Ada Limón – O ano dos pintassilgos

Eram dois pendendo e pairando próximos
da poça de lama e do cardo almiscarado.
Esvoaçando de um poste partido
para outro, banhando-se no reflexo da água da chuva
como se fosse um espelho para algum outro universo
onde as coisas fossem mais aceitáveis, mais fáceis
do que no lugar onde eu vivia. Eu os observaria:
o exibido macho brilhante, a mirrada
fêmea, em cada caminhada matinal, dias consumidos
buscando por algum tipo de resposta fugidia
para a pergunta que minha curvada figura fazia.
Mais tarde, soube que eles eram um símbolo
da ressurreição. Claro que eram,
meus dois gêmeos de áureas-asas fazendo festa
nos espinheiros e adorando.

Trad.: Nelson Santander

The Year of the Goldfinches

There were two that hung and hovered
by the mud puddle and the musk thistle.
Flitting from one splintered fence post
to another, bathing in the rainwater’s glint
like it was a mirror to some other universe
where things were more acceptable, easier
than the place I lived. I’d watch for them:
the bright peacocking male, the low-watt
female, on each morning walk, days spent
digging for some sort of elusive answer
to the question my curving figure made.
Later, I learned that they were a symbol
of resurrection. Of course they were,
my two yellow-winged twins feasting
on thorns and liking it.

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