Tag: Geraldo Holanda Cavalcanti
-
Eugenio Montale – A enguia

A enguia, a sereiados mares frios que deixa o Bálticopara alcançar os nossos mares,nossos estuários, os riosque sobe pelas profundezas, contra a enxurrada,de braço em braço e depoisde veio em veio, cada vez mais delgados,sempre mais dentro, sempre mais perto do coraçãoda rocha, filtrando-sepor regos de lama até que um diauma luz desfechada dos castanheirosacende…
-
Giuseppe Ungaretti – In Memoriam

Locvizza, 30 de setembro de 1916 Chamava-seMoammed Sceab Descendentede emires de nômadessuicidaporque não tinha maisPátria Amou a Françae mudou de nome Foi Marcelmas não era francêse já não sabiaviverna tenda dos seusonde se escuta a cantilenado Alcorãosaboreando um café E não sabiadesataro cantodo seu abandono Acompanhei-ojunto com a dona da pensãoonde vivíamosem Parisdo número 5…
-
Salvatore Quasimodo – E de repente é noite

Cada um está só no coração da terratraspassado por um raio de sol:e de repente é noite. Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti REPUBLICAÇÃO. Poema publicado no blog originalmente em 17/02/2016. Ed è subito sera Ognuno sta solo sul cuor della terratrafitto da un raggio di sole:ed è subito sera
-
Eugenio Montale – Xenia I

1 Querido pequeno inseto que chamavam de mosca, não sei por quê, esta tarde quase ao escurecer enquanto lia o Segundo Livro de Isaías reapareceste ao meu lado, mas não tinhas óculos, não podias me ver nem podia eu sem aquela centelha reconhecer-te no escuro. 2 Sem óculos nem antenas pobre inseto que asas só…
-
Eugenio Montale – A enguia

A enguia, a sereia dos mares frios que deixa o Báltico para alcançar os nossos mares, nossos estuários, os rios que sobe pelas profundezas, contra a enxurrada, de braço em braço e depois de veio em veio, cada vez mais delgados, sempre mais dentro, sempre mais perto do coração da rocha, filtrando-se por regos de…
-
Giuseppe Ungaretti – Sentimento do tempo

Sentimento do tempo1931 E à luz mais própria,Deixando apenas uma sombra violácea,Sobre os cimos mais baixos,A distância aberta ao alcance,Cada batida, como usa o coração,Agora escuto,Apressa-te, tempo, a por-me sobre os lábiosTeu último beijo. Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti Giuseppe Ungaretti – Sentimento del tempo1931 E per la luce giusta,Cadendo solo un ombra violaSopra il…
-
Giuseppe Ungaretti – Céu claro

Bosque de Courton, julho de 1918 Depois de tanta névoa uma a uma se desvelam as estrelas Respiro o frescor que me deixa a cor do céu Me reconheço imagem passageira Presa de um ciclo imortal Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti Giuseppe Ungaretti – Sereno Bosco di Courton luglio 1918 Dopo tanta nebbia a una a…
-
Giuseppe Ungaretti – Sou uma criatura

Valloncello di Cima Quattro, 5 de agosto de 1916 Como esta pedra de S. Michele tão fria tão dura tão seca tão indiferente tão completamente sem ânimo Como esta pedra é meu pranto que não se vê A morte se expia vivendo Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti Giuseppe Ungaretti – Sono una creatura Valloncello di Cima…
-
Giuseppe Ungaretti – Silêncio

Mariano, 27 de junho de 1916 Conheço uma cidade que cada dia se enche de sol e tudo é arrebatado nessa hora Dela parti uma tarde No coração perdurava o limar das cigarras Do navio laqueado de branco vi minha cidade sumir deixando por um instante no ar toldado um abraço de luzes suspensas Trad.:…
-
Giuseppe Ungaretti – In Memoriam

Locvizza, 30 de setembro de 1916 Chamava-seMoammed Sceab Descendentede emires de nômadessuicidaporque não tinha maisPátria Amou a Françae mudou de nome Foi Marcelmas não era francêse já não sabiaviverna tenda dos seusonde se escuta a cantilenado Alcorãosaboreando um café E não sabiadesataro cantodo seu abandono Acompanhei-ojunto com a dona da pensãoonde vivíamosem Parisdo número 5…