Tag: Konstantinos Kaváfis
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Konstantinos Kaváfis – Desejos (em 3 traduções)

DESEJOS – Trad. José Paulo Paes Belos corpos de mortos que nunca envelheceram,com lágrimas sepultos em mausoléus brilhantes,jasmim nos pés, cabeça circundada de rosas –assim são os desejos que um dia feneceramsem chegar a cumprir-se, sem conhecerem anteso prazer de uma noite ou a manhã luminosa. DESEJOS – Trad. Ísis Borges da Fonseca Como belos…
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Konstantinos Kaváfis – O Prazo de Nero

Não ficou perturbado Nero quando ouviudo Oráculo de Delfos o prenúncio:“Teme ao ano septuagésimo terceiro.”Tinha tempo bastante a desfrutar.Só contava trinta anos. Muito dilatadoera o prazo que o Deus lhe concediapara cuidar-se dos riscos do futuro. Agora vai voltar a Roma um tanto fatigadoda magnífica fadiga que se traz de uma viagemtoda feita de dias…
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Konstantinos Kaváfis – Míris: Alexandria, 340 d. c.

Quando eu soube da tragédia, que Míris estava morto,fui até sua casa, embora eviteentrar nas casas dos cristãos,principalmente em épocas de luto ou de festividades. Fiquei no corredor. Não quisavançar mais para dentro, porque percebique os parentes do morto me olhavamcom evidente surpresa e desagrado. Tinham-no colocado num cômodo amplodo qual, do ponto onde permaneci,eu…
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Konstantinos Kaváfis – Um velho

No meio do café ruidoso, sem ninguém,por companhia, está sentado um velho. Temà frente um jornal e se inclina sobre a mesa. Imerso na velhice aviltada e sombria,pensa quão pouco desfrutou as alegriasdos anos de vigor, eloqüência, beleza. Sabe que envelheceu bastante. Vê, conhece.No entanto, o seu tempo de moço lhe pareceser ainda ontem: faz…
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Konstantinos Kaváfis – Vozes

Vozes queridas, vozes ideaisdaqueles que morreram ou daqueles que estãoperdidos para nós, como se mortos. Eles nos falam em sonho, algumas vezes;outras vezes, em pensamento as escutamos. E, quando soam, por um instante eis que retornamos sons da poesia primeva em nossa vida,qual música distante que se perde noite afora. Trad.: José Paulo Paes REPUBLICAÇÃO:…
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Konstantinos Kaváfis – A cidade

Dizes: “Eu vou para outras terras, eu vou para outro mar.Hão de existir outras cidades melhores do que esta.De todo o esforço feito – estava escrito – nada restae sepultado qual um morto eu tenho o coração.Até quando vai minha alma ficar nesta inação?Onde quer que eu olhe, para onde quer que eu volte a…
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Konstantinos Kaváfis – Muros

Sem cuidado nenhum, sem respeito nem pesarErgueram à minha volta altos muros de pedra. E agora aqui estou, em desespero, sem pensarnoutra coisa: o infortúnio a mente me depreda. E eu que tinha tanta coisa por fazer lá fora!Quando os ergueram, mal notei os muros, esses. Não ouvi voz de pedreiro, um ruído que fora.Isolaram-me…
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Konstantinos Kaváfis – Prece

Um marujo o abismo do mar guardou consigo.Sem de nada saber, a mãe coloca um círio aceso diante da Virgem, um longo círio,para que volte logo, a salvo dos perigos. No bramido dos ventos põe o seu ouvido;mas, enquanto ela reza e faz o seu pedido, sabe o ícone a escutá-la, grave, com pesar,que o…
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Konstantinos Kaváfis – Lembra, corpo…

Lembra, corpo, não só o quanto foste amado,não só os leitos onde repousaste,mas também os desejos que brilharampor ti em outros olhos, claramente,e que tornaram a voz trêmula – e que algumobstáculo casual fez malograr.Agora que isso tudo perdeu-se no passado,é quase como se a tais desejoste entregaras – e como brilhavam,lembra, nos olhos que…
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Konstantinos Kaváfis – Velas

Os dias futuros se erguem diante de nóscomo uma fileira de velas acesas –douradas, vivazes, cálidas velas. Os dias do passado ficaram tão para trás,fúnebre fileira consumidaonde as mais próximas ainda fumam,velas frias, retorcidas e desfeitas. Não quero vê-las; seu aspecto me aflige,me aflige recordar sua luz primeira.Vejo diante de mim as velas acesas. Não…