Elizabeth Jennings – Em memória de alguém que desconheço

Neste momento em particular, não tenho ninguém
Em particular por quem lamentar, embora deva haver
Muitos, muitos desconhecidos lentamente virando
Pó, não lembrados pelo que fizeram
Ou deixaram de fazer. Por estes, então, eu sofrerei
Sendo imparcial, impossibilitada de enganar.

Como eles viveram ou morreram me é totalmente desconhecido,
E, por isso, confere pureza à minha dor
Ter partido sozinho alguém importante,
distante de mim, ou um desconhecido.
Ambos ou todos de quem me lembro têm um lugar.
Para estes que nunca encontrei cara a cara.

O sentimento se infiltrará. Eu o expulso
Pretendendo dar-lhe o clássico repouso,
Nada de epitáfio, papoulas ou rosas
De mim, e certamente nenhum desejo de conhecer
O modo como eles viveram ou morreram. Na terra ou pelo fogo
Eles se foram. Simplesmente porque eram humanos, eu os admiro.

Trad.: Nelson Santander

In memory of anyone unknown to me

At this particular time I have no one
Particular person to grieve for, though there must
Be many, many unknown ones going to dust
Slowly, not remembered for what they have done
Or left undone. For these, then, I will grieve
Being impartial, unable to deceive.

How they lived, or died, is quite unknown,
And, by that fact gives my grief purity,
An important person quite apart from me
Or one obscure who drifted down alone.
Both or all I remember, have a place.
For these I never encountered face to face.

Sentiment will creep in. I cast it out
Wishing to give these classical repose,
No epitaph, no poppy and no rose
From me, and certainly no wish to learn about
The way they lived or died. In earth or fire
They are gone. Simply because they were human, I admire.

Óscar Hahn – Abalo sísmico

Tive uma vez um grande amor
que derrubou minha casa
trincou minhas pontes
e me fez perder o equilíbrio.
Depois, vieram as réplicas:
aventuras de baixa intensidade
que nem sequer
me fizeram tremer
Quanto ao grande amor
pobre de mim
ainda respira
debaixo das ruínas

Trad.: Nelson Santander

Movimiento Sísmico

Tuve una vez un gran amor
que derribó mi casa
agrietó mis puentes
y me hizo perder el equilibrio
Después vinieron las réplicas:
amoríos de baja intensidad
que ni siquiera
me hicieron temblar
En cuanto al gran amor
ay mísero de mí
todavía respira
debajo de las ruínas

Antonio Pérez Morte – Para Berta

Para restabelecer a infância, uma bola de gude.
Para a adolescência um beijo,
                                  um verso,
                                  uma esperança.

Para a juventude,
um compromisso de amor definitivo.
Para a maturidade, talvez a rebeldia,
                                  a eterna, renovada,
                                  incombustível rebeldia
                                  daqueles velhos derrotados
                                  que nunca se deram por vencidos.

Trad.: Nelson Santander

Para Berta

Para recuperar la infancia, una canica.
Para la adolescencia
un beso,
un verso,
una esperanza.

Para la juventud,
un compromiso
de amor definitivo.

Para la madurez,
quizá la rebeldía,
la eterna,
renovada,
incombustible rebeldía
de aquellos viejos derrotados
que nunca
se dieron por vencidos.

Joshua Jennifer Espinoza – Isto é o que faz de nós Mundos

Como a luz, mas
ao contrário, nós ondulamos.

Dobramos a esquina
e fazemos desaparecer
as colinas.

Você rearranja
meus pedaços até não
doer mais.

Fim do medo noturno
entranhado na pele.

Fim da morte inocente.

Meus cabelos perdem seus átomos.
Meu corpo brilha
no escuro.

Planetas são esmagados
no esquecimento,
despojados do seu poder
de nomear as coisas.

Nosso amor ocupa o ar.

Nosso amor devora
os ruídos mortais que os homens
fazem quando veem
quanta magia
possuímos longe
deles.

