Anna Swir – Eu lavo a camisa

Pela última vez lavo a camisa
de meu pai, que morreu.
A camisa cheira a suor. Conheço
esse cheiro desde a minha infância,
tantos anos
lavei suas camisas e cuecas.
Eu as secava numa estufa de ferro,
ele as vestia sem passar.

De todos os corpos do mundo,
animais, humanos,
só um exsudava esse suor.
E o aspiro
pela última vez. Ao lavar esta camisa
destruo no mundo
para sempre
este cheiro.
Agora
só restarão os quadros
que cheiram a tinta a óleo.

Trad.: Carlito Azevedo

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

Piorę koszulę

Ostatni raz piorę koszulę
mojego ojca, który umarł.
Koszulę czuć potem, pamiętam
ten pot od dziecka,
tyle lat
prałam mu koszule i kalesony,
suszyłam
przy piecyku żelaznym w pracowni,
kładł je
bez prasowania.

Ze wszystkich ciał na świecie,
zwierzęcych, ludzkich,
tylko jedno wydzielało ten pot.
Wdycham go
po raz ostatni. Piorąc tę koszulę
niszczę go
na zawsze.
Teraz
pozostaną po nim już tylko obrazy,
które czuć farbą.

Emily Dickinson – Após grande dor sobrevém um sentimento austero

Após grande dor sobrevém um sentimento austero –
Os Nervos ficam cerimoniosos como um cemitério –
Indaga o rijo Coração se foi Ele que sofreu,
Se Ontem, ou Séculos antes aconteceu?

Os pés, mecânicos, circundam sem cessar –
Nos Sopés, no Ar, em qualquer Lugar –
Um caminho de madeira
Que indiferentemente medra
Um contentamento de Quartzo, uma pedra –

A Hora de Chumbo chegou –
Lembrada, para quem perdurou,
Como as pessoas congeladas recordam a neve –
Primeiro – o Frio – após o Torpor – e por fim o até breve –

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 08/05/2020

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

After great pain a formal feeling comes

After great pain a formal feeling comes –
The Nerves sit ceremonious, like Tombs –
The stiff Heart questions was it He, that bore,
And Yesterday, or Centuries before?

The feet, mechanical, go round –
Of Ground, or Air, or Aught –
A Wooden way
Regardless grown,
A Quartz contentment, like a stone –

This is the Hour of Lead –
Remembered, if outlived,
As Freezing persons, recollect the snow –
First – Chill – then Stupor – then the letting go –

Linda Gregg – Noites na vizinhança

Carrego a alegria como um coral canta,
mas discretamente como a noite entoando
cânticos. Para afastar o vento,
e permitir que os que estão ocultos saiam
para a rua e se juntem
à lua e a essa profusão de
estrelas e constelações.
Percebo que aqueles que sofrem
brilham mais do que os outros.
É para que possam ser encontrados,
acho. Encontrados e abrigados.

Trad.: Nelson Santander

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

Nights in the Neighborhood

I carry joy as a choir sings,
but quietly as the dark
carols. To keep the wind away
so the hidden ones will come
out into the street and add
themselves to this array of
stars, constellations and moon.
I notice the ones in pain
shine more than the others.
It’s so they can be found,
I think. Found and harbored.

William Carlos Williams – Nevasca

Neve:
anos de fúria seguindo
horas que flutuam indolentes —
a nevasca
deposita seu fardo
cada vez mais fundo por três dias
ou sessenta anos, não? Então
o sol! um tumulto de
flocos amarelos e azuis —
Árvores de aparência hirsuta destacam-se
em longas alamedas
sobre uma selvagem solidão.
O homem se vira e lá —
seu solitário rastro estendendo-se
sobre o mundo.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 07/05/2020

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

Blizzard

Snow:
years of anger following
hours that float idly down —
the blizzard
drifts its weight
deeper and deeper for three days
or sixty years, eh? Then
the sun! a clutter of
yellow and blue flakes —
Hairy looking trees stand out
in long alleys
over a wild solitude.
The man turns and there —
his solitary track stretched out
upon the world.

