Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Ellen Bass – Ode à repetição

Gosto de fazer a mesma caminhadapela vasta extensão da Woodrow* até o oceanoe na maioria das vezes viro à esquerda em direção ao farol.O mar é sempre diferente. Em alguns dias oníricos,ondas que mal ondulam, apenas uma extensa ondulaçãosem nenhuma pressa de chegar. Em outros, a rebentação está bêbada,colidindo contra os rochedos como um acidente…
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Marie Howe – O que os vivos fazem

Johnny, a pia da cozinha está entupida há dias, algum utensílio deve ter caído lá dentro. E o Drano não funciona, mas tem um cheiro perigoso, e a louça encrostada foi se acumulando à espera do encanador que ainda não chamei. Este é o dia a dia de que falávamos. É inverno outra vez: o…
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Ted Kooser – Voo noturno

Sobre nós, estrelas. Sob nós, constelações.A cinco bilhões de milhas de distância, uma galáxia morrecomo um floco de neve desfazendo-se na água. Abaixo de nós,algum fazendeiro, sentindo o calafrio dessa morte distante,acende suas luzes de quintal, deslocando seu celeiro e galpãode volta para o pequeno sistema sob seus cuidados.Por toda a noite, as cidades, como…
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Linda Pastan – Considere o espaço entre as estrelas

Considere o espaço brancoentre as palavras em uma página, não sóas margens ao redor delas.Ou o espaço entre pensamentos:instantes em que a mente está inventandoexatamente o que pensae a boca esperapara ser preenchida com linguagem.Considere o espaçoentre os amantes após uma discussão,o lençol branco uma fria metáforaentre eles.Agora imagine o breve espaçoantes que a morte…
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Nicholas Christopher – Terminus

Terminus Eis uma leitura obrigatóriano final do nosso séculoo final de um milênio que começou com as cruzadas A transcrição de uma entrevistaentre um médico da Cruz Vermelhae uma menina muçulmana de doze anosna Bósniaque descreveu os estupros que sofreu nas mãos de homensque se autodenominavam soldadosdiferentes homens todas as noites um após o outroseis…
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Stanley Kunitz – O retrato

Minha mãe nunca perdoou meu paipor ter-se suicidado,especialmente em um momento tão estranhoe em um parque público,naquela primaveraquando eu estava esperando para nascer.Ela encarcerou o nome deleem seu armário mais profundoe não o deixou mais sair,embora eu pudesse ouvi-lo batendo.Quando desci do sótão, trazendona mão o retrato em tons pastéisde um estranho de lábios compridos,bigode…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Polaroide

Polaroide para Eugenio Montejo São sete contra a parede, em pé, e um sentado.Mal conservam os traços desbotados pelos anos. Os rostos resistem ao desgaste,embora já não possuam as cores vivasque ontem os distinguiram. Entre livros e taças,os olhares sorridentes, as mãos dadascelebrando a vida na prata e gelatina*se apagam na sépia de sua jovem…
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Robinson Jeffers – Pecado original

O símio-terrestre com seu cérebro e mãos de homem, fisicamenteO mais repulsivo de todos os animais de sangue quenteDa terra até então: eles cavaram uma armadilhaE capturaram um mamute, mas como poderiam seus paus e pedrasAtingir a vida naquela tocaia? Eles dançaram ao redor do poço, guinchandoCom excitação de macaco, arremessando pedras afiadas em vão,…
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Algernon Charles Swinburne – O Jardim de Proserpina

Leia “O Jardim de Proserpina”, de Algernon Charles Swinburne, um clássico da poesia vitoriana sobre morte, esquecimento e o anseio pelo repouso eterno.
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Reginald Gibbons – O que remanesce

Sim, o pão está envenenado. E não há sequer um gole de ar.Como é difícil curar a ferida da vida.O próprio José, vendido ao Egito como escravo,não poderia ter ficado mais profundamente magoado. Então, sob o enxame de estrelas do céu, chegam os Beduínos.Eles acalmam seus cavalos. Então, por turnos, com olhos fechados,cada um inventa…