Trad.: Nelson Santander

This Is What Makes Us Worlds

Like light but
in reverse we billow.

We turn a corner
and make the hills
disappear.

You rearrange
my parts until no
more hurting.

No more skin-sunk
nighttime fear.

No more blameless death.

My hair loses its atoms.
My body glows
in the dark.

Planets are smashed
into oblivion,
stripped of their power
to name things.

Our love fills the air.

Our love eats
the deadly sounds men
make when they see
how much magic
we have away
from them.

Jane Kenyon – Discutindo com a melancolia

Discutindo com a melancolia

                    Se muitos remédios são prescritos           
                    para uma doença, pode ter certeza           
                    de que a doença não tem cura.                    

                                    A. P. CHEKHOV
                                    The Cherry Orchard

     1 DO BERÇÁRIO
Quando eu nasci, você esperava
atrás de uma pilha de lençóis no berçário e,
quando ficamos a sós, você se deitou 
sobre mim, espremendo
a bile da desolação em cada poro.

E daquele dia em diante
tudo sob o sol e sob a lua
me fez infeliz — até mesmo as contas
amarelas de madeira que deslizavam e giravam
ao redor de um pino do meu berço.

Você me ensinou a viver desprovido de gratidão.
Você arruinou meus modos para com Deus:
“Estamos aqui simplesmente para esperar pela morte;
os prazeres mundanos são superestimados.”

Eu só parecia pertencer à minha mãe,
viver entre blocos e camisetas de algodão
com botões; entre lancheiras vermelhas de lata
e boletins escolares em feios estojos marrons.
Eu já era sua — a anti-vontade,
a mutiladora de almas.

     2 FRASCOS 
Elavil, Ludiomil, Doxepin,
Norpramin, Prozac, Lithium, Xanax,
Wellbutrin, Parnate, Nardil, Zoloft.
Os revestidos têm um cheiro adocicado ou
não têm cheiro; os em pó cheiram
como o laboratório de química da escola
que me faz prender a respiração.

     3 SUGESTÃO DE UM AMIGO
Você não ficaria tão deprimida
se realmente acreditasse em Deus.

     4 FREQUENTEMENTE
Frequentemente, vou para a cama logo após o jantar
como se fosse adulta
(quer dizer, eu tento esperar anoitecer)
a fim de me afastar
da imensa dor na frágil canoa
de vime do sono.

     5 UMA VEZ HAVIA LUZ
Uma vez, com trinta e poucos anos, notei
que eu era uma partícula de luz no grande
rio de luz que ondula através do tempo.

Eu estava flutuando com toda a 
família humana. Éramos todos cores — os 
que estão vivendo agora, os que morreram,
os ainda não nascidos. Por alguns

momentos flutuei, completamente calma,
e não odiei mais ter que existir.

Como um corvo que sente o cheiro de sangue quente,
você veio voando para me arrancar
da corrente luminosa.
“Eu irei segura-la. Eu nunca permito que meus entes queridos
se afoguem!” Depois disso, chorei por dias.

     6 ENTRANDO E SAINDO
O cachorro procura até me encontrar no
andar de cima, deita-se com estrépito sobre
os cotovelos, põe a cabeça no meu pé.

Às vezes, o som de sua respiração
salva a minha vida — entrando e saindo, entrando
e saindo; uma pausa, um longo suspiro…

     7 PERDÃO
Um pedaço de carne queimada
usa minhas roupas, fala 
com minha voz, despacha obrigações
com hesitação, ou então nada.
Está cansado de tentar
ser corajoso, cansado
além da conta.

Passamos para os inibidores da
monoamina oxidase. Dia e noite
sinto como se tivesse bebido seis xícaras
de café, mas a dor cessa,
abruptamente. Com o espanto
e a amargura de alguém indultado
por um crime que não cometeu
volto ao casamento e aos amigos,
às malvas-rosas franjadas; volto
à minha mesa, livros, e cadeira.

     8 CREDO
Maravilhas farmacêuticas estão em ação,
mas acredito apenas neste momento
de bem estar. Espectro profano,
certamente você voltará.

