Tag: Miguel Torga
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Miguel Torga – Rogo

Não, não rezes por mim.Nenhum deus me perdoa a humanidade.Vim sem vontadeE vou desesperado.Mas assinei a vida que vivi.Doeu-me o que sofri.Fui sempre o senhorio do meu fado. Por isso, quero a morte que mereço.A morte natural,Solitária e malditaDe quem não acreditaEm nenhuma oraçãoDe salvação.De quem sabe que nunca ressuscita. Coimbra, 16 de Abril de…
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Miguel Torga – Sísifo

Recomeça…Se puderesSem angústiaE sem pressa.E os passos que deres,Nesse caminho duroDo futuroDá-os em liberdade.Enquanto não alcancesNão descanses.De nenhum fruto queiras só metade.E, nunca saciado,Vai colhendoIlusões sucessivas no pomar.Sempre a sonharE vendo,Acordado,O logro da aventura.És Homem, não te esqueças!Só é tua a loucuraOnde, com lucidez, te reconheças.
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Miguel Torga – Rogo

Não, não rezes por mim. Nenhum deus me perdoa a humanidade. Vim sem vontade E vou desesperado. Mas assinei a vida que vivi. Doeu-me o que sofri. Fui sempre o senhorio do meu fado. Por isso, quero a morte que mereço. A morte natural, Solitária e maldita De quem não acredita Em nenhuma oração De…
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Miguel Torga – Princípio

Não tenho deuses. Vivo Desamparado. Sonhei deuses outrora, Mas acordei. Agora Os acúleos são versos, E tacteiam apenas A ilusão de um suporte. Mas a inércia da morte, O descanso da vide na ramada A contar primaveras uma a uma, Também não me diz nada. A paz possível é não ter nenhuma.
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Miguel Torga – Comunicado

Na frente ocidental nada de novo. O povo Continua a resistir. Sem ninguém que lhe valha, Geme e trabalha Até cair.
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Miguel Torga – Agenda

Folheio a vida Num calendário velho. Dias riscados, como contas pagas. Domingos de repouso, Segundas de trabalho Sábados de cansaço, Sem nenhum sentido. No abismo do nada, O nada, apenas. Quem sofreu nestas páginas vazias, Tão frias, Tão serenas?
