Ross Gay – Obrigado

Se você se encontra seminu
e descalço na grama gelada, ouvindo,
mais uma vez, o grande e sonoro lamento da terra dizendo
que você é o ar do agora e do que se foi, dizendo
que tudo o que você ama se transformará em pó,
e o encontrará naquele lugar, não
erga seu punho. Não levante
sua voz pequena contra isto. E não
se cubra. Em vez disso, enrosque os dedos
dos pés na grama, observe a nuvem
subindo dos seus lábios. Caminhe
pelo esplendor dormente do jardim.
E diga apenas obrigado.
Obrigado.

Trad.: Nelson Santander

Thank You

If you find yourself half naked
and barefoot in the frosty grass, hearing,
again, the earth’s great, sonorous moan that says
you are the air of the now and gone, that says
all you love will turn to dust,
and will meet you there, do not
raise your fist. Do not raise
your small voice against it. And do not
take cover. Instead, curl your toes
into the grass, watch the cloud
ascending from your lips. Walk
through the garden’s dormant splendor.
Say only, thank you.
Thank you.

Linda Pastan – Os tordos

Só posso chamá-la de pós-
pós-moderna — esta música

deixada pelos tordos
enquanto voejam para o sul

abandonando as árvores —
estes frondosos cancioneiros —

como enlouquecidas notas
individuais.

E os bosques ressoam
com os primeiros sons

do outono, dissonantes
e sombrios,

antes que uma única
folha se transforme.

Trad.: Nelson Santander

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The Blackbirds

I can only call it post
post modern—this music

let loose by the blackbirds
as they swarm south

abandoning trees—
those leafy songbooks—

like individual notes
gone mad.

And the woods ring
with the first sounds

of autumn, raucous
and dark,

before a single
leaf has changed.

Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdices
tua solidão, dedicando-a a uma absurda
busca do nada, nem te persigas
obsessivamente por escuros corredores.
Assustado pela luz dos preceitos.
Sai sob o sol pleno e observa
as coisas difíceis.
Considera que o jogo desmedido das palavras
não te servirá de nada se não te apoiares
naquilo que te rodeia. Há as pedras
e as árvores e as pessoas e tantas coisas
que podes tocar com as mãos!
Que não te apercebas
um dia, com sobressalto, que os anos estão passando
e moves-te apenas em torno de tua sombra.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO com ligeiras alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em 22/07/2023

Tu soledad

En cuanto puedas, no malgastes
Tu soledad, dedicándola a una absurda
búsqueda de nada, ni te persigas
obsesivamente por pasadizos oscuros.
Asustado por la luz de los preceptos.
Sal a pleno sol y fíjate
en cosas duras.
Piensa que el juego desmedido de las palabras
no te servirá de nada si no te apoyas
en aquello que te rodea. Están las piedras
y los árboles y la gente y tantas cosas
que puedes tocar con las manos!
Que no te des cuenta
algún día, con sobresalto, que los años te van pasando
y te mueves sólo alrededor de tu sombra.

La teva solitud

En tant que puguis, no malbaratis
La teva solitud, dedicant-la a una absurda
recerca de no-res, ni et persegueixis
tossudament per corredors obscurs,
esporuguit per la llum dels preceptes.
Surt a ple sol i fixa’t
en coses dures. Pensa
que el joc desmesurat de les paraules
no et servirà de res si no el recolzes
damunt d’allò que et volta. Hi ha les pedres
i els arbres i la gent i tantes coses
que pots tocar amb les mans! Que no t’adonis
algun dia, amb espant, que els anys et passen
i et mous només entorn de la teva ombra.

Aqui: http://comandodharma.blogspot.com.br/2010/09/la-teva-solitud-miquel-marti-i-pol.html

Edith Södergran – Nada

Fique tranquilo, meu filho, não há nada,
e tudo é como parece: a floresta, a fumaça
e os trilhos que desaparecem.
Em algum lugar afastado, em países distantes,
existe um céu mais azul e uma parede coberta de rosas
ou uma palmeira e um vento suave —
e isso é tudo.
Não há nada além de neve no ramo do pinheiro.
Não há nada que possamos beijar para aquecer nossos lábios,
e todos os lábios ficarão frios com o tempo.
Mas o que você está dizendo, meu filho? Que seu coração é forte,
e viver em vão é pior do que morrer?
O que você queria da morte? Você sente o nojo que
suas roupas espalham e que
nada é mais repulsivo do que morrer pelas próprias mãos?
Na vida devemos amar as longas horas de enfermidade
e os limitados anos de saudade
assim como os breves momentos em que o deserto floresce.