Rude, você irá colocar os pés
na mesa de centro, inclinar-se para trás,
e me transformar em alguém que não
se dá ao trabalho de falar; alguém
que não consegue dormir, ou que não faz nada
além de dormir; não pode ler, ou marcar
uma consulta para pedir ajuda.

Não há nada que eu possa fazer
contra a sua chegada.
Quando desperto, ainda estou com você.

     9 TORDO-DOS-BOSQUES
Bêbado de Nardil e da luz de junho
acordo às quatro,
esperando avidamente pela primeira
nota do Tordo-dos-Bosques. O ar suave
transpõe a tela
com o canto selvagem e complexo
do pássaro, e sou vencida

pelo contentamento comum.
O que me machucou tão terrivelmente
por toda a minha vida até este momento?
Como eu amo o pequeno, pulsante e célere
coração do pássaro,
cantando nos grandes carvalhos;
seu olhar brilhante, inequívoco.

Trad.: Nelson Santander

Having it Out with Melancholy

          If many remedies are prescribed
          for an illness, you may be certain
          that the illness has no cure.
                              A. P. CHEKHOV
                             The Cherry Orchard

1 FROM THE NURSERY

When I was born, you waited
behind a pile of linen in the nursery,
and when we were alone, you lay down
on top of me, pressing
the bile of desolation into every pore.

And from that day on
everything under the sun and moon
made me sad—even the yellow
wooden beads that slid and spun
along a spindle on my crib.

You taught me to exist without gratitude.
You ruined my manners toward God:
“We’re here simply to wait for death;
the pleasures of earth are overrated.”

I only appeared to belong to my mother,
to live among blocks and cotton undershirts
with snaps; among red tin lunch boxes
and report cards in ugly brown slipcases.
I was already yours—the anti-urge,
the mutilator of souls.

2 BOTTLES

Elavil, Ludiomil, Doxepin,
Norpramin, Prozac, Lithium, Xanax,
Wellbutrin, Parnate, Nardil, Zoloft.
The coated ones smell sweet or have
no smell; the powdery ones smell
like the chemistry lab at school
that made me hold my breath.

3 SUGGESTION FROM A FRIEND

You wouldn’t be so depressed
if you really believed in God.

4 OFTEN

Often I go to bed as soon after dinner
as seems adult
(I mean I try to wait for dark)
in order to push away
from the massive pain in sleep’s
frail wicker coracle.

5 ONCE THERE WAS LIGHT

Once, in my early thirties, I saw
that I was a speck of light in the great
river of light that undulates through time.

I was floating with the whole
human family. We were all colors—those
who are living now, those who have died,
those who are not yet born. For a few

moments I floated, completely calm,
and I no longer hated having to exist.

Like a crow who smells hot blood
you came flying to pull me out
of the glowing stream.
“I’ll hold you up. I never let my dear
ones drown!” After that, I wept for days.

6 IN AND OUT

The dog searches until he finds me
upstairs, lies down with a clatter
of elbows, puts his head on my foot.

Sometimes the sound of his breathing
saves my life—in and out, in
and out; a pause, a long sigh. . . .

7 PARDON

A piece of burned meat
wears my clothes, speaks
in my voice, dispatches obligations
haltingly, or not at all.
It is tired of trying
to be stouthearted, tired
beyond measure.

We move on to the monoamine
oxidase inhibitors. Day and night
I feel as if I had drunk six cups
of coffee, but the pain stops
abruptly. With the wonder
and bitterness of someone pardoned
for a crime she did not commit
I come back to marriage and friends,
to pink fringed hollyhocks; come back
to my desk, books, and chair.

8 CREDO

Pharmaceutical wonders are at work
but I believe only in this moment
of well-being. Unholy ghost,
you are certain to come again.

Coarse, mean, you’ll put your feet
on the coffee table, lean back,
and turn me into someone who can’t
take the trouble to speak; someone
who can’t sleep, or who does nothing
but sleep; can’t read, or call
for an appointment for help.

