Joan Margarit – Arcadi Volodos: Sonata D894

É uma música modesta
como um jantar na cozinha,
hospitaleira como ter tido filhos.
Compadece-se do corpo
que a maré arrasta
à praia invernal de cada um.
Que franqueza nas notas mais abruptas
dizendo-me: é amor
também aquilo que parece hostil.
Quando se extingue o eco do piano,
o que escutei ainda me estremece.
A música de Schubert
é uma forma de caridade.

Trad.: Nelson Santander

Arkadi Volodos: Sonata D894

Es una música modesta
como una cena en la cocina,
hospitalaria como haber tenido hijos.
Se compadece de este cuerpo
que la marea arrastra
a la playa invernal de cada uno.
Qué franqueza en las notas más abruptas
diciéndome: es amor
también aquello que parece hostil.
Cuando el eco del piano se ha extinguido,
lo que he escuchado me estremece aún.
La música de Schubert
es una forma de la caridad.

Jorge Valdés Díaz-Vélez – Matzhevá

/   Em um livro do meu pai, leio
a frase: «A ti, que me lês».
É o título de uma elegia
escrita há dois séculos, ou um sopro
de solitude que se elevou
ao leitor imaginário de 
fora dos círculos do tempo.
Essa linha guarda em cada sílaba
a fresca impressão de sua veemência:
ser uma semente indócil em algum dia
limítrofe ao de agora, garrafa
de aflição lançada por alguém
como qualquer um de nós.
É, junto com a tarde, um epitáfio,
um grito que vem de muito longe,
e que hoje, 29 de fevereiro
de 2000, faz estremecer minhas mãos.
Invoco-a em voz baixa, e ela me ilumina
como uma prece no cativeiro;
pronuncio-a a quem estiver me ouvindo
virar esta página com frio.

Trad.: Nelson Santander

Matzhevá

   En un libro de mi padre, leo
la frase: «A ti, que me estás leyendo».
Es el título de una elegía
escrita hace dos siglos, o un hálito
de la soledumbre que ha subido
al lector imaginario desde
fuera de los círculos del tiempo.
Esa línea guarda en cada sílaba
la fresca impresión de su vehemencia:
ser semilla indócil algún día
limítrofe al de ahora, botella
de quebranto lanzada por alguien
igual a cualquiera de nosotros.
Es, junto a la tarde, un epitafio,
un grito que llega de muy lejos,
y hoy, a 29 de febrero
de 2000, estremece mis manos.
La invoco en voz baja, me ilumina
como una oración en cautiverio;
la digo a quien estuviera oyéndome
doblar esta página con frío.

Jane Routh — Um lugar

Quando você viveu toda sua vida adulta em um só lugar,
você derrubou árvores. Você as plantou muito próximas
ou bloqueavam a visão ou algumas adoeceram. Como nós,

elas crescem até os vinte anos, e depois engrossam. Isso se aplica
aos freixos e às bétulas, mas não aos carvalhos: eles são
atrofiados. Você nunca sabe a forma que um carvalho assumirá.

Você joga as toras no fogão sem se arrepender, embora
ainda sejam reconhecíveis – aquela bétula perto da cozinha,
e até mesmo este tronco de eucalipto do jardim.

Eu ainda planto árvores, embora saiba que não verei
como elas irão crescer e não consiga nem imaginar
as formas que elas poderão ostentar contra o céu invernal.

*

As calhas estão entupidas, cheias de curtas vogais.
Vamos enterrar meu vizinho amanhã, meu aniversário.
Há previsão de frio, depois, de neve. Veremos.

Quando você vive em um lugar há tanto tempo, há alguém
que você conhece em cada fileira. Da maneira como se resolveu,
meus amigos ficaram do outro lado, junto ao muro.

O carro funerário tem que ir pelo caminho mais longo, através da charneca.
É mais perto a pé, embora ainda pareça distante do mundo,
a igreja em sua depressão, as paredes de pedra.

