Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Joan Margarit – Esboço para um Epílogo

Diante de ti sentes um rumor de passosque vem do futuro, essa torredemolida antes de ser construída.Só existe a dúvida moral: ama,não penses na camada de póa que tanto aludes, ostensivamente,quando dizes: “minha vida”.E, do prestígio das negações,desconfia: a vida representanão só a vitória dos anossobre nós. Também nos ensinaquão gloriosa foinossa vitória inicial sobre…
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Mark Strand – O guardião

O sol se pondo. Os gramados em chamasO dia perdido, a luz que se apagou.Por que amo o que desvanece? Tu que partiste, que estavas partindo,que quartos escuros habitas?Guardião da minha morte, preserva minha ausência. Eu estou vivo. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a…
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Dan Albergotti – Considere as flores do campo

Os grãosespalhados no chãobuscam um ponto de arrimoque consigam encontrar no terreno,abrem-se, estendendo pés embrionárioscomo luminescentes raios e passos retardatáriospara achar o nutrimento mais próximo e sugá-lo. Ou talse presumiria, observando a passagem do tempo. Mas nada é intencional. É mais como tinta derramada a esmo. Não há design. Nutrientes despropositadoschegam aos grãos, pelo menos…
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Dorianne Laux – Da gentileza de estranhos

Não importa a dor, seu peso,somos obrigados a carregá-la.Erguemo-nos e ganhamos impulso, a força entorpecidaque nos empurra através das multidões.Mas então um garoto me indica o caminhocom tanto entusiasmo. Uma mulher segura a porta de vidro aberta,pacientemente esperando meu corpo vazio passar por ela.Ao longo do dia, isso continua, cada ato de bondadese estendendo em…
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Aracelis Girmay – Sobre a bondade

Sobre a Bondade a partir de Nazim Hikmet para & a partir de Rassan No Aeroporto Metropolitano de Detroitcom horas-tartaruga de sobraentre agora & meu voo, existeuma coisa como a bondadeda esteira rolante que me emprestaseu lento, estranho pé de moluscoenquanto permaneço quieta, exausta, já há diassozinha em minha cama, dormindoem hotéis, já há meses,…
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Felipe Benítez Reyes – O desenho na água

Bem sabes que estes anos passarão,que tudo terminará em literatura:a imagem das noites, as lendasda triunfante juventude e as cidadesvividas como corpos. Que estes anospassarão tu já sabes, pois são teuscomo se possuísses a neve e a neblina,como é do mar a bruma, ou do ara cor da tarde fugidia:pertences de ninguém e do nadasurgidos,…
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Mark Strand – Meu nome

Certa noite, quando a relva estava verde-douradae as árvores marmorizadas pelo luar se erguiam como novos memoriaisno ar perfumado, e toda a paisagem pulsavacom o zumbido e o murmúrio dos insetos, eu estava deitado na grama,sentindo imensas distâncias se abrirem acima de mim, e me pergunteio que eu me tornaria — e onde encontraria a…
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John Updike – A morte da cachorra

Ela deve ter sido chutada ou atingida por um carro sem que ninguém visse.Muito nova para saber muito, ela começava a aprenderA usar os jornais espalhados pelo chão da cozinhaE a ganhar, quando os molhava, as palavras “Boa garota! Boa garota!” Pensamos que seu discreto mal-estar fosse uma reação à vacina.A autopsia revelou uma ruptura…
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Juan Luis Panero – Palavras e presságios

Voltar a alguns versos de Kaváfis, de Eliot,como quem regressa a uma casa que foi nossa anos atrás.Repetir as sílabas, iluminar os símboloscomo cerradas salas, janelas empoeiradasque ocultam um jardim perdido, árvores da morte.Melancolia do regresso e medo do vazio,rangidos de madeira, agitar de sombras,e, de repente, em um quarto, perdidacomo um velho copo ou…
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Mary Oliver – Quebra

Eu desço até a beira-mar.Como tudo cintila na luz matutina!A cúspide da concha,o búzio quebrado do caracol,os mexilhões azuis abertos,lesmas-do-mar rosa-pálidas marcadas por cracas —e nada totalmente inteiro ou fechado, mas esfarrapado, partido,abandonado pelas gaivotas sobre as rochas cinzentas com toda umidade exaurida.É como uma escolade palavras miúdas,milhares de palavras.Primeiro, compreendemos o significado de cada…