Edward Hirsh – Como será a última noite

Você está sentado à janela
de um café vazio à beira-mar.
Já é noite, e o dono está fechando,
embora você ainda esteja curvado sobre o aquecedor,
que lentamente perde calor.

Agora você caminha rumo à costa
para observar os últimos azuis se dissipando nas ondas.
Você viveu em casas pequenas, espaços apertados —
as paredes ao seu redor pareciam se fechar —
mas o céu e o mar também eram seus.

Não há mais ninguém por perto para beber com você
da névoa úmida, das profundezas sombrias.
Você está só com o cosmos em redemoinho.
Adeus, amor, distante, em um lugar quente.
Aqui, a noite é sem fim, e o silêncio, infinito.

Trad.: Nelson Santander

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

What the Last Evening Will Be Like

You’re sitting at a small bay window
in an empty café by the sea.
It’s nightfall, and the owner is locking up,
though you’re still hunched over the radiator,
which is slowly losing warmth.

Now you’re walking down to the shore
to watch the last blues fading on the waves.
You’ve lived in small houses, tight spaces—
the walls around you kept closing in—
but the sea and the sky were also yours.

No one else is around to drink with you
from the watery fog, shadowy depths.
You’re alone with the whirling cosmos.
Goodbye, love, far away, in a warm place.
Night is endless here, silence infinite.

Nuno Júdice – Epidemia

Passa de um para o outro através do olhar, de uma palavra,
de um toque de mãos; por vezes, basta um leve suspiro
para adivinhar a febre, e atrás dele descobre-se que
não é preciso cura nem tratamento. Instala-se na cabeça,
no corpo, na boca, nos dedos, sem dor nem cansaço,
apenas aquela ânsia a que se dá o nome de desejo e,
para que abrande, o remédio é ver quem se ama, ouvir
a voz que alivia a solidão, saber onde está, o que faz,
o que veste. E a doença está nos que a evitam, nos
que a não conhecem por ignorância ou por medo,
nos que nunca ousaram e, um dia, rejeitaram o que
se lhes oferecia. Assim, dizem os especialistas,
não evitem o olhar que vos procura, não esqueçam
a palavra que vos chega, tão inesperada; e recebam
sem receio essa mão que tereis sonhado e vos
procura, fazendo com que entreis, para sempre,
no campo dos atingidos pelo mais doce dos contágios.

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 06/05/2020

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

Yehuda Amichai – Como a marca de nossos corpos

Como a marca de nossos corpos
Nem um sinal restará de que estivemos neste lugar.
O mundo se fecha atrás de nós,
A areia se recompõe.

Já se avizinha um futuro
Em que você não mais existe,
Já um vento sopra as nuvens
Que não choverão sobre nós.

E seu nome já está nas listas de passageiros de navios
E nos registros de hotéis
Nos quais nomes isolados
Entorpecem o coração.

As três línguas que conheço,
Todas as cores em que vejo e sonho:

Nada me ajudará.

Trad.: Nelson Santander, a partir da versão para o inglês vertida por Assia Gutmann

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

Like our bodies’ imprint

Like our bodies’ imprint
Not a sign will remain that we were in this place.
The world closes behind us,
The sand straightens itself.

Dates are already in view
In which you no longer exist,
Already a wind blows clouds
Which will not rain on us both.

And your name is already in the passenger lists of ships,
And in the registers of hotels,
Whose names alone
Deaden the heart.

The three languages I know,
All the colors in which I see and dream:

None will help me.

Susana Cattaneo – Quando já não estiver…

Quem porá o pé
sobre a marca que o meu deixou?
Quem olhará estas árvores
onde meus olhos deixaram sinais?
Alguém ouvirá cantar um pássaro
que será outro.
Alguém respirará os mesmos pinheiros
de um verde mais cansado.
A vida será uma folha em branco
e não poderei timbrá-la com minha palavra.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 05/05/2020

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

Cuando ya no esté…

¿Quién pondrá el pie
sobre la marca que dejó el mío?
¿Quién mirará estos árboles
donde mis ojos dejaron huellas?
Alguien oirá cantar un pájaro
que será otro.
Alguien respirará los mismos pinos
de un verde más cansado.
La vida será un papel en blanco
y no lo podré sellar con mi palabra.