*

Quando você viveu sua vida em uma comunidade
e se reúne com seus vizinhos para um enterro,
você pensa o mesmo que todo os que ali estão:
aquele é o Tom? – continua bonito, embora o casaco
esteja muito justo nos ombros. Nós polimos nossos óculos,
seguramos o hinário com o braço estendido.
George está completamente grisalho agora. Ruby também.
Um de nós será o próximo: o que alguém lembra
que dissemos uma vez já passou e se repetiu.
Logo todos nós seremos histórias – apenas histórias, sem nomes.

*

Um leque perfeito preservado na neve
onde um faisão pressionou sua cauda aberta
para a decolagem. O túmulo fica bem ao lado da trilha.

Quando você viveu a maior parte de sua vida com as mesmas pessoas,
compartilhando com elas o mesmo tempo e cortes de energia e inundações,
elas começam a transmitir suas histórias que mantêm a mortalidade longe.
Você deve se lembrar dos nomes
embora até mesmo o narrador se esqueça: a quem pertencia o campo superior
acima do cemitério naquela época, Billy Morphet?
ou ao irmão dele? de qualquer maneira, ele e o coveiro
estavam fumando um cigarro, ambos encostados na parede,
quando Jimmy Read apareceu. Sem nada dizer,
ele entra na cova, deita-se e fica imóvel
– reflita sobre isso, ele deitado ali, escutando –
o coveiro quase cai sobre ele com o choque.

Lembre-se, ele diria depois, são seis pés… é uma longa descida.

*

Quando você conhece um lugar por toda a vida, não precisa de mapas;
todos os nomes têm suas formas e suas texturas:
Helks, Jacksons Pasture, Perry Moor – mesmo os campos
têm nomes: Robins Close, Parrocks Meadow.

Mas quem foi Jackson? quem foi Robin? – você não sabe nada
sobre eles, as pedras datadas que eles colocaram sobre suas soleiras
sobreviveram a eles como sabiam que sobreviveriam –
mas sem denomina-los. Apenas o ano e as iniciais.

O único grande carvalho no topo da Floresta Velha
rio acima – quem o plantou? Ou foi um gaio-azul?
Desde que Ken instalou para mim a sebe à beira da estrada no ano passado,
quem por ali passa pode ver as árvores que plantei há vinte anos

como se fossem novas e repentinas. Já ouvi dizer que as chamam de Ken’s Wood
– não Jane’s. Elas parecem adoráveis da estrada,
troncos fortes e retos e muito mais além do terreno elevado.
Espalhei sementes de dedaleira entre elas, e alhos-selvagens também.

Trad.: Nelson Santander

One Place

When you’ve lived all your adult life in one place,
you fell trees. You planted them too close
or blocked the view or some sickened. Like us

they go for height till they’re twenty, then thicken. That’s true
of the ash and the birch, but not oak: they’re
stunted. You never know how an oak will shape up.

You drop logs in the stove without regret, though
they’re recognisable still – that birch by the kitchen,
and even this length of eucalypt from the garden.

I’m still planting trees, though I know I’ll not see
how they’ll grow and can’t even imagine
the shapes they might make against winter sky.

*

Downspouts are busy, full of short vowels.
We’re burying my neighbour tomorrow, my birthday.
Ice is forecast, then snow. We’ll see.

When you’ve lived in one place so long, there’s someone
you know in every row. The way it’s worked out,
my friends are at the far side, by the wall.

The hearse has to go the long way, over the moor.
It’s nearer on foot, though it still feels removed from the world,
the church in its hollow, the stone walls.

*

When you’ve lived your life in one parish
and gather with neighbours for a burial,
you think the same thoughts as everyone else:
is that Tom? – still handsome, though that coat’s
tight on the shoulders. We polish our glasses,
hold hymn sheets out at arm’s length.
George is completely white now. Ruby is too.
One of us will be the next: what someone remembers
we said one time passed round and repeated.
Then all of us will be stories – just stories, no names.
*
A perfect fan preserved in the snow
where a pheasant pressed down its spread tail
for take-off. The grave’s right next to the footpath.

