Tag: Philip Larkin
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Philip Larkin – Eu Comecei a Dizer

Eu comecei a dizer“Um quarto de século”Ou “trinta anos atrás”Sobre minha própria vida. Isso me deixa sem fôlegoÉ como despencar e arremeterAcenando em largos girosAtravés do céu vazio. Tudo o que resta acontecerSão algumas mortes (incluindo a minha).Em que ordem, e de que maneira,É o que resta saber. Trad.: Luiz Roberto Guedes REPUBLICAÇÃO: poema originalmente…
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Philip Larkin – As Árvores

As árvores se põem a enfolharComo algo quase expresso. Seus brotos,Tenros, estão se estendendo, soltos;Seu verde é uma espécie de pesar. Renascem, ou é a gente que vem aEnvelhecer? Não, morrem, por certo.O truque anual de um novo aspectoEstá inscrito nos anéis da lenha. E cada castelo móvel, no mêsDe maio, em fronde espessa, pareceDizer:…
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Philip Larkin – Este Seja o Poema

Teu pai e mãe fodem contigo.Que não o queiram, tanto faz.Passam-te cada podre antigo,além de uns novos, especiais. Mas de cartola e fraque, outrora,fodera-os já do mesmo modo,gente ora austero-piegas, orase engalfinhando cega de ódio. Miséria é o que legamos: fossasnum mar que só fica mais fundo.Dá o fora, pois, tão logo possassem pôr nenhum…
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Philip Larkin – Continuar a viver

Continuar a viver – isto é, repetirUm hábito formado para obter o necessário –Quase sempre significa perder, ou passar sem. É variável. Essa perda de interesse, cabelos e ambição –Ah, se o fosse pôquer, sim,Você poderia descartá-los, fazer um full house! Mas é xadrez. E uma vez que tenha percorrido toda a extensão da mente,O que você…
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Philip Larkin – A casa está tão triste

A casa está tão triste. Ficou como foi deixada,Moldada para o conforto dos últimos saintesQuerendo reconquista-los. Ao invés, despojadaDe alguém para agradar, ela definha assim, carenteDe um coração para esquecer que foi roubada E voltar novamente às origens – um retratoAlegre de como as coisas deveriam ser –Há muito perdidas. Veja como era de fato:Observe…
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Philip Larkin – A Igreja Indo-se…

Quando estou certo de que nada está ocorrendo,Eu entro, e se ouve um baque quando eu solto a porta.Mais uma igreja: bancos, panos, pedra, além dosLivrinhos; as juncadas secas, que se cortamPara o domingo; bronze e objetos a cobrir oAltar; um órgão impecável e pequeno;Silêncio tenso, de bolor, que salta à vista,Há muito fermentado. Sem…
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Philip Larkin – Aubade

De dia, trabalho; à noite, eu meio que encho a cara.Olho o negror sem som, me levantando às quatro.Em tempo, a borda da cortina vai estar clara.Até lá, vejo aquilo que está ali, de fato:A morte infatigável, um dia mais perto,Tornando inviável todo pensamento, excetoO de onde, como e quando a minha vai chegar.Uma pergunta…
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Philip Larkin – O cortador

O cortador parou, duas vezes; ajoelhado, descubro Um ouriço preso entre as lâminas,Morto. Estava na grama crescida. Já o havia visto antes, e até o alimentara uma vez. Agora eu havia maltratado seu discreto mundo de forma Irremediável. O enterro não ajudou: Na manhã seguinte eu me levantei e ele não.No primeiro dia após a morte, a nova…
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Philip Larkin – Canções de amor na velhice

Ela guardou canções, tomavam pouco espaçoE as capas lhe eram belas:Uma que apanhou sol e de matizes baços;Uma cheia de círculos de jarra d´água;Uma colada, num “acesso de ordem” dela,E colorida, pela filha – aguar-daram assim, até que em sua viuvez asAchou, procurando algo, e pôs-se dessa vez a Reaprender como cada acorde, obedienteE franco,…
