Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta viaque chamam vida, vamoscom cautela devida, tal qual um cego.Mas em cinzas terminatodo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 27/05/2018 Conviene no Olvidarlo Por esta senda,que llaman vida, todosvamos a tientas, igual que un ciego.En ceniza terminantodos los fuegos.
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Keisha Cassel – As nove Sinfonias de Beethoven: um estudo de caso

E se eu lhe dissesse que nem uma única guerra acontece dramaticamente? // Nem as guerras em sua casa / nem as guerras no seu corpo / somos todos capazes da violência // de destruir todos em nosso caminho pelo puro prazer… Keisha Cassel – Nona Sinfonia de Beethoven: um estudo de caso
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Charlotte Mew – Quartos

Lembro-me de quartos que tiveram relação Com o constante esgotamento do coração. O quarto em Paris, o quarto em Genebra, O quarto pequeno e úmido com cheiro de algas E aquele som da maré, enlouquecedor e perenal — Quartos onde as coisas morriam — para o bem ou para o mal. Mas há um quarto…
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Ted Kooser – Fazenda Abandonada

Ele era um homem grande, diz o tamanhodos seus sapatos sobre uma pilha de pratos quebrados junto à casa;um homem alto também, diz o comprimento da camano quarto do andar de cima; e um homem bom e temente a Deus,diz a Bíblia com a contracapa arruinadano chão abaixo da janela, empoeirada de sol;mas não um…
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Peter Sirr – Uma cartilha saxônica

Uma cartilha saxônica Para além deste afã e deste verso, aguarda-me inesgotável o universo. – Borges Penso então em Borges ficando cego,e no que ele disse sobre a alma.Ele tentava entender por queum homem que perde o mundobusca espadas e monstrose saxões com vozes rudes no Salão de Hidromel1. É que a alma sabe-se imortal,diz ele,…
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Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempoque os outros deixam de ladoporque lhes sobra ou já não sabemo que fazer com eletempoem brancoem rubroem verdemesmo em castanho escuronão me importa a corcândido tempoque eu não posso abrire fecharcomo uma porta tempo para olhar uma árvore, um farolpara caminhar à beira do descansopara pensar que bom que…
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Roger Wolfe – A Última Noite da terra

O melro de todos os anos voltou a visitar minha casaE, no entanto, ainda estou aqui.Sua melodia não muda, já o disse antes.Mas meu trabalho é constatar o óbvio,e é isso que o melro me faz lembrar.O tempo passa, as pessoas envelhecem e morrempor sua própria mão ou com ajuda.As palavras escorrem pelo ralodo que…
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Rosanna Warren – Lago

Você estava com água até as coxas e a luz verde refletianas cavidades dos seus quadris e no estômago, que é onde a chama pilotoardia nas antigas estátuas de Dionísio,e por um momento, enquanto você caminhava mais em direção ao fundo, parecia queaquela água poderia lavar o pesode suas próprias estações e de doenças que…
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Abdellatif Laâbi – Duas horas em um trem

Em uma viagem de trem de duas horasEu revejo o filme da minha vidaCerca de dois minutos por anoMeia hora para a minha infânciaoutra para o meu tempo na prisãoEnquanto o amor, livros e viagenscompartilham o restoA mão de minha parceira gradualmentese funde à minha e sua cabeça,que repousa em meu ombro,parece leve como uma…
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Alex Dimitrov – Os anos

Leia “Os anos”, de Alex Dimitrov, um poema melancólico e elegante sobre amizade, memória, juventude e a passagem do tempo.