When you’ve lived most of your life with the same people
sharing your weather and power cuts and floods,
they start to pass on their tales that keep mortality at bay.
You’re supposed to remember the names
though even the teller forgets: who was it had the top field
above the graveyard in those days, Billy Morphet?
or his brother? anyway, he and the gravedigger
were having a smoke, the two of them up by the wall,
when Jimmy Read comes along. He doesn’t let on:
he gets in the hole and lies down and keeps quiet
– just think on it, laid there, listening out –
the gravedigger nearly falls in on top with the shock.

Mind you, he said after, six foot… it’s a long way down.

*

When you know a place lifelong, you’ve no need of maps;
every name has its shapes and its feel underfoot:
Helks, Jacksons Pasture, Perry Moor – even the fields
have names: Robins Close, Parrocks Meadow.

But who was Jackson? who was Robin? – you know nothing
of them, the datestones they set over their doorways
outlasting them as they knew they would –
but not calling them up. Just the year, just initials.

The one great oak at the top of the Old Wood
above the river – who planted that? Or was it a jay?
Since Ken laid the roadside hedge for me last year,
passers-by can see the trees I planted twenty years ago

as if they’re new and sudden. I’ve heard it called Ken’s Wood
– not Jane’s. They look lovely from the road,
strong trunks and straight and more beyond on rising ground.
I scattered foxglove seeds among them, and ramsons too.

Louis Jenkins – O casal

Eles já não dormem tão bem como
quando eram jovens. Ele fica desperto pensando
em coisas que aconteceram anos atrás, virando
desconfortavelmente de vez em quando, puxando o
cobertor. Ela se preocupa com dinheiro. Primeiro um
e depois o outro ficam ambos acordados durante a noite,
em turnos como se estivessem de guarda, embora não consigam
ver muito no escuro e esteja tudo calmo. Eles
são sentinelas em algum posto avançado, um forte abandonado
em algum lugar no meio das Grandes Planícies
onde apenas o vento é um visitante regular. Cada qual
fica de guarda na vastidão selvagem de uma vida
imaginária na qual o outro dorme despreocupado.

Trad.: Nelson Santander

The Couple

They no longer sleep quite as well as they did
when they were younger. He lies awake thinking
of things that happened years ago, turning
uncomfortably from time to time, pulling on the
blankets. She worries about money. First one
and then the other is awake during the night,
in shifts as if keeping watch, though they can’t
see very much in the dark and it’s quiet. They
are sentries at some outpost, an abandoned fort
somewhere in the middle of the Great Plains
where only the wind is a regular visitor. Each
stands guard in the wilderness of an imagined
life in which the other sleeps untroubled.

Ada Limón – O ano dos pintassilgos

Eram dois pendendo e pairando próximos
da poça de lama e do cardo almiscarado.
Esvoaçando de um poste partido
para outro, banhando-se no reflexo da água da chuva
como se fosse um espelho para algum outro universo
onde as coisas fossem mais aceitáveis, mais fáceis
do que no lugar onde eu vivia. Eu os observaria:
o exibido macho brilhante, a mirrada
fêmea, em cada caminhada matinal, dias consumidos
buscando por algum tipo de resposta fugidia
para a pergunta que minha curvada figura fazia.
Mais tarde, soube que eles eram um símbolo
da ressurreição. Claro que eram,
meus dois gêmeos de áureas-asas fazendo festa
nos espinheiros e adorando.

