Hoje eu podia ter-me apaixonado por ti,
apesar de tuas botas sem salto,
podia até ter-te beijado assim, com o mar ao fundo,
os beijos aos domingos têm um sabor distinto,
mais intenso.
Podia ter-te levado pelas mãos até a praia
e ter-te despido docemente
enquanto me ajoelhava na terra
e perfumava o meu nariz.
Nunca o mar teria visto nada tão erótico,
nem ela, com seu biquíni laranja.
Hoje eu podia ter feito muitas coisas contigo
mas tenho medo do desconhecido
e embora tenhas me falado o teu nome
não foi suficiente.
Trad.: Nelson Santander
La chica de negro
Hoy podía haberme enamorado de ti
a pesar de tus botas planas,
podía incluso haberte besado así con el mar de fondo,
los besos los domingos saben distintos,
más intensos.
Podía haberte llevado de la mano a la orilla
y haberte desnudado dulcemente
mientras yo hincaba rodilla en tierra
y me perfumaba la nariz.
Nunca el mar hubiera visto nada tan erótico,
ni siquiera a ella con su bikini naranja.
Hoy podía haber hecho muchas cosas contigo
pero me da miedo lo desconocido
y aunque me dijiste tu nombre
no fue suficiente.
Como defender-se dos furtivos invernos
que aninham as moradas obscuras do desejo?
Como voltar por um instante
ao tempo feroz da infância
onde um velho com cara de sapo
solta pombas enquanto o trem passa?
Como decifrar a carícia longínqua
que agora atormenta a insônia?
Vamos ficando sozinhos,
cercados por demônios dançarinos
e um tiro de misericórdia
que produzirá efeitos
tão logo cruzemos
o umbral da esperança.
Trad.: Nelson Santander
Los jinetes del apocalipsis
¿Cómo defenderse de los solapados inviernos
que anidan las moradas oscuras del deseo?
¿Cómo volver por un instante
al tiempo feroz de la infancia
donde un viejo con cara de sapo
lanza palomas al paso del tren?
¿Cómo descifrar la caricia lejana
y que ahora atormenta el insomnio?
Nos vamos quedando solos,
rodeados de demonios danzando
y un tiro de gracia
que se hará efectivo
apenas crucemos
el umbral de la esperanza.
Cumpridas as ameaças e temores
— hoje já todas as ruas levam à velhice —,
passo defronte à clínica em que tu nasceste,
vinte e seis anos atrás, em uma noite
de corredores feridos pela luz.
Aqui foi a tua chegada, pequena e indefesa,
à praia feliz do teu sorriso,
à dificuldade da palavra,
às escolas que não te quiseram,
aos ossos cansados, à calma
cruel e aparente dos corredores
que observam batas brancas silenciosas
com o frio burburinho dos anjos.
Polegares torcidos, o nariz
como bico de pássaro e as desordenadas
linhas da mão: nossas fisionomias
e, ao mesmo tempo, a da síndrome,
como se se tratasse de outra mãe
desconhecida, oculta no jardim.
Longe da beleza e da inteligência:
agora só importa a ternura,
o resto é uma questão de um mundo inóspito
do qual nos é difícil escondermo-nos
em raras rotas de felicidade.
Volto ao jardim escuro, à máquina
de café que me fez companhia
ao longo daquelas madrugadas.
Volto à culpa e ao remorso,
velhos escombros que ainda atravesso.
Como agora respeito aquelas mãos,
sua lucidez recusando o que desejava.
Hoje, voltas contra mim,
me agarram pelo pescoço na velhice,
forçando-me a enfrentar a manhã
em que tua ternura te salvou.
A antiga confusão da felicidade
e um mundo ao redor, nem amigo, nem inimigo:
vejo pessoas passando pelas ruas,
pelas obras, escritórios,
sempre indagando sobre as lágrimas perdidas.
Tu eras a flor, nós, um ramo
e, ao desfolhar-te, o vento
nos embalava desnudos de dor.