Trad.: Nelson Santander (a partir de tradução do sueco para o inglês por Malena Mörling e Jonas Ellerström)

Nothing

Be calm, my child, there’s nothing,
and everything is as it appears: the forest, the smoke
and the vanishing rails.
Somewhere far off in distant countries
there’s a bluer sky and a wall with roses
or a palm tree and a tepid wind—
and that’s all.
There’s nothing besides the snow on the branch of the pine tree.
There’s nothing to kiss with warm lips,
and all lips will grow cool with time.
But you’re saying, my child, that your heart is strong,
and to live without meaning is worse than dying.
What do you want from death? Do you feel the disgust
his clothes are spreading
and nothing is more repulsive than death by your own hand.
We should love life’s long hours of illness
and confined years of longing
as much as the brief moments the desert blooms.

Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto,
vês um avião decolando.
O sinal vai se perdendo.
Sem nenhuma piedade por quem tens sido,
pois a piedade é demasiado efêmera e
não há tempo para edificar nada sobre ela,
sentes-te convencido de que vives,
embora sem esperanças, uns anos
que são os mais felizes de tua vida.
Há uma outra poesia, haverá sempre,
como há outra música. A de Beethoven surdo.
Quando se perde o sinal.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO com ligeiras alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em 20/07/2023

Joan Margarit – Se pierde la señal

De noche, en un pequeño aeropuerto,
ves un avión que va elevándose.
Se va perdiendo la señal.
Sin ninguna piedad por lo que has sido,
pues la piedad es demasiado efímera
no hay tiempo a construir nada sobre ella ,
te sientes convencido de vivir,
aunque sin esperanzas, unos años
que son los más felices de tu vida.
Hay otra poesía, la habrá siempre,
como hay otra música. La de Beethoven sordo.
Cuando se pierde la señal.

Thomas Lux – “Ti amo Coração”

Um homem arriscou sua vida para escrever essas palavras.
Um homem pendurado de cabeça para baixo (um amigo idiota
segurando-o pelas pernas?) com tinta spray
escreveu tais palavras em uma viga quinze metros acima
de uma rodovia. E sua amada,
na manhã seguinte, a caminho do trabalho…?
Suas palavras não são (eram pra ser) tão originais.
Ela terá reconhecido a caligrafia dele?
Teria ele sugerido algo à sua porta, na noite anterior,
sobre “algo especial, meu bem, amanhã”?
E ele ligou no trabalho dela esperando
que ela ficasse emocionada
com sua homenagem, sua paixão, seu risco?
Agora ela saberá que a amo,
mundo saberá do meu amor por ela!
Um homem arriscou sua vida para escrever as palavras.
O amor é assim, no âmago, espera-se, o amor
é assim, Coração, todo tolo e doloroso
e perigoso, inflamado, abençoado – sempre,
sempre, sem exceções,
sempre em assuntos ardentes como este: abençoado.

Trad.: Nelson Santander

“I Love You Sweatheart”

A man risked his life to write the words.
A man hung upside down (an idiot friend
holding his legs?) with spray paint
to write the words on a girder fifty feet above
a highway. And his beloved,
the next morning driving to work…?
His words are not (meant to be) so unique.
Does she recognize his handwriting?
Did he hint to her at her doorstep the night before
of “something special, darling, tomorrow”?
And did he call her at work
expecting her to faint with delight
at his celebration of her, his passion, his risk?
She will know I love her now,
the world will know my love for her!
A man risked his life to write the words.
Love is like this at the bone, we hope, love
is like this, Sweetheart, all sore and dumb
and dangerous, ignited, blessed – always,
regardless, no exceptions,
always in blazing matters like these: blessed.

