Tag: Manuel Bandeira
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Manuel Bandeira – A morte absoluta

“A Morte Absoluta”, um poema de Manuel Bandeira em que o eu lírico aspira à dissolução sem vestígios, à erradicação total do ser — não como fuga, mas como êxtase do esquecimento, apagamento do eco e transcendência do próprio nome.
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Manuel Bandeira – O Rio

Ser como o rio que defluiSilencioso dentro da noite.Não temer as trevas da noite.Se há estrelas nos céus, refleti-las.E se os céus se pejam de nuvens,Como o rio as nuvens são água,Refleti-las também sem mágoaNas profundidades tranquilas. REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 01/03/2016
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Manuel Bandeira – Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro,Tu refletes as minhas rugas,Os meus cabelos brancos,Os meus olhos míopes e cansados.Espelho, amigo verdadeiro,Mestre do realismo exato e minucioso,Obrigado, obrigado! Mas se fosses mágico,Penetrarias até o fundo desse homem triste,Descobririas o menino que sustenta esse homem,O menino que não quer morrer,Que não morrerá senão comigo,O menino que todos os anos na véspera…
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Manuel Bandeira – Poema Só Para Jaime Ovalle

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro(Embora a manhã já estivesse avançada).Chovia.Chovia uma triste chuva de resignaçãoComo contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.Então me levantei,Bebi o café que eu mesmo preparei,Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando…– Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog…
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Manuel Bandeira – Profundamente

Quando ontem adormeciNa noite de São JoãoHavia alegria e rumorEstrondos de bombas luzes de BengalaVozes, cantigas e risosAo pé das fogueiras acesas. No meio da noite desperteiNão ouvi mais vozes nem risosApenas balõesPassavam errantesSilenciosamenteApenas de vez em quandoO ruído de um bondeCortava o silêncioComo um túnel.Onde estavam os que há poucoDançavamCantavamE riamAo pé das fogueiras…
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Manuel Bandeira – Renúncia

Chora de manso e no íntimo… Procura Curtir sem queixa o mal que te crucia: O mundo é sem piedade e até riria Da tua inconsolável amargura. Só a dor enobrece e é grande e é pura. Aprende a amá-la que a amarás um dia. Então ela será tua alegria, E será, ela só, tua…
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Jorge Luis Borges — Pátio

Com a tarde Cansaram-se as duas ou três cores do pátio. A grande franqueza da lua cheia Já não entusiasma o seu habitual firmamento. Hoje que o céu está frisado, Dirá a crendice que morreu um anjinho. Pátio, céu canalizado. O pátio é a janela por onde Deus olha as almas. O pátio é o…
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Manuel Bandeira – O Último Poema

Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
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Manuel Bandeira – Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro, Tu refletes as minhas rugas, Os meus cabelos brancos, Os meus olhos míopes e cansados. Espelho, amigo verdadeiro, Mestre do realismo exato e minucioso, Obrigado, obrigado! Mas se fosses mágico, Penetrarias até o fundo desse homem triste, Descobririas o menino que sustenta esse homem, O menino que não quer morrer, Que não…
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Manuel Bandeira – Soneto Inglês n. 2

Aceitar o castigo imerecido, Não por fraqueza, mas por altivez. No tormento mais fundo o teu gemido Trocar um grito de ódio a quem o fez. As delicias da carne e pensamento Com que o instinto da espécie nos engana Sobpor ao gênero sentimento De uma afeição mais simplesmente humana. Não tremer de esperança nem…