Kim Moore – Para minha filha

E mais tarde, quando ela perguntar,
direi que algumas partes foram belas –
como, em seu brilho
e súbita abertura,
os rostos dos vizinhos
passaram a parecer flores.
Contarei como começamos
a revisitar fotos
de nossos eus mais jovens,
abraçados a um estranho
ou apoiados nos ombros
de amigos, e vimos que o toque
sempre foi uma espécie de santidade,
uma forma de adoração que nos foi prometida.
Direi a ela que, de certa forma,
nossos dias se reduziram a nada,
sendo ao mesmo tempo tão longos quanto um ano
e tão velozes quanto o virar de uma página.
Vou contar como ela aprendeu a engatinhar
naqueles dias, naqueles tempos
em que não podíamos sair,
em que os corpos eram retirados
das casas e não eram contabilizados,
que ela falou sua primeira palavra
enquanto a morte rondava as ruas,
que, embora eu estivesse com medo,
nunca vi o medo em seus olhos.

Trad.: Nelson Sanander

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For my daughter

And later, when she asks,
I’ll say some parts of it were beautiful –
how in their brightness
and sudden opening
the faces of the neighbours
began to look like flowers.
I’ll tell her how we began
to look back at photos
of our younger selves
with our arms around a stranger
or leaning on the shoulders
of friends, and saw that touch
had always been a kind of holiness,
a type of worship we were promised.
I’ll tell her that in some ways
our days shrunk to nothing,
being both as long as a year
and as quick as the turning of a page.
I’ll tell her how she learned to crawl
in those days, in those times
when we could not leave,
when bodies were carried
from homes and were not counted,
that she began to say her first word
while death waited in the streets,
that though I was afraid,
I never saw fear in her eyes.

Marge Piercy – Canção de amor matinal

Estou cheia de amor como um melão
com sementes, madura e gotejando doces sumos.
Se você tocar levemente em meu ventre,
ele ressoará maduro, maduro.

É o auge de um verão verdejante, com os morangos
quase no fim e as amoras colorindo-se,
enquanto as rosas desabam como gordos gatinhos
persas, as hastes douradas da abóbora se dilatando.

No dia seguinte a um temporal, as folhas brilham.
O mundo está claro como uma janela recém-lavada.
O ar passa sua seda fina pelas mãos.
Cada último pássaro tem uma ideia para insistir.

Estou tentando trabalhar e, em vez disso,
escorro de amor por você como um favo de mel.
Estou vazia de fantasias, limpa como água da chuva
esperando fluir por toda sua pele.

Trad.: Nelson Santander

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Morning Love Song

I am filled with love like a melon
with seeds, I am ripe and dripping sweet juices.
If you knock gently on my belly
it will thrum ripe, ripe.

It is high green summer with the strawberries
just ending and the blueberries coloring
with the roses tumbling like fat Persian
kittens, the gold horns of the squash blowing.

The day after a storm the leaves gleam.
The world is clear as a just washed picture window.
The air whips its fine silk through the hands.
Every last bird has an idea to insist on.

I am trying to work and instead
I drip love for you like a honeycomb.
I am devoid of fantasies clean as rainwater
waiting to flow all over your skin.

Ian Hamilton – Despertar

Sua cabeça, tão enferma, repousa junto à minha.
Tão sensível. Você não consegue lembrar
Por que está aqui, nem reconhece
Estas mãos prestativas.
Meu amor,
O mundo nos encurrala. Estamos perdendo terreno.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 02/02/2019

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Awakening

Your head, so sick, is leaning against mine,
So sensible. You can’t remember
Why you’re here, nor do you recognize
These helping hands.
My love,
The world encircles us. We’re losing ground.

Dan Gerber – Dia da marmota

para Emmylou

Ouço um ganido abafado no corredor.
Nossa velha cadela, Eudora, fez um movimento errado
e deslocou os discos desgastados de sua coluna.

De resto, ela está feliz, eu acho.
Ela ofega e bate sua incansável calda
em minha perna

quando fazemos uma pausa em nossa caminhada leve
pelas colinas e ainda
cede ao seu faro acima de qualquer outro apelo.

