Mês: julho 2025
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Ricardo Reis – Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamosQue a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vidaPassa e não fica, nada deixa e nunca regressa,Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos…
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Marina Tzvietáieva – Abro as veias

“Abro as Veias”, um poema de Marina Tzvietáieva sobre o fluxo incessante e inexorável da própria essência, que, ao se esvair, encontra sua força mais profunda e seu destino inevitável na poesia.
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John Donne – Elegia: indo para o leito

Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;Até que eu lute, em luta o corpo jaz.Como o inimigo diante do inimigo,Canso-me de esperar se nunca brigo.Solta esse cinto sideral que vela,Céu cintilante, uma área ainda mais bela.Desata esse corpete constelado,Feito para deter o olhar ousado.Entrega-te ao torpor que se derramaDe ti a mim, dizendo: hora…
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Lisel Mueller – Monet recusa a cirurgia

*”Monet Recusa a Cirurgia”*, um poema de Lisel Mueller sobre a luta entre a clareza objetiva e a visão artística, onde a passagem do tempo transforma o mundo em um espaço de fusões e conexões invisíveis, reveladas apenas ao olhar de quem aprendeu a ver além da superfície.
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Bruno Tolentino – Via Crucis

A Via Crucis foi uma selvageria,a Crucifixão uma brutalidade;mas em três, quatro horas, acabou a agonia,baixou a eternidade. Eu vivo aqui, crucificada noite e dia,carrego da manhã à tardeo meu lenho de opróbrio e a noite me excrucia,lenta, fria, covarde. Ah, como eu preferiaque me crucificassem de uma vez, sem o alardede algum terceiro dia!…
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Sharon Olds – Quando dizem que você tem talvez três meses de vida

“Quando dizem que você tem talvez três meses de vida”, um poema de Sharon Olds que explora a complexidade do amor e da perda, enquanto reflete sobre a fragilidade da vida e a profundidade das conexões humanas em meio à inevitabilidade da morte.
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Catulo – Vivamus, mea Lésbia, ataque amemus

Vivamos minha Lésbia, e amemos,e as graves vozes velhas– todas –valham para nós menos que um vintém.Os sóis podem morrer e renascer:quando se apaga nosso fogo brevedormimos uma noite infinita.Dá-me pois mil beijos, e mais cem,e mil, e cem, e mil, e mil e cem.Quando somarmos muitas vezes milmisturaremos tudo até perder a conta:que a…
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Margaret Hasse – Primeiro dia de Jardim de Infância

“Primeiro dia de Jardim de Infância,” um poema de Margaret Hasse em que a despedida inocente entre mãe e filho revela, em instantes delicados, os primeiros vislumbres de independência e desapontamento.
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Olavo Bilac – Nel Mezzo Del Camin…

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigadaE triste, e triste e fatigado eu vinha.Tinhas a alma de sonhos povoada,E a alma de sonhos povoada eu tinha… E paramos de súbito na estradaDa vida: longos anos, presa à minhaA tua mão, a vista deslumbradaTive da luz que teu olhar continha. Hoje, segues de novo… Na partidaNem o pranto teus…
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John Yau – “E Pluribus Unum”

“E Pluribus Unum”, um poema de John Yau sobre o tecido sutil que une o tumulto da existência e a quietude da alma, onde fragmentos de luz e sombra se entrelaçam, tecendo o véu da experiência humana.