Barbara Crooker – O luto

O luto

é um rio que atravessamos até chegar à outra margem.
Mas estou aqui, atolada no meio, com água dividindo-se
em torno dos tornozelos, seguindo rio abaixo
sobre pedras planas. Incapaz de levantar um pé,
de seguir em frente. Em vez disso, vou ficar aqui
nas águas rasas com a minha dor, nutrindo-a
como a um bebê rabugento, embalando-a nos braços.
Não quero que ela cresça, vá para a escola, se case.
A dor é minha. Sim, a luz do sol de outubro me envolve
em seu xale amarelo, e o ar é doce
como um Tokay dourado1. Na outra margem,
há maçãs, uvas, nozes,
e as pedras estão quentes com o sol.
Mas vou ficar aqui,
cada vez mais fria, até que cada centímetro
de minha pele esteja dormente. Não posso atravessar.
Pois, se o fizer, sua partida será definitiva.

Trad.: Nelson Santander

  1. Um vinho de sobremesa doce (licor), associado à região de Tokaj na Hungria. No poema, provavelmente simboliza uma memória de algo agradável e reconfortante para o falante. ↩︎

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

Grief

is a river you wade in until you get to the other side.
But I am here, stuck in the middle, water parting
around my ankles, moving downstream
over the flat rocks. I’m not able to lift a foot,
move on. Instead, I’m going to stay here
in the shallows with my sorrow, nurture it
like a cranky baby, rock it in my arms.
I don’t want it to grow up, go to school, get married.
It’s mine. Yes, the October sunlight wraps me
in its yellow shawl, and the air is sweet
as a golden Tokay. On the other side,
there are apples, grapes, walnuts,
and the rocks are warm from the sun.
But I’m going to stand here,
growing colder, until every inch
of my skin is numb. I can’t cross over.
Then you really will be gone.

William Butler Yeats – A torre

1
O que farei com esta absurdidade,
Esta caricatura, coração?
Decrepitude atada à minha idade
Como à cauda de um cão?
Jamais terei sentido
Tão grande, tão apaixonada, tão incrível
A fantasia, nem houve olho e ouvido
Que mais quisessem o impossível –
Não, nem quando menino, com inseto e anzol,
Ou mais humilde verme, no alto de Ben Bulben,
Eu tinha a desfrutar todo um dia de sol.
Devo mandar às favas minha Musa,
Ter Platão ou Plotino por amigo,
Até que fantasia, olho e ouvido,
Cedam à mente e virem escalpelo
Da ideia abstrata; ou ser escarnecido
Por uma lata presa ao tornozelo.

2
Passo pelas muralhas e reconto
Os alicerces de uma casa e o ponto
Onde a árvore, como um dedo sujo, sai do chão,
E solto a imaginação.
À luz do dia declinante apelo às
Memórias e retinas
De antigas árvores ou ruínas –
Que eu gostaria de inquirir a todas elas.

Atrás do monte, Mrs. Frech viveu, e um dia –
Todos os castiçais e candeias que havia
A iluminar o mogno escuro e o vinho,
Um servidor que se fazia de adivinho
Dos caprichos da dama do condado
Com as tesouras do jardim cortou as
Orelhas de um granjeiro ousado
E as trouxe em prato recoberto, como broas.

Na juventude ouvi, mais de uma vez, a
Canção sobre uma bela camponesa
Que vivia num áspero recanto.
Louvavam sua tez e seu encanto
Lembrando que quando ela aparecia,
Ébrios da própria fantasia,
Os granjeiros juntavam-se na praça,
Tanto a canção gabava a sua graça.