Não acredito que ela saiba que vai morrer.
Não acredito que ela se preocupe
com o que pode ter que suportar

amanhã ou depois de amanhã, ou que
daqui a um mês ela possa me perder
ou a mulher com quem vivemos, que

interpreta o olhar dela e fala
com a cadela em um idioma cujo tom
só ela entende. E é o bastante

que ela sinta o cheiro dos coiotes e pneus de caminhões
e daqueles prestes a morrer, igualmente
sem pesar,

como essa pena marrom encaracolada
que acabou de cair
de um pássaro que não avistamos.

Trad.: Nelson Santander

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Groundhog Day

for Emmylou

I hear a muffled yelp from the hallway.
Our old dog, Eudora, has made a wrong move
and tweaked the crumbling disks in her spine.

Otherwise she’s happy I think.
She pants and thumps her indefatigable
tail against my leg

when we pause on our gentle walk
over the hills and still
defers to her nose above all other callings.

I don’t think she knows she will die.
I don’t think she suffers concern
over what she may have to endure

tomorrow or the day after or that
a month from now she may lose me
or the woman we live with who

reads the look in her eyes and speaks
for her in a language only the tone
of which she understands. And it’s enough

that she smells coyotes and truck tires and
the soon-to-be-dead, equally
without regret,

like this curly brown feather
just fallen
from a bird we didn’t see.

José María Cumbreño – Identidade

Durante anos, a roupa que usei foi herdada de meu irmão mais velho.
Meu nome me foi dado em homenagem ao meu avô.
O primeiro carro que conduzi era de segunda mão.
A primeira mulher que me beijou já havia beijado outros.
A casa em que habito é alugada.
Tudo o que escrevo já foi escrito por alguém há muito tempo, e muito melhor.
O irmão de minha filha não é meu filho.
Seu pai age como se não o fosse, e quem não é o pai
esforça-se para aprender a sê-lo.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 31/01/2019

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José María Cumbreño – Identidad

Durante años, la ropa que me he puesto la he heredado de mi hermano mayor.
Mi nombre me lo pusieron por mi abuelo.
El primer coche que conduje era de segunda mano.
La primera mujer que me besó ya había besado a otros.
La casa en la que vivo es de alquiler.
Todo lo que escriba ya lo habrá escrito alguien mucho antes y mucho mejor.
El hermano de mi hija no es hijo mío.
Su padre hace como si no lo fuera y quien no es su padre
se esfuerza por aprender a serlo.

Dorianne Laux – Eu te desafio

É outono, e estamos nos livrando
dos livros, nos preparando para aposentar e
mudar para um lugar menor, mais
gerenciável. Vivendo ao contrário,
na nova casa à prova de idade, nada
no chão para tropeçar, nenhum obstáculo
para os vagarosos mecanismos de nossos corpos,
uma mesinha para dois. Nosso mundo está
encolhendo, nossos armários, quase vazios,
se foram as saias justas e os sapatos de dança,
os badulaques e bugigangas. Agora, quando
alguém nos visita e admira
nossas obras completas de Shakespeare,
a pena de falcão no dicionário aberto,
o anjo de ferro na estante, dizemos:
leve-os. Este é o momento mais importante
de todos, a era do desapego,
sabendo que o que deixamos para trás é
como o aroma das árvores em flor
que se intensifica depois
que as atravessamos, inspirando-as
por um instante antes de
exalá-las. Uma terça-feira
comum em que um de vocês diz
eu te desafio, e o outro
apenas ri.

Trad.: Nelson Santander

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I Dare You

It’s autumn, and we’re getting rid
of books, getting ready to retire,
to move some place smaller, more
manageable. We’re living in reverse,
age-proofing the new house, nothing
on the floors to trip over, no hindrances
to the slowed mechanisms of our bodies,
a small table for two. Our world is
shrinking, our closets mostly empty,
gone the tight skirts and dancing shoes,
the bells and whistles. Now, when
someone comes to visit and admires
our complete works of Shakespeare,
the hawk feather in the open dictionary,
the iron angel on a shelf, we say
take them. This is the most important
time of all, the age of divestment,
knowing what we leave behind is
like the fragrance of blossoming trees
that grows stronger after
you’ve passed them, breathing
them in for a moment before
breathing them out. An ordinary
Tuesday when one of you says
I dare you, and the other one
just laughs.

