Mês: agosto 2025
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Natasha Trethewey – Teorias sobre o tempo e o espaço

“Teorias sobre o tempo e o espaço,” um poema de Natasha Trethewey em que a jornada por paisagens familiares e esquecidas revela memórias soterradas, ecos de identidade e o peso silencioso da passagem do tempo.
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Cassiano Ricardo – Gramática Visual de Cristo

1 “Cristo, terá sidoem vão teu sacri-fício?vê, o sangue escorre,acre, no massacredas ruas.” Cristo espalmou amãocobrindo os olhoshorizontalmentepra não vera destruiçãodo ser 2 “Cristo,vê os pequeninosque tanto amasteagora garotosnos becoscomo ratos dentrode sapatosrotos.” Cristo escondeu,de novo, a face,como se chorassenão querendoque o vissemchorar. Gramática visuala de Cristo;“Não veré não ser visto.“ 3 “Cristo,ouve a imprecaçãoque…
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Linda Gregg – Uma sede contrária

“Uma Sede Contrária”, um poema de Linda Gregg sobre a luta íntima entre a ordem e a ruína, onde a beleza floresce apenas para ser entregue ao tempo, e até Deus parece habitar no frio desolado das ruas abandonadas.
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Louis MacNeice – Uma catarata concebida como uma procissão de cadáveres

“Uma catarata concebida como uma procissão de cadáveres”, um poema de Louis MacNeice em que o rio se transforma em palco de um ritual sombrio, onde a correnteza sussurra segredos de morte e esquecimento, arrastando o eco de vidas que se perdem na cadência interminável das águas.
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Cassiano Ricardo – Etc.

Existe tudo porque existo.Há porque vemos.(Fernando Pessoa) Para que o mundo exista, existimos.Pois seja. Sem os nossos olhos, sem o que somos,que adiantaria haver mundo?Seria a árvore dos dourados pomos, etc. O que é ignorado não existe.O que é eterno também não existe.A eternidade é uma forma de não existência. Ao menos para nós o…
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Carl Sandburg – O crepúsculo dos búfalos

“O Crepúsculo dos Búfalos”, um poema de Carl Sandburg sobre a memória efêmera de uma era perdida, onde a terra, marcada por grandes presenças, agora se vê vazia e silenciosa, carregando apenas ecos de um passado distante.
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Jorge Luis Borges – Remorso por qualquer morte

Livre da memória e da esperança,Ilimitado, abstrato, quase futuro,O morto não é um morto: é a morte.Como o Deus dos místicos,A quem se devem negar todos os predicados,O morto, onipresentemente alheio,Não é senão a perdição e a ausência do mundo.Tudo lhe roubamos,Não lhe deixamos nem uma cor, nem uma sílaba:Aqui está o pátio que seus…
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W.S. Merwin – Rio

“Rio”, um poema de W. S. Merwin sobre a efemeridade das coisas, evocando a memória de Li Po e a fluidez do tempo que, como um rio, segue seu curso indiferente ao desaparecimento de tudo ao redor.
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Cassiano Ricardo – Missa de Corpo Presente

O seu corpo tão alvo, o seu corpo presenteé a coisa mais ausente, é uma ilusãopensar que a rosa ou o fruto já colhidosainda soluçam desprendidos da haste. O seu corpo é já um fruto neutro e frio.Não obstante jovem, tem a mesma idadede todos os que morreram antes, ou mesmona mais remota origem babilônica.…
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Mary Oliver – Prece

“Prece”, um poema de Mary Oliver em que o sagrado se revela na simplicidade do olhar.