Alguns, enlouquecidos com o canto
Ou com os brindes que a louvavam tanto,
Ergueram-se da mesa, decididos
A testar a miragem e os sentidos.
Mas um trocou a lua da poesia
Pela luz veraz do dia –
A música mexeu com o seu prumo,
No pântano de Cloone se foi, sem rumo.

Estranho, esta canção a fez um cego,
Mas, quanto mais eu penso, mais eu nego
Que seja estranho; a tragédia, considero,
Teve início com outro cego,
Homero, E Helena, que traiu a nós, viventes.
Ah, que da luz de sol e lua
Um único raio flua,
Pois se eu vencer, farei mentes dementes.

E eu mesmo criei Hanrahan
E o carreguei, bêbado ou não, pela manhã,
De um dos muitos chalés da vizinhança.
Às ordens de um ancião, como criança,
Trombou, tombou, tateou, pra lá, pra cá,
Joelhos rotos por compensação
E o horrível esplendor de uma paixão.
Coisas que imaginei há vinte anos já.

A turma carteava num canteiro;
E quando foi a vez do trapaceiro,
Ele tratou as cartas com tal arte
Que fez das suas um carteado à parte:
Cães de caça tomaram o lugar
Das cartas, e uma foi a lebre.
Hanrahan, em sua febre,
Seguiu-lhes o ladrido até chegar…

Até onde chegou não sei – já basta.
Devo lembrar alguém de alma tão gasta
Que nem a orelha do inimigo, exposta,
Nem a canção faria mais disposta.
Uma figura que virou legenda
E à qual não sobrou um só vizinho
Para contar-lhe as pedras do caminho –
Proprietário falido da vivenda.

Antes da perdição, por muitos anos,
Guerreiros rudes, botas couraçadas,
Mãos de ferro, subiram as escadas
Estreitas, e alguns deles que os arcanos
Da Memória preservam, imortais,
Com altos gritos, vista acesa,
Vêm-nos roubar o sono e a paz
E os seus dados ressoam sobre a mesa.

Invoco a todos, venha toda a gente:
O velho desmontado ou indigente;
O cego e errante arauto da beleza;
Hanrahan, que um jogral tomou por presa
Pelos campos sem Deus; e essa mulher
Que orelhas, mais que ouvidos, quer;
O afogado de amor por uma loa
Das Musas más na lama da lagoa.

Os velhos – ricos, pobres, homens ou mulheres -,
Que andaram por aqui, passaram esta porta,
Em público ou privado, acaso deblateram
Como eu contra a velhice, agora?
Mas encontrei uma resposta nesse clã
Tão impaciente para ir embora;
Pois vão; mas deixem-me Hanrahan,
Que eu necessito de sua múltipla memória.

Velho fauno, um amor em cada esquina
Extrai de tua mente toda a mina,
Tudo o que no sepulcro descobriste,
Pois sabes computar cada loucura,
Cada cega imersão, cada imprevisto
Sonho de ser que um suave olhar atrai,
Ou um toque ou um ai,
Ao labirinto de outra criatura.

Acaso a fantasia é compelida
À mulher ganha ou à mulher perdida?
Se à que perdeste, admite o teu esbulho:
Por mera covardia ou por orgulho,
Pseudoconsciência ou sutileza vaga,
Refugiste de um grande labirinto,
E se a memória volve o sol é extinto
Por um eclipse e o dia já se apaga.

3
É tempo do meu testamento.
Eu lego aos que ficam de pé
E vão contra a corrente até
O alto da fonte e cedo
Lançam o anzol, sem medo
Da pedra gotejante.
Lego O orgulho que carrego:
O orgulho dos que não têm fé
Na Causa ou no Estado,
Nem nos tiranos que escarravam
Nem nos escravos escarrados.
De gente como os Burke e Grattan
Que dá – recusando a recusa,
Orgulho como o da manhã
Quando a luz jorra profusa,
Ou o da cornucópia cheia
Ou da chuva que aflora
Quando o rio é só areia,
Ou o do cisne – na hora
Em que ele fixa o olhar
Num reflexo da aurora
Escolhendo um recanto
Do lago para alçar
O seu último canto.
Meu credo aqui proclamo.
Eu zombo de Plotino
E a Platão eu exclamo:
Morte e vida eram nada
Até o homem fazê-las
E lhes dar um destino
Com as armas e a carga
Da sua alma amarga.
Sim, sol e lua e estrelas.
Proclamo, sem receio,
Que, mortos, vamos retornar
Para criar o devaneio
De um Paraíso translunar.

