Tag: Vinicius de Moraes
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Vinicius de Moraes – Cemitério Marinho

Tal como anjos em decúbitoA conversar com o céu baixinhoExistem cerca de cem túmulosNum lindo cemiteriozinhoQue eu, a passeio, descobriUm dia em Sidi Bou Said. Mal defendidos por uns murosErguidos ao sabor da morteEu nunca vi mortos tão purosMortos assim com tanta sorteAs lajes de cal como túnicasBrancas, e árabes; não púnicas. Sim, porque cemiteriozinhoNunca…
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Vinicius de Moraes – O poeta Hart Crane suicida-se no mar

Quando mergulhaste na águaNão sentiste como é friaComo é fria assim na noiteComo é fria, como é fria?E ao teu medo que por certoTe acordou da nostalgia(Essa incrível nostalgiaDos que vivem no deserto…)Que te disse a Poesia? Que te disse a PoesiaQuando Vênus que luziaNo céu tão perto (tão longeDa tua melancolia…)Brilhou na tua agoniaDe…
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Vinicius de Moraes – Poema de Natal

Para isso fomos feitos:Para lembrar e ser lembradosPara chorar e fazer chorarPara enterrar os nossos mortos —Por isso temos braços longos para os adeusesMãos para colher o que foi dadoDedos para cavar a terra. Assim será nossa vida:Uma tarde sempre a esquecerUma estrela a se apagar na trevaUm caminho entre dois túmulos —Por isso precisamos…
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Vinicius de Moraes – Cemitério Marinho

Cemitério Marinho, um poema de Vinicius de Moraes Tal como anjos em decúbito A conversar com o céu baixinho Existem cerca de cem túmulos Num lindo cemiteriozinho Que eu, a passeio, descobri Um dia em Sidi Bou Said. Mal defendidos por uns muros Erguidos ao sabor da morte Eu nunca vi mortos tão puros Mortos…
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Vinícius de Moraes – O Verbo no Infinito

Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então sorrir E então sorrir para poder chorar. E crescer,…
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Vinicius de Moraes – O poeta Hart Crane suicida-se no mar

Quando mergulhaste na água Não sentiste como é fria Como é fria assim na noite Como é fria, como é fria? E ao teu medo que por certo Te acordou da nostalgia (Essa incrível nostalgia Dos que vivem no deserto…) Que te disse a Poesia? Que te disse a Poesia Quando Vênus que luzia No…
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Vinicius de Moraes – Soneto de Quarta Feira de Cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura Em tão doce surpresa conquistada Por seres uma branca criatura De uma brancura de manhã raiada Por seres de uma rara formosura Malgrado a vida dura e atormentada Por seres mais que a simples aventura E menos que a constante namorada Porque te vi nascer de mim…
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Vinicius de Moraes – Soneto de Maio

Suavemente Maio se insinua Por entre os véus de Abril, o mês cruel E lava o ar de anil, alegra a rua Alumbra os astros e aproxima o céu. Até a lua, a casta e branca lua Esquecido o pudor, baixa o dossel E em seu leito de plumas fica nua A destilar seu luminoso…
