Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Ellen Bass – Pinheiros de Ponary

Pinheiros de Ponary Cem mil pessoas foram assassinadas pelos nazistas em Ponary, dez quilômetros a sudoeste de Vilnius, onde minha avó nasceu. Hoje está cinzento, garoa,mas não o suficiente para que as gotas se acumulemnas pontas das agulhas de prataou para encharcar as cascas dos pinheiros de Ponary –alguns deles com mais de um século.Eles…
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Anne Sexton – A um amigo cuja obra alcançou o triunfo

Considere Ícaro, colando aquelas asas pegajosas,testando aquele estranho puxãozinho na omoplata,e pense naquele primeiro momento perfeito sobre o gramadodo labirinto. Pense na diferença que isso fez!Lá embaixo estão as árvores, desengonçadas como camelos;e aqui os estupefatos estorninhos passam batendo as asas,e pense no inocente Ícaro, que está indo muito bem:maior que uma vela, sobre a…
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Miller Williams – Um poema para Emily

Fatos e dedos pequenos e o mais distante de minha vezna terra, a um palmo e duas gerações de mim afastada,neste ainda presente eu tenho cinquenta e três.Você, nem vinte e quatro horas completadas. Quando eu tiver sessenta e três, e você, dez completos,e você não estiver nem longe nem perto de mimseus braços se…
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Dan Gerber – Para Deneb

Tão impossivelmente distante,dizem os eruditos astrônomos,mais remotado que qualquer outra Coisa queeu já tenha visto,calorosa companheira de uma noite de verão,um quarto de milhão de vezesa luz do nosso sol,obliterando os quatrilhõesde milhas da escuridão à sua volta,ainda assim tão familiar,tão em casa com as estrelas do nosso bairro,aqui na cauda do Cisne,tão serena em…
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Joan Margarit – Ser velho

Entre as sombras dos galose dos cachorros dos pátios e curraisde Sanaüja, abre-se um buracoque se enche de tempo perdido e chuva sujaenquanto as crianças caminham para a morte.Ser velho é uma espécie de pós-guerra.Sentados à mesa da cozinha,limpando as lentilhasao anoitecer do braseiro,vejo os que me amaram.Tão pobres que no fim daquela guerrativeram que…
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Jane Hirshfield – Otimismo

Tenho admirado a resiliência cada vez mais.Não a simples resistência de um travesseiro, cuja espumasempre volta ao mesmo formato, mas a sinuosatenacidade de uma árvore: ao encontrar a luz recém-bloqueada em um dos lados,ela se volta para o outro. Uma inteligência cega, é verdade.Mas de tal persistência surgiram tartarugas, rios,mitocôndrias, figos — todo este resinoso…
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Moya Cannon – Mãos

Mãos para Eamonn and Kathleen Foi em algum lugar sobre a costa nordeste do Brasil,sobre Fortaleza, uma cidade da qual nada sei,exceto que é cheia de pessoas —a vida de cada uma delas um mistériomaior do que a Amazônia —foi lá, enquanto o avião de brinquedo no monitor de vooavançava aos poucos para além da…
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Ada Limón – Estrelas extintas

Aqui fora, até as árvores se curvam. A mão gelada do inverno nas costas de todos nós.Casca escura, folhas amarelas escorregadias, uma espécie de quietudetão silenciosa que parece pertencer a outra era.Ultimamente, sou uma morada de aranhas: um ninho de tentativas.Apontamos para as estrelas que compõem Órion enquanto levamos o lixo pra fora, os contêineres…
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Robert Frost – Nada que é de ouro pode permanecer

No mundo, o ouro é o verde elementar,Sua matiz mais difícil de conservar.A flor é a sua inaugural semente;Não obstante por um instante somente. Depois, folha desaparece sob folha.E assim, no pesar o Paraíso mergulha,E a aurora se transforma em amanhecer.Nada que é de ouro pode permanecer. Trad.: Nelson Santander Nothing gold can stay Nature’s…
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Wendell Berry – A cobra

No final de outubroencontrei no chão da florestauma pequena cobra cujas costastinham o padrão da escuridãodas folhas mortas em que ela estava deitada.Seu corpo fora engrossado por um ratoou um pequeno pássaro. Ela estava fria,tão entorpecida com a barriga cheiae o ar do outono que mal se dava ao trabalho de mexer a língua.Eu a…