Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Charles Simic – Na Biblioteca

Para Octavio Há um livro chamado“Um Dicionário dos Anjos”.Ninguém o abre há cinquenta anos,Eu sei, porque quando o fizAs capas rangeram, as páginasdesmancham-se. Nele descobriQue os anjos eram tão abundantesQuanto moscas. Ao entardecer, o céuCostumava ficar repleto deles.Você precisava agitar os dois braçosApenas para mante-los à distância.Agora o sol brilhaAtravés de altas janelas.A biblioteca é…
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Eugenio Montale – O lago de Annecy

Não sei por que minhas memórias te relacionamao lago de Annecyque visitei alguns anos antes de tua morte.Mas na época eu não pensava em ti, era joveme julgava ser o senhor do meu destino.Por que uma memória tão enterrada é capaz deaflorar eu não sei; tu mesmacertamente me enterraste e nem percebeste.Agora ressurges viva, embora…
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José Infante – [A morte é definitivamente o fim]
![José Infante – [A morte é definitivamente o fim]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2022/09/caronte.jpg)
A morte é definitivamente o fim, por maisque nos tentem enganar com cânticos,com hinos, com orações e salmos.A morte é o fim e é justoque seja assim. Que não hajarecompensas nem punições. Somenteque nos deixem perdermo-nos no nada,de onde viemos sem ter sidopreviamente convidados. Trad.: Nelson Santander [La muerte sí es el final] La muerte…
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Danusha Laméris – Nada quer sofrer

Nada quer sofrer após LInda Hogan Nada quer sofrer. Nem o ventoque arranha contra a encosta. Nem o penhasco sendo devorado, lentamente, pelo mar. A terra não quersofrer o pisoteio bruto de quem a ignora. As árvores não querem sofrer o machado, nem versuas irmãs derrubadas pela podridão, pelo mofo e oxidação de suas raízes. …
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Brad Aaron Modlin – O que você perdeu no dia em que não foi à aula

A Sra. Nelson explicou como ficar imóvel e ouviro vento, como encontrar sentido em encher o tanque, como descascar batatas pode ser uma forma de oração. Ela respondeua perguntas sobre como não se sentir perdido no escuro. Depois do recreio, ela distribuiu folhas de exercíciosque abordavam maneiras de como lembrar as vozes de nossos avôs.…
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Wendy Cope – Em um trem

O livro que estou lendo repousa em meu joelho. Você dorme. Lá fora é tão bonito —campos, pequenos lagos e árvores de invernosob o sol de fevereiro,cada estacionamento um brilhante mosaico. Longos e radiantes minutos,sua mão na minha mão,ainda quente, ainda quente. Trad.: Nelson Santander On a Train The book I’ve been readingrests on my…
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José Alcaraz – Volta para Casa

Atravessa as ruasabsorto nos ecos das pessoas,distante até de seus pensamentos.Não chove, não abre o seu guarda-chuva,mas, como sempre, molham-senão só seus sapatosmas também sua vida, porque às vezesnão se lembra que o mundo o reclama.Caminha como quem não sabe para onde,a cada passo crê estar sozinho,e mais distante das outras pessoas,por isso chega tarde…
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Finn Butler – Marinho

Todos os que o amedrontam são sessenta e cinco por cento água.E todos os que você ama são feitos de poeira estelar, e eu sei queàs vezesvocê nem consegue respirar profundamente,o céu noturno não é seu lar evocê já chorou sozinho até dormir tantas vezesque chegou aos seus últimos dois por cento, mas nada é…
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Maya C. Popa – Vida querida

Não posso desfazer tudo o que fiz a mim mesma,o que permiti que um apetite por amor me fizesse. Eu quis o mundo todo, suas maravilhase suas mazelas; alguns diasacho que já houve castigo suficiente. Com frequência, recebi mais do que pedi, que é como isso funciona — você pesca em mar abertopronta para ser…
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Hans Magnus Enzensberger – Discurso pós-jantar em um noivado

Este eu, um invólucro que,contanto que ninguém o abra,parece compacto, regularcomo um Kinder ovo,quase apetitoso. Só por dentroé escuro. Quem sabeo que estará esperando por você lá.Obsessões, sem dúvida,hábitos enferrujados,medos incompreensíveis,truques de segunda mão,desejos infantis.Que você deseje tê-la,esta caixa de presente,beira o milagre. Trad.: Nelson Santander (a partir de tradução do alemão para o inglês…