Ainda te protejo e ao passar tão perto
do escuro jardim daquele verão,
olho e vejo novamente
a débil luz daquela máquina
de café. Há vinte e seis anos.
E sei que sou feliz, que tive a vida
que deveria merecer. Nunca serei
nada diferente dela, azar e fogo.
Azar, pela vida.
Fogo, pela morte. E não ter nenhum túmulo.
Trad.: Nelson Santander
Noche Oscura en la Calle Balmes
Cumplidos amenazas y temores
— hoy ya todas las calles llevan a la vejez —,
paso frente a la clínica en la que tú naciste,
hace veintiséis años, una noche
de pasillos herida por la luz.
Aquí fue tu llegada, pequeña e indefensa,
a la playa feliz de tu sonrisa,
a la dificultad de la palabra,
a las escuelas que no te quisieron,
a los huesos cansados, a la calma
cruel y aparente de los corredores
que vigilan calladas batas blancas
con frío rumor de ángeles.
Torcidos los pulgares, la nariz
como pico de pájaro y las desordenadas
líneas de la mano: nuestras fisonomías
y a la vez la del síndrome,
como si se tratara de otra madre
desconocida, oculta en el jardín.
Lejos de la belleza y de la inteligencia:
ahora sólo importa la ternura,
lo demás es cuestión de un mundo inhóspito
del cual nos es difícil escondernos
en raras vías de felicidad.
Vuelvo al jardín oscuro, a la máquina
de café que me hizo compañía
a lo largo de aquellas madrugadas.
Vuelvo a la culpa y al remordimiento,
viejos escombros que atravieso aún.
Cómo respeto ahora aquellas manos,
su lucidez negándose a lo que deseaba.
Hoy, vueltas contra mí,
me agarran por el cuello en la vejez,
forzándome a enfrentarme a la mañana
en la que tu ternura te salvó.
La antigua confusión de la felicidad
y un mundo alrededor, ni amigo ni enemigo:
veo gente que pasa por las calles,
las obras, los despachos,
siempre indagando acerca de lágrimas perdidas.
Tú eras la flor, nosotros una rama
y, al deshojarte, el viento
nos mecía desnudos de dolor.
Aún te protejo y al pasar tan cerca
del oscuro jardín de aquel verano,
me asomo y vuelvo a ver
la débil luz de aquella máquina
de hacer café. Hace veintiséis años.
Y sé que soy feliz, que he tenido la vida
que debí merecer. No seré nunca
nada distinto de ella, azar y fuego.
Azar para la vida.
Fuego para la muerte. Y no tener ni tumba.
Se por acaso a alegria se assuste
e se apresse em me deixar,
eu a escondo das pessoas e não digo a ninguém
que veio à minha casa depois de muito tempo.
Falo com ela, e com frequência vê-la
de novo tão próxima
me faz chorar, e rio.
Depois a deixo sozinha e vou
para a rua muito sério.
A ninguém direi que veio a minha casa.
Espero que aqui esteja quando eu voltar.
Trad.: Nelson Santander
El secreto
Por si acaso se asusta la alegría
y se apresura a irse,
se la escondo a la gente y no le digo a nadie
que ha llegado a mi casa después de mucho tiempo.
Hablo con ella, y con frecuencia verla
de nuevo tan cercana
me hace llorar, y río.
Después la dejo sola y yo me voy
a la calle muy serio.
A nadie le diré que ha venido a mi casa.
Espero que esté aquí cuando regrese.
As chances de encontrar-te novamente
eram remotas. Uma em um bilhão. E havendo
infinitos lugares dispersos pelos números
de um cálculo improvável, quem imaginaria
que eu te veria naquela cantina, transformando-te
na luz daqueles tempos felizes, ou isso quiseram
crer, anos atrás, aqueles dois que fomos.