Terence Winch – Aquele navio já partiu

Em nossa antiga vida, comíamos sorvete e pudim
de pão. Bebíamos copo após copo de
Grand Marnier até ficarmos enjoados.
Nossa libido era grande como um outdoor.
Nossa libido era maior do que a tela
de um cinema drive-in no meio do nada,
exibindo intermináveis clássicos pornográficos
adolescentes. Tínhamos um apetite insaciável.
Derramávamos banha derretida sobre nossa
pipoca, que então cobríamos
com uma tempestade de sal. Fumávamos,
cheirávamos e nos divertíamos com pessoas
com quem era melhor não se envolver. Falávamos
a noite inteira ao telefone. Líamos
Keats e Yeats e todos os grandes
dia e noite. Brigávamos
em bares. Bebíamos dezesseis xícaras
de café todos os dias. Fingíamos estar doentes
e passávamos o dia em mistérios, dúvidas e
incertezas. Desprezávamos nossas
responsabilidades sem pensar duas
vezes. Comíamos comida chinesa
e pizza no café da manhã. Pegávamos
o ônibus para visitar os amigos onde quer
que estivessem. Roubávamos livros.
Enganávamos, mentíamos, chorávamos.
Dançávamos a noite toda na sala
ao redor da árvore de natal.

Em nossa nova vida, tentamos lembrar
os nomes das pessoas com quem pensamos
ter dormido. Tiramos
as embalagens de brócolis congelados do
freezer. Acendemos uma vela
para comemorar a travessia
da grande divisão entre
a ilha esmeralda dos jovens
e as canções em nossos ossos
que ficaram sem ser cantadas.

Trad.: Nelson Santander

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That Ship Has Sailed

In our old life, we ate ice cream and bread
pudding. We drank glass after glass of
Grand Marnier until it made us sick.
Our libido was as big as a billboard.
Our libido was larger than a drive-in
theater screen in the middle of nowhere
playing endless adolescent pornographic
classics. We had an appetite for appetite.
We poured melted lard all over our
popcorn which we then covered
with a snowstorm of salt. We smoked,
we snorted, we cavorted with people
who were best left alone. We talked
all fucking night on the phone. We read
Keats and Yeats and all the greats
day and night. We got into fights
in pubs. We drank sixteen cups
of coffee every day. We called in sick
and spent the day in mysteries, doubts,
uncertainties. We shirked our
responsibilities without a second
thought. We ate Chinese food
and pizza for breakfast. We rode
the bus to visit friends wherever
they might be. We stole books.
We cheated, we lied, we cried.
We danced all night in the living
room around the Christmas tree.

In our new life, we try to remember
the names of the people we think
we might have slept with. We haul
the bags of frozen broccoli out
of the freezer. We light a candle
to commemorate crossing
the great divide between
the green island of the young
and the songs in our bones
that have come unsung.

Ursula K. Le Guin – Prece de uma Noite de Janeiro

Sinos badalam, excêntricos ventos
assobiam gelados vindos das terras desérticas
sobre as montanhas. Janus, Senhor
do inverno e dos começos, fendido
e abalado, com duas faces,
sentinela dos portões dos ventos e das cidades,
deus dos insones:
livra-me da gélida inveja
e da ira mesquinha. Abre
minha alma para os vastos
lugares escuros. Diz-me, e diz de novo:
nada nos é tomado, só ofertado.

Trad.: Nelson Santander

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January Night Prayer

Bellchimes jangle, freakish wind
whistles icy out of desert lands
over the mountains. Janus, Lord
of winter and beginnings, riven
and shaken, with two faces,
watcher at the gates of winds and cities,
god of the wakeful:
keep me from coldhanded envy
and petty anger. Open
my soul to the vast
dark places. Say to me, say again,
nothing is taken, only given.