Trad.: Nelson Santander

The Year of the Goldfinches

There were two that hung and hovered
by the mud puddle and the musk thistle.
Flitting from one splintered fence post
to another, bathing in the rainwater’s glint
like it was a mirror to some other universe
where things were more acceptable, easier
than the place I lived. I’d watch for them:
the bright peacocking male, the low-watt
female, on each morning walk, days spent
digging for some sort of elusive answer
to the question my curving figure made.
Later, I learned that they were a symbol
of resurrection. Of course they were,
my two yellow-winged twins feasting
on thorns and liking it.

Wendell Berry – Tudo de que precisamos está aqui

Gansos surgem bem acima de nós,
passam, e o céu se fecha. O abandono,
como no amor ou no sono, os mantém
no seu caminho, claro
na antiga fé: tudo de que precisamos
está aqui. E oramos, não
por uma terra ou um céu novos, mas para termos
calma no coração, e no olhar,
clareza. Tudo de que precisamos está aqui.

Trad.: Nelson Santander

What We Need Is Here

Geese appear high over us,
pass, and the sky closes. Abandon,
as in love or sleep, holds
them to their way, clear
in the ancient faith: what we need
is here. And we pray, not
for new earth or heaven, but to be
quiet in heart, and in eye,
clear. What we need is here.

Lisel Mueller – Coisas

O que aconteceu é que nos sentimos solitários
vivendo entre as coisas,
por isso demos ao relógio um rosto,
à cadeira um encosto,
à mesa quatro pernas robustas
que jamais sofrerão fadiga.

Calçamos nossos sapatos que têm línguas
tão macias quanto as nossas
e penduramos linguetas dentro dos sinos
para podermos ouvir
sua linguagem emocional,

e porque adoramos perfis elegantes
a jarra recebeu boca,
a garrafa um longo e fino gargalo.

Mesmo o que estava além de nós
foi reformulado à nossa imagem;
demos ao país um coração,
ao temporal um olho,
à caverna uma boca
para que pudéssemos passar em segurança.

Trad.: Nelson Santander

Things
/
What happened is, we grew lonely 
living among the things,
so we gave the clock a face,
the chair a back,
the table four stout legs
which will never suffer fatigue.
/
We fitted our shoes with tongues
as smooth as our own
and hung tongues inside bells
so we could listen
to their emotional language,
/
and because we loved graceful profiles
the pitcher received a lip,
the bottle a long, slender neck.
/
Even what was beyond us
was recast in our image;
we gave the country a heart,
the storm an eye,
the cave a mouth
so we could pass into safety.
 

Noël Coward – Nada se perde

No fundo do nosso subconsciente, nos é dito,
Repousam todas as nossas memórias, todas as notas
De toda música que já ouvimos,
E o que disseram os que amamos, cada frase pronunciada,
Tristezas e perdas que desde então o tempo tem consolado,
Piadas de família, caquéticas anedotas
Cada souvenir sentimental e cada
Símbolo de tudo o que já vimos e vivemos,
Cada palavra que nos foi dirigida na infância, antes
Antes que pudéssemos sequer conhecer ou compreender
As implicações de nosso mundo mágico.
Ali estão todas elas, as míticas fabulações
As surpresas de aniversário, as visões, os sons,
As lágrimas, fragmentos esquecidos de anos perdidos
À espera de serem lembrados, prontos para emergir
Antes que o nosso mundo se dissolva diante dos nossos olhos
À espera de alguma pequena, íntima recordação,
Uma palavra, uma melodia, um familiar aroma corrente
Um eco do passado quando, inocentes
Olhávamos o presente com deleite
E não duvidávamos que o futuro seria mais generoso
E nunca experimentávamos a noite e sua solidão.

Trad.: Nelson Santander

Nothing is Lost

Deep in our sub-conscious, we are told
Lie all our memories, lie all the notes
Of all the music we have ever heard
And all the phrases those we loved have spoken,
Sorrows and losses time has since consoled,
Family jokes, out-moded anecdotes
Each sentimental souvenir and token
Everything seen, experienced, each word
Addressed to us in infancy, before
Before we could even know or understand
The implications of our wonderland.
There they all are, the legendary lies
The birthday treats, the sights, the sounds, the tears
Forgotten debris of forgotten years
Waiting to be recalled, waiting to rise
Before our world dissolves before our eyes
Waiting for some small, intimate reminder,
A word, a tune, a known familiar scent
An echo from the past when, innocent
We looked upon the present with delight
And doubted not the future would be kinder
And never knew the loneliness of night.