Estavas ali, de repente e sem aviso
prévio, com um tímido sorriso, apoiando-se
no ombro de um cara de aspecto desprezível
que poderia ter sido eu. Não reconheceste
meu rosto entre as pessoas do bar. Embora talvez,
suponho, pretendias saber onde e quando
viste minhas feições, em que lugar mais recente
fizeste uma parada, sob que estranhas circunstâncias
encontraste com alguém que se me parecia
de longe. Mas não recordaste, se é que
tentaste, a quem prometeste um sonho
que não irias realizar, quando nos despedimos
atrás de uma janela. De volta a este agora,
teu rosto era o mesmo onde vi o resplendor
do anjo e o toque de um crepúsculo cinza
e hermético. Tinhas o rosto corado
e os cabelos mais negros que minhas mãos
já tocaram no vale lunar de tua cintura.
A bem-aventurança foi nossa companheira
de viagem às estrelas tão próximas à fome
de nossos corações e suas dores difusas.
Era a idade do bronze polido de teus seios.
As noites eram lentas palavras inaudíveis
do mundo que brotavam sem encaixes. Bebíamos
a vida entre os versos de uma poetisa árabe
e bailava nua a luz no terraço.
Tu então te acendias e o vento ia contigo
por algum beco a sórdidas tabernas,
levantando tua saia minúscula, mostrando-me
as rotas que de repente me alçavam ao mistério.
Sem dúvida, eras feliz de uma maneira ingovernável.
Também o fui. Fomos. Eu te disse, lembro-me
como se fosse ontem, que um deus faria seus
os traços de teu nome e do vinho teu sabor
de amêndoa e paraíso. Ainda és a mesma, inclusive
até te achei mais bonita, talvez menos
alegre que a imagem que de ti conservei
todo este tempo em vão. Por detrás do teu olhar
não encontrei o resplendor daquela garota insone,
mas uma palidez cinza de brasas
que ainda parecem guardar a vertigem do fogo.
Não posso assegura-lo. E tampouco importa.
Trad.: Nelson Santander
Aquel Ahora
Las posibilidades de volverte a encontrar
eran remotas. Una entre un billón. Y habiendo
infinitos lugares dispersos por los números
de un cálculo improbable, quién imaginaría
que te iba a ver en esa cantina, transformándote
en luz de aquel entonces feliz, o eso quisieron
creer años atrás aquellos dos que fuimos.
Estabas allí, tú de pronto y sin aviso
previo, con una tímida sonrisa, recargada
en el hombro de un tipo de aspecto deleznable
que podría haber sido yo. No reconociste
mi rostro entre la gente del bar. Aunque tal vez,
supongo, pretendías saber adónde y cuándo
miraste mis facciones, en qué sitio más joven
hiciste un alto, bajo qué extrañas circunstancias
coincidiste con alguien que se me parecía
de lejos. Pero no recordaste, si acaso
lo intentabas, a quien le prometiste un sueño
que no ibas a cumplir, cuando nos despedimos
tras una ventanilla. De vuelta en este ahora,
tu cara era la misma donde vi el resplandor
del ángelus y el tacto de un crepúsculo gris
y hermético. Llevabas rubor en las mejillas
y el cabello más negro que alguna vez tocaron
mis manos por el valle lunar de tu cintura.
La bienaventuranza fue nuestra compañera
de viaje a las estrellas tan próximas al hambre
de nuestros corazones y su dolor difuso.
Era la edad del bronce pulido de tus pechos.
Las noches fueron lentas palabras inaudibles
del mundo que brotaba sin encajes. Bebíamos
la vida entre los versos de una poeta árabe
y bailaba desnuda la luz en la terraza.
Tú entonces te encendías y el viento iba contigo
por algún callejón a sórdidas tabernas,
levantando tu falda minúscula, mostrándome
las rutas que de súbito me alzaban al misterio.
Sin duda eras feliz de forma ingobernable.
También lo fui. Lo fuimos. Te dije, lo recuerdo
como si fuera ayer, que un dios haría suyos
los rasgos de tu nombre y el vino tu sabor
de almendra y paraíso. Sigues igual, incluso
me has parecido más hermosa, quizá menos
alegre que la imagen que de ti conservé
todo este tiempo en vano. Detrás de tu mirada
no encontré el resplandor de aquella chica insomne,
sino una palidez ceniza de rescoldos
que aún parecen guardar el vértigo del fuego.