There is nothing I can do
against your coming.
When I awake, I am still with thee.

9 WOOD THRUSH

High on Nardil and June light
I wake at four,
waiting greedily for the first
note of the wood thrush. Easeful air
presses through the screen
with the wild, complex song
of the bird, and I am overcome

by ordinary contentment.
What hurt me so terribly
all my life until this moment?
How I love the small, swiftly
beating heart of the bird
singing in the great maples;
its bright, unequivocal eye.

Louise Glück – Uma fantasia

Vou lhe dizer uma coisa: todos os dias
pessoas morrem. E isso é só o começo.
Todos os dias, nas funerárias, nascem novas viúvas,
novos órfãos. Eles se sentam com as mãos cruzadas,
tentando decidir sobre esta nova vida.

Depois eles estão no cemitério, alguns deles
pela primeira vez. Eles têm medo de chorar,
às vezes de não chorar. Alguém se inclina e
diz-lhes o que fazer a seguir, o que pode significar
dizer algumas palavras, às vezes
jogando terra na cova aberta.

E depois disso, todos voltam para casa,
que subitamente está cheia de visitantes.
A viúva senta-se no sofá, muito majestosa,
e então as pessoas fazem fila para se aproximar dela,
às vezes pegam sua mão, às vezes a abraçam.
Ela encontra algo para dizer a todos,
agradece-lhes, agradece-lhes por terem vindo.

Em seu íntimo, ela quer que eles vão embora.
Ela quer estar de volta ao cemitério,
de volta à enfermaria, ao hospital. Ela sabe
que isso não é possível. Mas é sua única esperança,
o desejo de voltar para trás. E só um pouquinho,
não até o casamento, o primeiro beijo.

Trad.: Nelson Santander

A fantasy

I’ll tell you something: every day
people are dying. And that’s just the beginning.
Every day, in funeral homes, new widows are born,
new orphans. They sit with their hands folded,
trying to decide about this new life.

Then they’re in the cemetery, some of them
for the first time. They’re frightened of crying,
sometimes of not crying. Someone leans over,
tells them what to do next, which might mean
saying a few words, sometimes
throwing dirt in the open grave.

And after that, everyone goes back to the house,
which is suddenly full of visitors.
The widow sits on the couch, very stately,
so people line up to approach her,
sometimes take her hand, sometimes embrace her.
She finds something to say to everbody,
thanks them, thanks them for coming.

In her heart, she wants them to go away.
She wants to be back in the cemetery,
back in the sickroom, the hospital. She knows
it isn’t possible. But it’s her only hope,
the wish to move backward. And just a little,
not so far as the marriage, the first kiss.

Robinson Jeffers – A canção da quietude

Bebe, bebe profundamente da quietude,
     E às margens do mar-imensidão
Esquece de tua aflição, amiúde,
     E de todas as misérias que virão.
Mais calmo e frio do que a neblina,
Que se desdobra e se inclina
Sobre o vale escuro, e se rebobina,
     Aprende a ser.

 

O Passado — foi um sonho ardente,
     Um sono bêbado cheio de lamentos.
O Futuro — Ó brilho de asas frementes
     Levadas pela van dos anos de desalentos!
Amaste o entardecer: cintilação
Da aurora; foi-se a escuridão: —
Quais perigos te motivam,
     Quais sonhos são mais violentos?

 

Cinza, entretanto, ainda está o oriente;
     A hora, incolor; os galos, mudos até agora,
Alegra-te às vésperas do sol nascente,
     Descansa um pouco enquanto não chega a aurora:
Aqui, na floresta feiticeira,
A névoa marinha inunda a noite inteira, —
A tua solidão derradeira,
     Tua casa pelo ano afora.

 

Song of Quietness

 

Drink deep, drink deep of quietness,
     And on the margins of the sea
Remember not thine old distress
     Nor all the miseries to be.
Calmer than mists, and cold
As they, that fold on fold
Up the dim valley are rolled,
     Learn thou to be.