Eu preparei a minha meta
Com a culta arte italiana,
Pedras da Grécia soberana,
Imagens de poeta,
Palavras de mulher,
Amor e desengano,
Tudo o que o homem quer
Para o seu sobre-humano
Sonho-espelho de ser.

No oco do tronco as gralhas
Gritam juntando a rama.
Galho após galho, empilham.
A ave-mãe com carinho
Ali fará sua cama
Para aquecer o ninho.

Eu lego o orgulho e a fé
Aos que ficam de pé,
Galgam o alto do monte
Para lançar o anzol
Na linha do horizonte.
Desse metal fui feito
Até ser alquebrado
Por este ofício estreito.

Preparo a alma, agora,
Votando-a ao estudo
Numa douta demora,
Até o fim de tudo.
Sangue que deteriora,
Desgaste da memória,
Estancamento mudo.
Ou, ainda pior,
A morte dos que outrora
Foram grandes, do olhar
Que fez sustar o alento –
Como as nuvens no ar
Quando o sol cai e um lento
Grito de ave ressoa
Na sombra que se escoa.

Trad.: Augusto de Campos

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 04/05/2020

Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog

The Tower

I
What shall I do with this absurdity-
O heart, O troubled heart-this caricature,
Decrepit age that has been tied to me
As to a dog’s tail?
Never had I more
Excited, passionate, fantastical
Imagination, nor an ear and eye
That more expected the impossible-
No, not in boyhood when with rod and fly,
Or the humbler worm, I climbed Ben Bulben’s back
And had the livelong summer day to spend.
It seems that I must bid the Muse go pack,
Choose Plato and Plotinus for a friend
Until imagination, ear and eye,
Can be content with argument and deal
In abstract things; or be derided by
A sort of battered kettle at the heel.

II
I pace upon the battlements and stare
On the foundations of a house, or where
Tree, like a sooty finger, starts from the earth;
And send imagination forth
Under the day’s declining beam, and call
Images and memories
From ruin or from ancient trees,
For I would ask a question of them all.

Beyond that ridge lived Mrs. French, and once
When every silver candlestick or sconce
Lit up the dark mahogany and the wine,
A serving-man, that could divine
That most respected lady’s every wish,
Ran and with the garden shears
Clipped an insolent farmer’s ears
And brought them in a little covered dish.

Some few remembered still when I was young
A peasant girl commended by a song,
Who’d lived somewhere upon that rocky place,
And praised the colour of her face,
And had the greater joy in praising her,
Remembering that, if walked she there,
Farmers jostled at the fair
So great a glory did the song confer.
And certain men, being maddened by those rhymes,
Or else by toasting her a score of times,
Rose from the table and declared it right
To test their fancy by their sight;
But they mistook the brightness of the moon
For the prosaic light of day-
Music had driven their wits astray-
And one was drowned in the great bog of Cloone.

Strange, but the man who made the song was blind;
Yet, now I have considered it, I find
That nothing strange; the tragedy began
With Homer that was a blind man,
And Helen has all living hearts betrayed.
O may the moon and sunlight seem
One inextricable beam,
For if I triumph I must make men mad.