Só o silêncio salva, companheiro.
Só o silêncio salva. Se tiveste
uma noite gloriosa em que Afrodite
sorriu para ti e Baco encheu-te
a taça sem cessar, pensa que em breve,
quando e noite se for,
teus amigos voltarem para casa
e começar a amanhecer, só o silêncio
te salvará, rapaz. Tem isso em conta.
Trad.: Nelson Santander
Sólo el silencio salva
Sólo el silencio salva, compañero.
Sólo el silencia salva. Si has tenido
una noche gloriosa en que Afrodita
te ha sonreído y Baco te ha llenado
la copa sin cesar, piensa que luego,
cuando la oscuridad se desvanezca,
tus amigos se marchen a sus casas
y empiece a amanecer, sólo el silencio
va a salvarte, muchacho. Tenlo en cuenta.
O granizo metralha as vidraças, as rajadas arrasam as calçadas. E tu e eu aqui, onde o mau tempo resume os obstáculos que às vezes nos levam à beira do abismo. Olhos brilhantes de desacertos, mãos queimadas por se salvarem agarradas aos gelados corrimãos do inferno. Que o acaso continue disparando sem razão, como sempre, nas vidraças. Além do amor – desse nosso amor – nada faz sentido.
El granizo ametralla los cristales, las ráfagas arrasan las aceras. Tú y yo estamos aquí, donde el mal tiempo resume los obstáculos que a veces nos han llevado al borde del abismo. Ojos brillantes de equivocaciones, manos quemadas por salvarse asidas a la helada baranda del infierno. Que el azar continúe disparando sin razón, como siempre, a los cristales. Más allá del amor —de nuestro amor— nada tiene sentido.
Tantos suicidas em Paris, Nova Iorque,
Genebra, Londres, Estocolmo e Madrid.
Homens e mulheres que se jogam pelas janelas,
do décimo ou décimo primeiro andar,
tentando voar no absurdo vento das cidades.
Bendito seja o suicídio, que nos iguala aos anjos
mais famosos na escala do Universo.
É temperamental, a morte por amor.
Suicida-te, não significa nada, o mundo resplandecerá
ainda mais e não haverá tristeza alguma porque já então ninguém te ama.
Homens e mulheres que dispararam de negras pistolas
contra suas inocentes e derrotadas têmporas,
que castigaram seu sistema digestivo
com cápsulas verdes e brancas, rubras e amarelas.
Não suportei quando me abandonaste, meu amor.
Não suportei ficar desempregado, meu amor.
Não podia ver-te com outra, meu amor.
São Ian Curtis, São Mariano José de Larra, Santa Silvia Plath,
a santa forca, a santa pistola e o santo gás,
e o amor sempre,
o amor
tão assassino.
Diga adeus ao teu corpo, já vazio.
Bendito seja o suicídio,
que nos afasta do escrutínio de todos os Imperadores.
Bendito seja o suicídio, o grande adeus dos lunáticos.
Que bela é a morte e seu irmão, o sonho,
disse um inglês ilustre.
Não podia suportar as nuvens, o mar, as ruas,
meu amor.
Cobre-me de terra, estarei bem não estando,
meu amor.
Compra-me um caixão barato, ficarei bem assim.
Não preciso que te lembres de mim, meu amor.
Trad.: Nelson Santander
Delia’s Gone
Bendito sea el suicidio.
Lo mejor de nuestro amor fue suicidarnos.
Tantos suicidas en París, en Nueva York,
en Ginebra, en Londres, en Estocolmo y en Madrid.
Hombres y mujeres que se arrojan por las ventanas,
desde décimos o undécimos pisos,
intentando volar en el absurdo viento de las ciudades.
Bendito sea el suicidio, que nos iguala a los ángeles
más famosos en las rutinarias gradas del Universo.
Es temperamental, la muerte por amor.
Suicídate, no significa nada, el mundo resplandecerá
aún más y no habrá tristeza alguna porque nadie te ama ya.
