Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro. Só o silêncio salva. Se tiveste uma noite gloriosa em que Afrodite sorriu para ti e Baco encheu-te a taça sem cessar, pensa que em breve, quando e noite se for, teus amigos voltarem para casa e começar a amanhecer, só o silêncio te salvará, rapaz. Tem isso em conta. … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Luis Alberto de Cuenca – Nos veremos novamente

Nos veremos novamente onde sempre é de dia e os feios são bonitos e eternamente jovens, onde os poderosos não abusam dos mais fracos e, das árvores, pendem brinquedos e gibis. Nesta morada de luz que não fere os olhos Voltaremos, tu e eu, a dizer-nos bobagens de mãos dadas, contemplando as ondas a morrer … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – Nos veremos novamente

Luis Alberto de Cuenca – O Sagrado

A maquiagem é suspeita, sempre. Tu, recém-saída da cama, sem nada além de teu glorioso corpo gasto pelas decepções e pelos desenganos, mas ereto como uma árvore ao vento da vida que arrasta tudo pela frente: essa é a minha religião, a única visão do sagrado que conheço. Trad.: Nelson Santander Lo Sagrado El maquillaje … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – O Sagrado

Luis Alberto de Cuenca – O desjejum

Gosto quando dizes disparates, quando fazes asneiras, quando mentes, quando vais às compras com tua mãe e chego atrasado ao cinema por tua culpa. Gosto mais quando é meu aniversário e me cobres de beijos e bolos, ou quando estás feliz e dá para notar, ou quando és genial com uma frase que resume tudo, … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – O desjejum

Luis Alberto de Cuenca – O véu protetor

Amanheceu e nós estávamos dentro da vil realidade, o que não pode ser bom. Melhor seria que passassem logo as horas inúteis em que o dia proscreve a aventura com as normas do tédio laboral, e que voltassem a noite e as suas estrelas a envolver-nos no seu véu fantástico e a dar-nos a inútil … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – O véu protetor

Luis Alberto de Cuenca – Mal de ausência

Desde que partiste, não sabes como devagar passa o tempo em Madrid. Vi um filme que terminou apenas há um século. Não sabes que lento corre o mundo sem ti, noiva distante. Os amigos pedem-me que volte a ser o mesmo que o coração apodrece de tanta melancolia, que a tua ausência não vale tanta … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – Mal de ausência

Luis Alberto de Cuenca – A casa da minha infância

Fui feliz naquela casa repleta de flores e de livros proibidos. A casa em que tu eras Ginevra nos nossos jogos, e eu era o rei Artur (não havia Lancelote para arruinar tudo). A casa onde foste donzela das minhas ânsias, senhora dos meus suspiros, muralha em meu peito, cofre do meu tesouro, brinde dos … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – A casa da minha infância

Luis Alberto de Cuenca – Quando Penso nos Velhos Amigos

Quando penso nos velhos amigos que saíram de minha vida, unindo-se a más mulheres que alimentam seu medo e os enchem de filhos para tê-los por perto, controlados e inermes. Quando penso nos velhos amigos que se foram para o país da morte, sem passagem de volta, só porque procuraram o deleite nos corpos e … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – Quando Penso nos Velhos Amigos

Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Moça, colhe as rosas, não esperes a manhã. Corta-as velozmente, desaforadamente, sem parar para pensar se elas são más ou boas. Que não sobre nenhuma. Poliniza os rosais que encontrares em teu caminho e deixa os espinhos para tuas colegas do colégio. Desfruta da luz e do ouro enquanto podes e consagra tua beleza a … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Luis Alberto de Cuenca – Insônia

A vida dura muito pouco. Não dá tempo de se fazer nada. Não há meios de reunir dias suficientes para aprender algo. Levantas, abraças tua namorada, tomas teu café da manhã, trabalhas, comes, dormes, vais ao cinema, e nem sequer tens um momento para ler Sêneca e acreditar que tudo neste mundo tem conserto. A … Continue lendo Luis Alberto de Cuenca – Insônia