Thom Gunn – O atiçador

Quarenta e oito anos atrás —
Já se passaram mesmo quarenta e oito anos
Desde então?— eles forçaram a porta
Que ela havia barricado
Com o peso de uma escrivaninha inteira
Para que ninguém descobrisse, como eles descobriram,
o que ela havia bloqueado.

Ela havia bloqueado a porta
Para manter as crianças do lado de fora.
Em seu roupão vermelho,
Ela fizera anotações, ocupada a noite toda
Empurrando os móveis,
Pensando até ficar atordoada,
Antes de se deitar.

As crianças ficaram indo e vindo
No duro gramado invernal
O irmão mais velho e o mais novo,
Repetindo, um para o outro,
Seus lamentos – um fardo –
Na madrugada de dezembro,
Até entenderem o que aquilo queria dizer.

E eles sabiam tudo o que havia para saber.
Voltando do gramado para
O quarto em que ela se libertara,
Eles, que tinham sido seus tesouros,
Souberam desligar o gás,
Adotar as providências cabíveis,
Telefonar para a polícia.

Uma imagem do fluxo
Mantém-se na mente obstinada:
Uma espécie de flauta invertida.
O atiçador que ela segurava
Soprava nos buracos alinhados
Em sua boca até que, preenchida
Por sua música, ela emudeceu.

Sobre o poema:

“Gunn falou de modo revelador sobre ‘O atiçador a gás’ em entrevista ao crítico James Campbell, que lhe perguntou: ‘Seu novo livro, ‘Boss Cupid’, contém alguns novos poemas sobre sua mãe. É a primeira vez que escreve sobre ela?’ Gunn mencionou ‘My Mother’s Pride’ e continuou: ‘O segundo poema sobre minha mãe se chama ‘O atiçador a gás’. Ela se matou, e meu irmão e eu encontramos o corpo, o que não foi culpa dela porque ela até trancou as portas… Obviamente, esta foi uma experiência bastante traumática; o seria na vida de qualquer pessoa. Eu não fui capaz de escrever sobre isso até poucos anos atrás. Por fim, descobri que a maneira de fazer isso era realmente óbvia: remover a primeira pessoa e escrever sobre isso na terceira pessoa. Aí ficou fácil, porque não era mais sobre mim. Não gosto de dramatizar a mim mesmo.” – in HIRSCH, Edward: 100 Poems to Break Your Heart, Boston-New York, Houghton Mifflin Harcourt, 2021, p. 291

Trad.: Nelson Santander

The Gas-Poker

Forty-eight years ago—
Can it be forty-eight
Since then?—they forced the door
Which she had barricaded
With a full bureau’s weight
Lest anyone find, as they did,
What she had blocked it for.

She had blocked the doorway so,
To keep the children out.
In her red dressing-gown
She wrote notes, all night busy
Pushing the things about,
Thinking till she was dizzy,
Before she had lain down.

The children went to and fro
On the harsh winter lawn
Repeating their lament,
A burden, to each other
In the December dawn,
Elder and younger brother,
Till they knew what it meant.

Knew all there was to know.
Coming back off the grass
To the room of her release,
They who had been her treasures
Knew to turn off the gas,
Take the appropriate measures,
Telephone the police.

One image from the flow
Sticks in the stubborn mind:
A sort of backwards flute.
The poker that she held up
Breathed from the holes aligned
Into her mouth till, filled up
By its music, she was mute.

