Tag: Mario Cesariny
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londrescantam todo o invernocomo se o frio fosseo maior aconchegonos parques arrancadosao trânsito automóvelnas ruas da neve negrasob um céu sempre duroos pássaros de Londresfalam de esplendorcom que se ergue o estioe a lua se derramapor praças tão sem corque parecem de panoem jardins germinandosob mantos de gelocomo se gelo forao linho…
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Manuel António Pina – Carta a Mário Cesariny no dia da sua morte

Hoje soube-se uma coisa extraordinária, que morreste. Talvez já to tenham dito, embora o caso verdadeiramente não te diga respeito, e seja assunto nosso, vivo. Algo, de fato, deve ter acontecido porque nada acontece, a não ser o costume, amor e estrume; quanto ao resto tudo prossegue de acordo com o Plano. Há apenas agora…
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Mário Cesariny – Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto tão perto tão real que…
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Mário Cesariny – “de profundis amamus”

Ontem às onze fumaste um cigarro encontrei-te sentado ficámos para perder todos os teus eléctricos os meus estavam perdidos por natureza própria Andámos dez quilómetros a pé ninguém nos viu passar excepto claro os porteiros é da natureza das coisas ser-se visto pelos porteiros Olha como só tu sabes olhar a rua os costumes O…
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Mário Cesariny – Lembra-te

Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londres cantam todo o inverno como se o frio fosse o maior aconchego nos parques arrancados ao trânsito automóvel nas ruas da neve negra sob um céu sempre duro os pássaros de Londres falam de esplendor com que se ergue o estio e a lua se derrama por praças tão sem cor…