Hombres y mujeres que dispararon negras pistolas
contra sus inocentes y vencidas sienes,
que castigaron su aparato digestivo
con cápsulas verdes y blancas, rojas y amarillas.
No soporté que me abandonaras, amor mío.
No soporté quedarme sin trabajo, amor mío.
No podía verte con otra, amor mío.
San Ian Curtis, San Mariano José de Larra, Santa Silvia Plath,
la santa horca, la santa pistola y el santo gas,
y el amor siempre,
el amor
tan asesino.
Di adiós a tu cuerpo, se ha quedado vacío.
Bendito sea el suicidio,
que nos aleja de la mirada de todos los Emperadores.
Bendito sea el suicidio, el gran adiós de los lunáticos.
Qué bella es la muerte y su hermano el sueño,
dijo un inglés ilustre.
No podía soportar las nubes, el mar, las calles,
amor mío.
Cúbreme de tierra, estaré bien no estando,
amor mío.
Lento, muito mais lento, tempo meu:
falemos sobre o amor mesmo que as rosas
tenham que acabar sempre na lixeira.
Deslumbrou-nos um futuro. Que futuro?
Sem esperança alguma, críamos em algo,
ou, porque era difícil a fé em algo,
nunca perdemos a esperança.
Restam as bandeiras vermelhas de perigo
defronte ao mar bravio.
Lembro-me de nós querendo fugir,
buscando em algum atlas
um distante país civilizado
– a despojada Islândia –
onde encontrar proteção por meio do esquecimento.
O espanto do cônsul, lembras?
Em seu escritório,
o gordo importador de bacalhau
não nos ofereceu mais
do que o fedor de peixes e os intermináveis invernos.
O sonho era destruir ícones.
E isso precisamente
foi-se tornando pouco a pouco realidade
sem nenhum drama, no dia a dia.
Trad.: Nelson Santander
Joan Margarit – Años Sesenta
Lento, mucho más lento, tiempo mío:
hablemos del amor aunque las rosas
tengan que acabar siempre en la basura.
Nos deslumbró un futuro. ¿Qué futuro?
Sin esperanza alguna, creíamos en algo
o, porque era difícil la fe en algo,
nunca perdimos la esperanza.
Quedan banderas rojas de peligro
frente a la mala mar.
Nos recuerdo a los dos queriendo huir,
buscando en algún atlas
un lejano país civilizado
—la despeinada Islandia—
donde hallar protección a través del olvido.
La extrañeza del cónsul, ¿la recuerdas?
En su oficina,
el gordo importador de bacalao
no nos ofreció más
que el hedor a pescado y los largos inviernos.
El sueño era destruir moldes.
Y eso precisamente
se ha hecho poco a poco realidad
sin dramatismo alguno, día a día.
Nos veremos novamente onde sempre é de dia
e os feios são bonitos e eternamente jovens,
onde os poderosos não abusam dos mais fracos
e, das árvores, pendem brinquedos e gibis.
Nesta morada de luz que não fere os olhos
Voltaremos, tu e eu, a dizer-nos bobagens
de mãos dadas, contemplando as ondas a morrer
sem estresse nem pressa, onde o sol não se põe.
E vivenciarei em teus lábios o amor que a Terra
sentiu pelo Céu quando o mundo era uma criança,
e o tempo deixará de solfejar sua lúgubre
canção de despedida enquanto nos abraçamos.
Volveremos a vernos
Volveremos a vernos donde siempre es de día
y los feos son guapos y eternamente jóvenes,
donde los poderosos no abusan de los débiles
y cuelgan de los árboles juguetes y tebeos.
En ese hogar de luz que no hiere los ojos
volveremos tú y yo a decirnos bobadas
cogidos de la mano, viendo morir las olas
sin agobios ni prisas, donde el sol no se pone.
Y viviré en tus labios el amor que la Tierra
sintiera por el Cielo cuando el mundo era un niño,
y el tiempo dejará de salmodiar su lúgubre
canción de despedida mientras nos abrazamos.