Wendell Berry – Eles se sentam juntos na varanda

Eles se sentam juntos na varanda, a escuridão
Aproximando-se, a casa atrás deles na penumbra.
Terminada a refeição, lavaram e secaram
A louça – apenas dois pratos agora, dois copos,
Duas facas, dois garfos, duas colheres – tarefa pequena para dois.
Ela se senta com as mãos cruzadas no colo,
Em repouso. Ele fuma seu cachimbo. Não trocam palavras,
E quando finalmente o fazem é para dizer
O que ambos sabem que o outro já sabe. Têm
uma mente em comum agora, que,
Apesar de todo o conhecimento, não saberá exatamente
Quem será o primeiro a atravessar o escuro portal, desejando
Boa noite, e quem ficará sozinho por um tempo.

Trad.: Nelson Santander

They Sit Together on the Porch

They sit together on the porch, the dark
Almost fallen, the house behind them dark.
Their supper done with, they have washed and dried
The dishes–only two plates now, two glasses,
Two knives, two forks, two spoons–small work for two.
She sits with her hands folded in her lap,
At rest. He smokes his pipe. They do not speak,
And when they speak at last it is to say
What each one knows the other knows. They have
One mind between them, now, that finally
For all its knowing will not exactly know
Which one goes first through the dark doorway, bidding
Goodnight, and which sits on a while alone.

Linda Pastan – Os meses

Janeiro

Retorcidas pelo vento,
meras estruturas para gelo ou neve,
as árvores decidem
resistir por enquanto,

elas brotarão em abril.
E eu devo ser paciente
como as árvores —
uma resolução de inverno

que quebro novamente,
enquanto o frio pressiona
sua lâmina afiada
contra minha garganta.

Fevereiro

Após uma interminável
hibernação
no peitoril da janela,
a orquídea floresce —

pontos púrpuras bordados,
acima e abaixo,
numa fina haste.
Lá fora, a neve

derrete no ar e se transforma
em chuva.
Mês abreviado.
Todo tipo de clima.

Março

Quando o Rei dos Elfos veio
levar a criança
no poema de Goethe, o pai disse:
não tenha medo,

é apenas o vento…
Como se não fosse o vento
que leva embora os fragmentos
delicados deste mundo —

folhas remanescentes nos cantos
do jardim, uma rosa quaresmal
que pensou estar segura
ao florescer tão cedo.

Abril

No borrão em tons pastéis
do jardim,
a cereja
e a Cercis1

sacodem a chuva
de seus delicados
ombros, enquanto pétalas
da dogwood

rosa
descem pelas valetas
como oníricos
rios de cores.

Maio

Maçã-de-maio, narciso,
jacinto, lírio,
e junto aos degraus
da varanda da frente

todos os tons
ondulantes de lilás
e lavanda roxa,
a flor favorita de minha mãe,

doce respiração flutuando pelas
janelas abertas:
perfume da memória — condutora
da primavera.

Junho

O besouro de junho
na porta telada
zune como uma máquina
pequena e feia,

e um coro de sapos
e grilos zumbindo como Musak2
em todas as janelas.
O que não vemos claramente

nos conforta.
Cintilação de relâmpago, rosnado
de trovão — apenas o calor
limpando a garganta.

Julho

Nesta noite, os vagalumes
acendem suas breves
velas
em todas as árvores

de verão —
cor de flocos de lua,
cor de renda
fluorescente

onde o oceano arrasta
sua bainha rasgada
sobre a areia
escura.

Agosto

Descalça
e atordoada pelo sol,
mordo esse pêssego maduro
de um mês,

reunindo crianças
em meus braços
em toda sua glória
areenta,

enchendo
minha mesa todas as noites
com nada além
de milho e tomates.

Setembro

Seu romance de verão
acabou, mas os amantes
ainda se agarram
um ao outro

assim como as
folhas verdes se agarram
às árvores
no calor estranho

de setembro, como se
desta vez
não houvesse
outono.

