Tag: Pedro Gonzaga
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Czeslaw Milosz – A queda

A morte de um homem é como a queda de uma poderosa naçãoQue teve valentes exércitos, capitães e profetas,E ricos portos e barcos em todos os mares,Mas agora não socorrerá nenhuma cidade sitiada,Não entrará em nenhuma aliança, Porque suas cidades estão vazias, sua população dispersa,Sua terra que certa vez proveu de colheitas está saturada de…
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Czesław Miłosz – Uma descrição honesta de mim mesmo com um copo de whisky num aeroporto, digamos, em Minneapolis

Meus ouvidos captam cada vez menos as conversas, meus olhos vêm se tornando fracos, embora sigam insaciáveis. Vejo suas pernas em minissaias, em calças compridas, em tecidos ondulantes, Observo uma a uma, separadamente, suas bundas e coxas, acalentado por sonhos pornô. Velho depravado, é chegada a hora da cova, não dos jogos e folguedos da…
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Nicolás Guillén – Um poema de amor

Não sei. Ignoro-o.Desconheço todo o tempo que andeisem encontrá-la novamente.Quem sabe um século? Talvez.Talvez um pouco menos: noventa e nove anos.Ou um mês. Poderia ser. De qualquer formaum tempo enorme, enorme, enorme.Ao fim como uma rosa súbita,repentina campânula tremendo,a notícia.Saber de prontoque ia voltar a vê-lá, que a teriaperto, tangível, real, como nos sonhos.Que troar…
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Konstantinos Kaváfis – Velas

Os dias futuros se erguem diante de nóscomo uma fileira de velas acesas –douradas, vivazes, cálidas velas. Os dias do passado ficaram tão para trás,fúnebre fileira consumidaonde as mais próximas ainda fumam,velas frias, retorcidas e desfeitas. Não quero vê-las; seu aspecto me aflige,me aflige recordar sua luz primeira.Vejo diante de mim as velas acesas. Não…
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Nâzim Hikmet – O último ônibus

Meia-noite. O último ônibus.O condutor rasga os bilhetes.Não me esperam em casa nem uma má notícianem a fartura da bebida.Para mim, é a partida que espera.Caminho em direção a ela sem medoou tristeza. A escuridão imensa se aproxima de mim.Posso olhar para o mundocalma e serenamente, agora.Já não me surpreende a traição de um amigo,a…
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Czeslaw Milosz – A queda

A morte de um homem é como a queda de uma poderosa nação Que teve valentes exércitos, capitães e profetas, E ricos portos e barcos em todos os mares, Mas agora não socorrerá nenhuma cidade sitiada, Não entrará em nenhuma aliança, Porque suas cidades estão vazias, sua população dispersa, Sua terra que certa vez proveu…
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Czesław Miłosz – Uma descrição honesta de mim mesmo com um copo de whisky num aeroporto, digamos, em Minneapolis

Meus ouvidos captam cada vez menos as conversas, meus olhos vêm se tornando fracos, embora sigam insaciáveis. Vejo suas pernas em minissaias, em calças compridas, em tecidos ondulantes, Observo uma a uma, separadamente, suas bundas e coxas, acalentado por sonhos pornô. Velho depravado, é chegada a hora da cova, não dos jogos e folguedos da…
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Nicolás Guillén – Um poema de amor

Não sei. Ignoro-o.Desconheço todo o tempo que andeisem encontrá-la novamente.Quem sabe um século? Talvez.Talvez um pouco menos: noventa e nove anos.Ou um mês. Poderia ser. De qualquer formaum tempo enorme, enorme, enorme.Ao fim como uma rosa súbita,repentina campânula tremendo,a notícia.Saber de prontoque ia voltar a vê-lá, que a teriaperto, tangível, real, como nos sonhos.Que troar…
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Konstantinos Kaváfis – Velas

Os dias futuros se erguem diante de nós como uma fileira de velas acesas – douradas, vivazes, cálidas velas. Os dias do passado ficaram tão para trás, fúnebre fileira consumida onde as mais próximas ainda fumam, velas frias, retorcidas e desfeitas. Não quero vê-las; seu aspecto me aflige, me aflige recordar sua luz primeira. Vejo…
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Nâzim Hikmet – O último ônibus

Meia-noite. O último ônibus.O condutor rasga os bilhetes.Não me esperam em casa nem uma má notícianem a fartura da bebida.Para mim, é a partida que espera.Caminho em direção a ela sem medoou tristeza. A escuridão imensa se aproxima de mim.Posso olhar para o mundocalma e serenamente, agora.Já não me surpreende a traição de um amigo,a…