Claudia Rankine – Intempérie

Em um pedaço do papel no arquivo está escrito
esqueci minha sombrinha. Acontece que
em uma pandemia todos, não só o filósofo,
estamos sem uma. Nós batalhamos na seca de informações
retidas por investidores privilegiados. Gota a gota. Protegendo
o rosto? Sim. Distanciamento social? Sete palmos
sob a terra por condições subjacentes. Pretos.
Apenas nós e os azuis ajoelhados em um pescoço
com todo o peso do corpo de um homem de azul.
Oito minutos e quarenta e seis segundos.
In extremis, eu não consigo respirar cede lugar
à asfixia, à renúncia a este mundo,
e então mamãe, clamando, um chamado
para o protesto, fogo, vidro, digam seus nomes, digam
seus nomes, silêncio branco é igual a violência,
a violência de novo, uma força policial
militarizada lançando gás lacrimogêneo, balas ricocheteando,
e os distúrbios civis derrubando-a, queimando-a. Quaisquer que sejam
os contratos que nos mantêm sociais, eles nos compelem agora
a desordenar a desordem. Paz. Estamos aqui
para reparar o futuro. Há uma sombrinha
perto da porta, não para ontem mas para a intempérie
que está fazendo. Eu digo intempérie mas me refiro
a uma forma de governar que distribui mortes
e lhes dá nomes de vida. Eu digo intempérie mas me refiro a
um novembro que não será adiado. Desta vez
nada nem ninguém se esqueceu. Estamos aqui para a tempestade
que a tudo assola porque o que está acontecendo é importante.

Trad.: Nelson Santander

Weather

On a scrap of paper in the archive is written
I have forgotten my umbrella. Turns out
in a pandemic everyone, not just the philosopher,
is without. We scramble in the drought of information
held back by inside traders. Drop by drop. Face
covering? No, yes. Social distancing? Six feet
under for underlying conditions. Black.
Just us and the blues kneeling on a neck
with the full weight of a man in blue.
Eight minutes and forty-six seconds.
In extremis, I can’t breathe gives way
to asphyxiation, to giving up this world,
and then mama, called to, a call
to protest, fire, glass, say their names, say
their names, white silence equals violence,
the violence of again, a militarized police
force teargassing, bullets ricochet, and civil
unrest taking it, burning it down. Whatever
contracts keep us social compel us now
to disorder the disorder. Peace. We’re out
to repair the future. There’s an umbrella
by the door, not for yesterday but for the weather
that’s here. I say weather but I mean
a form of governing that deals out death
and names it living. I say weather but I mean
a November that won’t be held off. This time
nothing, no one forgotten. We are here for the storm
that’s storming because what’s taken matters.

R S Thomas – Charneca

É bela e calma;
                o ar rarefeito
como o interior de uma catedral

esperando uma presença. É também onde
                 ocorre o tartaranhão,
materializando-se do nada, neve-

suave, mas com garras de fogo,
                  esquartejando a terra nua
pela presa que lhe escapa;

pairando sobre o guincho
                  incipiente, aqui por um momento, depois
não mais, como minha crença em Deus.

Trad.: Nelson Santander

Moorland

It is beautiful and still;
                the air rarefied
as the interior of a cathedral

expecting a presence. It is where, also,
                 the harrier occurs,
materialising from nothing, snow-

soft, but with claws of fire, 
                  quartering the bare earth
for the prey that escapes it;

hovering over the incipient 
                  scream, here a moment, then
not here, like my belief in God.