The Past—it was a feverish dream,
     A drunken slumber full of tears.
The Future—O what wild wings gleam,
     Wheeled in the van of desperate years!
Thou lovedst the evening: dawn
Glimmers; the night is gone:—
What dangers lure thee on,
     What dreams more fierce?

But meanwhile, now the east is gray,
     The hour is pale, the cocks yet dumb,
Be glad before the birth of day,
     Take thy brief rest ere morning come:
Here in the beautiful woods
All night the sea-mist floods,—
Thy last of solitudes,
     Thy yearlong home.

Javier Salvago – Quinta-feira Santa

A mesma lua, o mesmo
aroma de laranjeiras
perfumando as ruas,
onde a vida explode

em uma multidão de corpos
que se atraem e se buscam.
Calor de primavera
na pele e no ar.

Jovens incansáveis,
como nós naquela época,
percorrem a cidade
bêbados de desejo

— jovens com invernos
de abstinência, que sentem,
como Ele, que também
seu reino não é deste mundo —.

Os tambores lembram
que estão indo para o patíbulo.
Diante de virgens chorosas,
com despudor, os deuses

que vão morrer se beijam
— como os deuses que ontem fomos —,
sem remédio nem culpa,
na cruz dos anos.

Trad.: Nelson Santander

Jueves Santo

La misma luna, el mismo
perfume del naranjo
aromando las calles,
donde la vida estalla

en multitud de cuerpos
que se atraen y se buscan.
Calor de primavera
en la piel y en el aire.

Jóvenes incansables,
como entonces nosotros,
recorren la ciudad
borrachos de deseo

— jóvenes con inviernos
de abstinencia, que sienten,
como Aquél, que tampoco
su reino es de este mundo —.

Los tambores recuerdan
que se marcha al patíbulo.
Ante llorosas vírgenes,
con descaro, se besan

dioses que morirán
— como el dios que ayer fuimos —,
sin remedio ni culpa,
en la cruz de los años.

Miller Williams – Poema de amor com torrada

Parte do que fazemos, fazemos
para que as coisas aconteçam,
o despertador para nos acordar, o café para coar,
o carro para dar partida.

O resto do que fazemos, fazemos
tentando impedir que algo aconteça,
a pele de envelhecer, a enxada de enferrujar,
a verdade de vir à tona.

Com o sim e o não como polos de uma bateria
impulsionando nossa travessia pelos dias,
seguimos em frente, como gostamos de dizer,
querendo ser queridos,
querendo que a floresta tropical não desapareça,
querendo que a água ferva,
querendo não ter câncer,
querendo chegar em casa antes de escurecer,
querendo não ficar sem gasolina,

como cada um de nós quer o outro
velando no final,
como ambos querem não deixar o outro sozinho,
como querendo amar para além desta carne e osso,
nos olhamos sobre o café da manhã e fingimos.
Trad.: Nelson Santander




Love Poem With Toast

Some of what we do, we do
to make things happen,
the alarm to wake us up, the coffee to perc,
the car to start.

The rest of what we do, we do
trying to keep something from doing something
the skin from aging, the hoe from rusting,
the truth from getting out.

With yes and no like the poles of a battery
powering our passage through the days,
we move, as we call it, forward,
wanting to be wanted,
wanting not to lose the rain forest,
wanting the water to boil,
wanting not to have cancer,
wanting to be home by dark,
wanting not to run out of gas,

as each of us wants the other
watching at the end,
as both want not to leave the other alone,
as wanting to love beyond this meat and bone,
we gaze across breakfast and pretend.

Jane Hirshfield – Um destino algodoado

Há muito tempo, alguém
me disse: evite o ou.

Isso aflige a mente
como um pedaço de carne estendido perturba um cão.

Agora eu também tenho sessenta.
Não havia outra vida.

Trad.: Nelson Santander

A Cottony Fate

Long ago, someone
told me: avoid or.

It troubles the mind
as a held-out piece of meat disturbs a dog.

Now I too am sixty.
There was no other life.