Outubro

Quão repentinamente
a floresta
se transformou
novamente. Sinto-me

como Daphne3, parada
com os braços
estendidos em direção
à estação,

envolvida
pelas cores, coroada
com o dourado martelado
das folhas.

Novembro

Essas folhas
anônimas, seus corpos
molhados pressionados
contra a janela

ou caindo —
eu as conto
enquanto durmo,
absolvendo a gravidade,

absolvendo até mesmo a morte
que conhece como eu
os imperativos
da estação.

Dezembro

A pomba branca do inverno
perde suas primeiras
preciosas penas;
elas derretem

ao tocar
o chão quente
como notas
de uma música que já foi

familiar; a terra
estremece e
e se volta para
o solstício.

Trad.: Nelson Santander

N. do T.:

  1. Cercis é o nome científico do gênero de árvores que inclui a Redbud, mencionada no original do poema. Optei por usar o termo Cercis em vez de manter “redbud” para aproveitar a meia-rima com a palavra “jardim” e criar a aliteração formada pelas palavras “cereja”, “Cercis” e “sacodem”, evocando o som da chuva sobre as plantas do jardim.
  2. Música ambiente
  3. Daphne, na mitologia grega, era uma ninfa da natureza, conhecida por sua beleza e conexão com o mundo natural. Segundo a lenda, ela foi transformada em uma árvore de loureiro para escapar do deus Apolo, que estava obcecado por ela. Essa história simboliza a profunda ligação entre Daphne e a natureza, mostrando sua identificação com o ambiente natural e sua escolha de se tornar parte dele.

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The Months

January

Contorted by wind,
mere armatures for ice or snow,
the trees resolve
to endure for now,

they will leaf out in April.
And I must be as patient
as the trees—
a winter resolution

I break all over again,
as the cold presses
its sharp blade
against my throat.

February

After endless
hibernation
on the windowsill,
the orchid blooms—

embroidered purple stitches
up and down
a slender stem.
Outside, snow

melts midair
to rain.
Abbreviated month.
Every kind of weather.

March

When the Earl King came
to steal away the child
in Goethe’s poem, the father said
don’t be afraid,

it’s just the wind. . .
As if it weren’t the wind
that blows away the tender
fragments of this world—

leftover leaves in the corners
of the garden, a Lenten Rose
that thought it safe
to bloom so early.

April

In the pastel blur
of the garden,
the cherry
and redbud

shake rain
from their delicate
shoulders, as petals
of pink

dogwood
wash down the ditches
in dreamlike
rivers of color.

May

May apple, daffodil,
hyacinth, lily,
and by the front
porch steps

every billowing
shade of purple
and lavender lilac,
my mother’s favorite flower,

sweet breath drifting through
the open windows:
perfume of memory—conduit
of spring.

June

The June bug
on the screen door
whirs like a small,
ugly machine,

and a chorus of frogs
and crickets drones like Musak
at all the windows.
What we don’t quite see

comforts us.
Blink of lightning, grumble
of thunder—just the heat
clearing its throat.

July

Tonight the fireflies
light their brief
candles
in all the trees

of summer—
color of moonflakes,
color of fluorescent
lace

where the ocean drags
its torn hem
over the dark
sand.

August

Barefoot
and sun-dazed,
I bite into this ripe peach
of a month,

gathering children
into my arms
in all their sandy
glory,

heaping
my table each night
with nothing
but corn and tomatoes.

September

Their summer romance
over, the lovers
still cling
to each other

the way the green
leaves cling
to their trees
in the strange heat

of September, as if
this time
there will be
no autumn.

October

How suddenly
the woods
have turned
again. I feel

like Daphne, standing
with my arms
outstretched
to the season,

overtaken
by color, crowned
with the hammered gold
of leaves.

November

These anonymous
leaves, their wet
bodies pressed
against the window

or falling past—
I count them
in my sleep,
absolving gravity,

absolving even death
who knows as I do
the imperatives
of the season.

December

The white dove of winter
sheds its first
fine feathers;
they melt

as they touch
the warm ground
like notes
of a once familiar

music; the earth
shivers and
turns towards
the solstice.