Marina Tsvetáieva – Um poema em duas traduções

Tentativa de ciúme - Trad.: Augusto de Campos Como vai você com a outra? Fácil, não é? — Um golpe de remo! — E de pronto a linha da costa Se foi e você já nem se lembra De mim, ilha flutuante (No céu, por certo, não no mar)! Almas! Almas! — antes amar Como … Continue lendo Marina Tsvetáieva – Um poema em duas traduções

Federico García Lorca – 1910 (Intermezzo)

Aqueles olhos meus de mil e novecentos e dez não viram enterrar os mortos, nem a feira de cinzas daquele que chora pela madrugada, nem o coração que treme acossado como um cavalo marinho. Aqueles olhos meus de mil e novecentos e dez viram a parede branca onde as meninas mijavam, o focinho do touro, … Continue lendo Federico García Lorca – 1910 (Intermezzo)

Charles Baudelaire – A Giganta

Pois quando a Natureza, em seu capricho exato, Gerava estranhos seres raros, dia a dia, Uma giganta moça – eis do eu gostaria, Para viver-lhe aos pés com a volúpia de um gato. Ver seu corpo florir com a flor de sua alma E crescer livremente em seus terríveis jogos; Ver se não teria no … Continue lendo Charles Baudelaire – A Giganta

Goethe – Pensamentos Noturnos

Tão belas na rútila luz soberana, Guia do navegante aflito, sem norte (E sem recompensa, divina ou humana), – Tenho dó de vocês, estrelas sem sorte, Sem jamais amar e sem saber do amor! Tangendo, incansáveis, as horas eternas Na ronda do tempo das vastas esferas, Vocês vão cumprindo percursos sem conta. Mas eu, se … Continue lendo Goethe – Pensamentos Noturnos

Thomas Hardy – Acaso

Se ao menos do alto me chamasse um deus De ódio, e risse: "Ó homem coisa-dor, Teu sofrimento é o júbilo dos céus, Teu deve-amor é o meu haver-rancor", Eu me conformaria, indo ao extremo De não dobrar-me, réu de um juiz verdugo, Mas orgulhoso que um poder sumpremo Me obrigasse a gemer sob o … Continue lendo Thomas Hardy – Acaso