James Tate – A promoção

Eu já fui um cachorro em minha vida passada, um cachorro
muito bom, e, por isso, fui promovido a ser humano.
Eu gostava de ser um cachorro. Trabalhava para um fazendeiro pobre,
protegendo e pastoreando suas ovelhas. Lobos e coiotes
tentavam passar por mim todas as noites, mas eu
nunca perdia uma ovelha. O fazendeiro me recompensava
com uma boa comida, comida de sua mesa. Ele pode ter
sido pobre, mas comia bem. E seus filhos
brincavam comigo quando não estavam na escola ou
trabalhando no campo. Eu tinha todo amor que um cachorro
poderia esperar. Quando envelheci, trouxeram um novo
cachorro e eu o treinei nas artimanhas do ofício.
Ele aprendeu rapidamente e o fazendeiro me trouxe para morar
com eles dentro de casa. De manhã, eu levava
os chinelos para o fazendeiro, pois ele também estava
envelhecendo. Eu estava morrendo lentamente, um pouco
a cada dia. O fazendeiro sabia disso e trazia o novo
cachorro para me visitar de vez em quando. Ele
me divertia com suas brincadeiras, cambalhotas
e focinhadas. Até que uma manhã, simplesmente
não me levantei. Eles me deram um belo enterro
perto de um riacho sob a sombra de uma árvore. Este foi o
fim da minha existência como cachorro. Às vezes sinto falta dela,
então sento perto da janela e choro. Moro em um arranha-céu
com vista para vários outros arranha-céus.
No meu emprego, trabalho em um cubículo e quase não falo
com ninguém o dia todo. Esta é a minha recompensa por ter sido
um bom cachorro. Os lobos humanos nem mesmo me percebem.
Eles não me temem.

The Promotion

I was a dog in my former life, a very good
dog, and, thus, I was promoted to a human being.
I liked being a dog. I worked for a poor farmer
guarding and herding his sheep. Wolves and coyotes
tried to get past me almost every night, and not
once did I lose a sheep. The farmer rewarded me
with good food, food from his table. He may have
been poor, but he ate well. And his children
played with me, when they weren’t in school or
working in the field. I had all the love any dog
could hope for. When I got old, they got a new
dog, and I trained him in the tricks of the trade.
He quickly learned, and the farmer brought me into
the house to live with them. I brought the farmer
his slippers in the morning, as he was getting
old, too. I was dying slowly, a little bit at a
time. The farmer knew this and would bring the
new dog in to visit me from time to time. The
new dog would entertain me with his flips and
flops and nuzzles. And then one morning I just
didn’t get up. They gave me a fine burial down
by the stream under a shade tree. That was the
end of my being a dog. Sometimes I miss it so
I sit by the window and cry. I live in a high-rise
that looks out at a bunch of other high-rises.
At my job I work in a cubicle and barely speak
to anyone all day. This is my reward for being
a good dog. The human wolves don’t even see me.
They fear me not.

Filodemo de Gádara – Estação da Rosa Silvestre

É a estação da rosa silvestre e da hortelã, Sosylos,
a estação do grão-de-bico e dos primeiros cortes dos brotos,
dos lambaris e dos queijos salgados, da alface-crespa
em cujas novas folhas a luz transfunde
um brilho quase esquecido. Ainda assim,
reparaste como neste ano algo mudou?
Como não fazemos mais nossas caminhadas matinais
ao longo da costa recém-povoada, nossos piqueniques
sob os plátanos e já não nos apressamos em sorver
o disco afundando do sol da tarde?
Como Antigenes e Bacchios, nossos amigos bronzeados,
musculosos e atléticos, ontem flertavam
e hoje levamos seus corpos para sepultar?

Trad.: Nelson Santander (a partir da versão em inglês feita por Sherod Santos)

Wildrose Season

It’s the season of wildrose and mint, Sosylos,
the season of chickpeas and first-cut sprouts,
of smelts and salted cheeses, of curly-edged
lettuce whose new leaves light transfuses
with a half-remembered glow. Even so,
have you noticed how this year something’s changed?
How we no longer take our morning walks
along the newly poppied shore, picnic
under the plane trees, or hurry over drinks
the sinking lozenge of the evening sun?
How Antigenes and Bacchios, our sun-bronzed,
buff, athletic friends, were flirting yesterday,
and today we carry them to their graves?