And I myself created Hanrahan
And drove him drunk or sober through the dawn
From somewhere in the neighbouring cottages.
Caught by an old man’s juggleries
He stumbled, tumbled, fumbled to and fro
And had but broken knees for hire
And horrible splendour of desire;
I thought it all out twenty years ago:

Good fellows shuffled cards in an old bawn;
And when that ancient ruffian’s turn was on
He so bewitched the cards under his thumb
That all but the one card became
A pack of hounds and not a pack of cards,
And that he changed into a hare.
Hanrahan rose in frenzy there
And followed up those baying creatures towards-

O towards I have forgotten what -enough!
I must recall a man that neither love
Nor music nor an enemy’s clipped ear
Could, he was so harried, cheer;
A figure that has grown so fabulous
There’s not a neighbour left to say
When he finished his dog’s day:
An ancient bankrupt master of this house.

Before that ruin came, for centuries,
Rough men-at-arms, cross-gartered to the knees
Or shod in iron, climbed the narrow stairs,
And certain men-at-arms there were
Whose images, in the Great Memory stored,
Come with loud cry and panting breast
To break upon a sleeper’s rest
While their great wooden dice beat on the board.

As I would question all, come all who can;
Come old, necessitous, half-mounted man;
And bring beauty’s blind rambling celebrant;
The red man the juggler sent
Through God-forsaken meadows; Mrs. French,
Gifted with so fine an ear;
The man drowned in a bog’s mire,
When mocking muses chose the country wench.

Did all old men and women, rich and poor,
Who trod upon these rocks or passed this door,
Whether in public or in secret rage
As I do now against old age?
But I have found an answer in those eyes
That are impatient to be gone;
Go therefore; but leave Hanrahan,
For I need all his mighty memories.

Old lecher with a love on every wind,
Bring up out of that deep considering mind
All that you have discovered in the grave,
For it is certain that you have
Reckoned up every unforeknown, unseeing
Plunge, lured by a softening eye,
Or by a touch or a sigh,
Into the labyrinth of another’s being;

Does the imagination dwell the most
Upon a woman won or woman lost?
If on the lost, admit you turned aside
From a great labyrinth out of pride,
Cowardice, some silly over-subtle thought
Or anything called conscience once;
An that if memory recur, the sun’s
Under eclipse and the day blotted out.

III
It is time that I wrote my will;
I choose upstanding men
That climb the streams until
The fountain leap, and at dawn
Drop their cast at the side
Of dripping stone; I declare
They shall inherit my pride,
The pride of people that were
Bound neither to Cause nor to State,
Neither to slaves that were spat on,
Nor to the tyrants that spat,
The people of Burke and of Grattan
That gave, though free to refuse-
Pride, like that of the morn,
When the headlong light is loose,
Or that of the fabulous horn,
Or that of the sudden shower
When all streams are dry,
Or that of the hour
When the swan must fix his eye
Upon a fading gleam,
Float out upon a long
Last reach of glittering stream
And there sing his last song.
And I declare my faith:
I mock Plotinus’ thought
And cry in Plato’s teeth,
Death and life were not
Till man made up the whole,
Made lock, stock and barrel
Out of his bitter soul,
Aye, sun and moon and star, all,
And further add to that
That, being dead, we rise,
Dream and so create
Translunar Paradise.
I have prepared my peace
With learned Italian things
And the proud stones of Greece,
Poet’s imaginings
And memories of love,
Memories of the words of women,
All those things whereof
Man makes a superhuman
Mirror-resembling dream.

As at the loophole there
The daws chatter and scream,
And drop twigs layer upon layer.
When they have mounted up,
The mother bird will rest
On their hollow top,
And so warm her wild nest.

I leave both faith and pride
To young upstanding men
Climbing the mountain side,
That under bursting dawn
They may drop a fly;
Being of that metal made
Till it was broken by
This sedentary trade.

Now shall I make my soul,
Compelling it to study
In a learned school
Till the wreck of body,
Slow decay of blood,
Testy delirium
Or dull decrepitude,
Or what worse evil come-
The death of friends, or death
Of every brilliant eye
That made a catch in the breath-
Seem but the clouds of the sky
When the horizon fades;
Or a bird’s sleepy cry
Among the deepening shades.