos (32%) e asiáticos (30%)

Final Exam for My Father

1. True or False. The night that you walked out me and my mother, you hesitated before grabbing the doorknob.

2. If a bus leaves the city at 60 miles per hour to nowhere in particular, and a man on that bus has left his only son behind in the darkness of that city, how many miles will it take before that son forgets what his father’s hands look and feel like?

3. On the night that you left us, how many hearts did you break?

A. one, mine

B. one, my mother’s

C. two, mine and my mother’s

D. three, mine, my mother’s and yours

4. True or False. In certain species of the animal kingdom, when a male member of that species abandons his offspring that male member of that species is ostracized, beaten, and in some instances killed.

5. In the space provided, define the terms further, farther, and father.

6. On the night that your father died, what if anything did you have to say to God?

7. When we survived nine days in a row before the welfare check came in, on a bag of maiz and a crock pot full of wishes that tasted just like frijoles, did you feel the fire on your fingertips every time my mother winced as she turned the tortilla on the open flame?

8. Because of your blood, I have spent every day of my life enveloped by skin that’s too light to be brown and too dark to be white. I used to hate this about myself, but I have finally come to love this about myself. What do you love and hate about yourself?

9. As a young man you

A. never loved a young, beautiful dark brown woman.

B. loved one young, beautiful dark brown woman.

C. loved many young, beautiful dark brown women

D. loved only the idea of young beautiful dark brown women

10. List five things that you are truly grateful for and five things that you are truly regretful for.

11. A famous American poet’s mother once said, “[Single] mothers are almost always better men than men are.” What do you make of this?

12. Without using the words, “I’m” or “sorry” in the space provided write an apology letter to my mother.

13. On a scale from one to ten, with one being not difficult at all and ten being quite difficult, how challenging do you think it is for a guerro to grow up in the barrio of the lower east side?

14. As a child your son remembers hearing his drunk uncles whisper in hushed voices not meant for his ears that more than likely you were not that child’s father. What if anything do you have to say to them?

15. Finish this sentence:

My son, if I only had one thing to say to you, it would be

And one final question to conclude the test:

Would it mend or break your heart if I told you,

I forgive you?

Linda Pastan – O adeus de Dido

O adeus de Dido1

Incessante é a chuva
em minhas vidraças, e as velas se afogam
em sua própria cera.
Abandonados pela luz,
até os filamentos de estrelas
escurecem. Esta tarde
escorei com estacas
suas rosas encharcadas,
elas agora lembram jovens meninas
apoiadas em muletas.

Você deixou
um mapa parcial
de sua mão direita
em cada maçaneta,
e eu sigo de sala
em sala, nômade
em minha própria casa,
o coração batendo
no peito, exigindo
ser solto.

Trad.: Nelson Santander

  1. N. do T. : O título do poema faz referência ao mito de Dido (ou Elissa ou Alyssa), a primeira rainha de Cartago, e sua grande paixão por Eneias, filho de Afrodite e um dos grandes heróis de Troia. Segundo a Eneida, de Virgilio, Dido teria se suicidado ao ser abandonada por Enéas, por quem se apaixonara quando o grande comandante e herói troiano aportou em Cartago. Em uma das passagens mais belas de Dido and Aeneas, a ópera em três atos de Henry Purcell, o episódio do suicídio de Dido é narrado na ária Dido’s Lament, que pode ser conferida nesse vídeo, na comovente interpretação da soprano Anna Dennis. ↩︎

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Dido’s Farewell

The rain is chronic
at my windows, and candles drown
in their own wax.
Abandoned by light,
even the filaments of stars
go black. This afternoon
I propped your drenched roses
up on sticks,
they look like young girls
on crutches now.

You left
a partial map
of your right hand
on every doorknob,
and I follow from room
to room, nomad
in my own house,
my own heart knocking
at my ribs, demanding
to be let out.