Ellen Bass – Removendo a frente da casa

Estou à mesa da cozinha, tomando chá forte e comendo ovos
com gemas douradas como papoulas de nossas galinhas, Marilyn e Estelle.
Há um carro vermelho estacionado do outro lado da rua e as íris deslumbrantes do meu vizinho,
suas línguas franjadas saboreando o ar.
“A Monsanto está processando Vermont”, digo, folheando o Times.
Digo em voz alta porque Janet está na sala de estar,
na poltrona desbotada que o gato arranhou até à palha,
comento iogurte e os morangos que ela trouxe do campo
onde ela trabalha arduamente para aliviar as delicadas bagas de sua pesada carga química.
“O quê?” ela responde. Ela não está usando os aparelhos auditivos,
então eu respiro fundo e projeto minha voz. E enquanto enuncio os males corporativos,
de repente a frente da casa é removida.
Estamos em um palco, o público sentado no asfalto da Younglove Avenue,
assistindo a este casal peculiar tomar café da manhã e gritar
de uma sala para outra.
E durante todo o dia, enquanto coloco uma carga de roupa
na secadora, atendo o telefone, e enquanto ela se deita no sofá
lendo Grandes Esperanças e discutimos
sobre o barulho nas tubulações e se realmente precisamos chamar o encanador,
admiro como a atriz que interpreta minha personagem
e a atriz que interpreta a personagem dela
interpretam nossos papeis tão perfeitamente
nesta produção que durará
apenas um pouco antes de terminar de vez.
E quando chega a noite, fumamos um pouco de maconha – algo chamado Thunder Fuck,
que deve ser a elevada opinião que alguém tem de si mesmo,
mas que na verdade é muito boa, embora só nos permitamos dar um ou dois tragos,
já que Janet toma medicação para pressão e não pode
fazer o que fazia aos vinte anos, quando jogava uma mochila de pele de cabra
sobre os ombros e vagueava de sandálias pelo Senegal.
Enquanto me aproximo, ela diz: “Agora a plateia pode sentar-se no deque dos fundos
perto da churrasqueira e esta peça pode ser chamada de
As Velhas Lésbicas vão Dormir no Fim do Dia.”
Eu acendo a vela que a mãe dela me deu no meu último aniversário,
quando ela ainda podia passar batom.
O cenário é autêntico – uma pilha bagunçada de livros na minha mesinha-de-cabeceira
e do lado dela os aparelhos auditivos que ficam ali o dia todo.
E quando ela se vira para mim e sinto novamente
a maravilhosa estrutura de seus quadris, a lua,
esta especialista em iluminação, surge sobre a linha do telhado,
inundando-nos com seu impecável banho prateado.

Trad.: Nelson Santander

Taking Off the Front of the House

I’m at the kitchen table, drinking strong tea, eating eggs
with poppy-gold yolks from our chickens, Marilyn and Estelle.
There’s a red car parked across the street and my neighbor’s gorgeous irises,
their frilled tongues tasting the air.
“Monsanto is suing Vermont,” I say, turning the pages of the Times.
I say it loud because Janet’s in the living room
in the faded chair the cat has scratched into hay
eating yogurt and the strawberries she brought home from the field
where she labors to relieve the tender berry of its heavy chemical load.
“What?” she says. She isn’t wearing her hearing aids
so I take a breath and project my voice. And as I enunciate the corporate evils,
suddenly the front of the house is sheared away.
We’re on a stage, the audience seated on the asphalt of Younglove Avenue,
watching this quirky couple eat their breakfast and yell
back and forth from one room to another.
And throughout the day, as I throw a load of laundry
in the dryer, answer the phone, as she lies on the couch
reading Great Expectations and we bicker
about the knocking in the pipes and whether we really need to call a plumber,
I admire how the actor who plays the character of me
and the actor who plays the character of her
perform our parts so perfectly
in this production that will last
just a little while before it closes for good.
And when night comes, we smoke a little weed – something called Thunder Fuck,
which must be someone’s high opinion of himself,
but in truth is quite nice, though we only take a couple tokes
since Janet’s on blood pressure medication and she can’t
do the way she did at twenty when she slung a goatskin bag
over her shoulder and wandered around Senegal in flip-flops.
As I reach for her, she says, “Now the audience can sit on the back deck
by the barbecue and this play can be called
The Old Lesbians Go to Bed at the End of the Day.”
I light the candle her mother gave me for my last birthday
when she could still put on her lipstick.
The set is authentic – a messy stack of books on my nightstand,
on her side, the hearing aids that sit there all day.
And as she turns toward me and I feel again
the marvelous architecture of her hips, the moon,
that expert in lighting, rises over the roofline,
flooding us in her flawless silvery wash.